"Tiraram o Senhor e não sabemos onde o puseram".
(São João XX, 2)
Por Carlos Magno da S. Oliveira
O Sacrário no centro tem, no espírito tradicional da Sagrada
Liturgia, o significado de dar a Nosso Senhor Jesus Cristo o destaque no lugar
central. Pode-se considerar esta afirmação como sendo teocêntrica, isto é, que
tem Deus como o centro, evidentemente não como centro geométrico. O
teocentrismo significa que Deus é reconhecido como sendo a causa e o fim de
todas as coisas, e sendo Deus imutável esse centro deve ser fixo e imutável.
Quando Nossa Senhora e São José foram a Belém, na ocasião do
recenseamento, obedecendo ao edito de César, por serem eles pobres,
disseram-lhes que não havia lugar para eles na estalagem. Por isso o Menino
Jesus teve que nascer fora da cidade, numa cocheira miserável, onde havia um
boi e um burro.
Nosso Senhor Jesus Cristo veio para o que era seu - Israel --
e os seus, os judeus, não O receberam. Ele nasceu numa cocheira, fora da
cidade, assim como iria morrer fora da cidade de Jerusalém. Por que "os
seus não O receberam" (São João I, 11). "O boi conhecerá o seu dono,
e o burro conhecerá o presépio de seu Senhor" profetizou Isaías (Isaías.
I, 3). Mas, os seus não o receberam...
Nasceu numa cocheira símbolo da Igreja. Porque, como explica
Hugo de São Victor, na cocheira os animais -- o boi e o burro -- deixam suas
sujeiras, e se alimentam no cocho, assim como nós, cristãos, vamos à Igreja,
para deixar, no confessionário, nossos pecados, a fim de, depois, irmos nos
alimentar com o Pão que desceu dos céus, na mesa da comunhão.
Mas "os seus não o receberam", e não havia lugar
para eles na estalagem". Espantamo-nos com a frieza e a dureza de coração
dos habitantes de Belém, que recusavam receber a Virgem Maria e São José, e com
a cegueira da Sinagoga, que abria o rolo da profecia e respondia a Herodes:
"Sim. É verdade. Estamos na época em que deve nascer o Messias prometido.
E Ele vai nascer em Belém, palavra que significa casa do pão". E depois de
ler a profecia, a Sinagoga fechava o rolo, e não ia a Belém adorar o Rei dos
judeus que nascera. E O recusava, não lhe dando lugar na estalagem.
A Igreja, durante dois milênios, guardou o Corpo de Cristo,
nascido em Belém, no sacrário. Adorou-O santamente, cercando-O de honras
devidas ao Redentor, o Filho de Deus feito Homem.
Hoje, infelizmente, não há mais lugar para o sacrário de
Jesus Cristo nos altares das Igrejas. O sacrário foi relegado para longe do
altar. Para fora de Belém.
Por meio da encíclica Ecclesia de Eucharistia e no Decreto
Redemptionis Sacramentum, o Papa João Paulo II mandou que se combatessem os
abusos e desrespeitos que se fazem contra a Eucaristia. Entretanto, observamos
que nada mudou. Aqueles mesmos que aplaudem o Papa João Paulo II se fazem de
surdos, quando ele recomendou algo bom.
Os argumentos para a retirada dos sacrários são cada vez mais
assustadores. Já não se fala mais em completo desconhecimento da realidade do
Sacrário, como numa brutal e insanável cegueira que já beira a senilidade. A
Loucura completa! Beira a hostilidade contra o Altíssimo!
Então colocam o sacrário longe, de lado, em capelas isoladas,
em cantos escuros, tal como fazem os faxineiros que colocam em depósitos
escuros a lata de lixo, a escória do templo. Lá se guardam as vassouras e o
pano de chão! Ali também escondem o Sacrário, num último passo para o colocarem
na rua.
Pois diz o Senhor: “porque me rejeitaste, também eu te
rejeitarei” (Oséias IV, 6). E como rejeitaram a Deus, cumprem o projeto de
satanás. É bem por isso que Nossa Senhora tem alertado o mundo, de que em breve
milhares de igrejas se tornarão em pistas paras os demônios.
O espaço reservado para Deus fica cada vez menor, desde as
capelas até os corações. Colocam Nosso
Senhor Jesus Cristo em pequenas capelas, porque os corações dos homens estão
pequenos, cada vez mais fechados, cada vez mais mortos. E quando retiramos Deus
de seu espaço só sobra uma coisa: a energia do vácuo, ou seja, o desprovimento
espacial absolutamente vazio...
Portanto, se no Sacrário o próprio Jesus está verdadeiramente
presente em corpo, sangue, alma e divindade, sob as aparências de pão, sendo
ele Deus, deve ocupar o lugar de destaque, o centro. “A arca foi introduzida e
instalada em seu lugar, no centro do tabernáculo que Davi construíra para ela,
e Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos (II Samuel VI, 17).”
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