Escutemos o Papa
Pio XI, em excertos da sua encíclica “Ubi Arcano,” promulgada
em 23 de Dezembro de 1922:
«À Paz de Cristo,
que filha da Caridade reside no mais íntimo da alma, é aplicável a Palavra de
São Paulo sobre o Reino de Deus, porque é precisamente pela Caridade que Deus
reina nas almas:” O Reino de Deus não é comida nem bebida”(Rom 14,17). Por
outras palavras, a Paz de Cristo não se alimenta de bens perecíveis, e sim das
realidades espirituais e eternas, cuja excelência e superioridade o mesmo Jesus
Cristo revelou ao mundo, e não cessou de mostrar aos homens. Neste sentido é
que Ele dizia:” Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder
a sua alma? Ou que dará o homem pelo resgate da sua alma? (Mt 16,26)
Desta maneira indicou ainda a perseverança e firmeza de que deve estar
animado o cristão. “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;
temei antes Aquele que pode perder o corpo e a alma na Gehena (Mt 10,28 // Lc
12,14).
Já mostrámos que uma das principais causas do caos em que vivemos reside na
diminuição da autoridade do Direito, provocada pela negação da origem Divina do
Direito e do Poder. Este mal também encontrará o seu remédio na Paz cristã que
se identifica com a Paz Divina e por isso prescreve o respeito à ordem, à lei,
e à autoridade. Lemos, na verdade, na Escritura: “Conservai a disciplina na
Paz”(Eclo 41,17). “A Paz cumula de bens àqueles que amam a Tua Lei, Senhor”(Sm
118,155). “O que respeita a Lei viverá em Paz” (Pr 13,13). Nosso Senhor Jesus
Cristo não se limitou a dizer: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é
de Deus”(Mt 22,21), mas afirmou que reverenciava em Pilatos “o poder que lhe
havia sido dado do Alto”(Jo 19,11), cumprindo assim o mandato que tinha dado
aos discípulos de respeitar “os escribas e fariseus que se haviam sentado na
Cátedra de Moisés”(Mt 23,2). Na Sua família, Nosso Senhor Jesus Cristo foi de
uma deferência admirável para com a autoridade paterna, submetendo-se, como
exemplo a Maria e a José (Lc 2,51). Foi, por fim, em Seu Nome que os Apóstolos
proclamaram a Lei: “Seja todo o homem submetido às autoridades superiores,
porque não há poder que não venha de Deus”(Rm 13,1).»
Todos os inimigos
históricos da Santa Madre Igreja, todos aqueles que desde há cinco séculos
conspiram, activamente, organizadamente para a destruírem como realidade social
e cultural, prosseguiram tenazmente, diabòlicamente, o objectivo, nestes
últimos 50 anos plenamente conseguido, de fazer a Igreja contradizer-se, ou
PARECER CONTRADIZER-SE (porque a Igreja conciliar não é a Santa Madre Igreja,
mas sim uma sucursal da maçonaria); efectivamente os maçons bem sabem que UMA
INSTITUIÇÃO QUE SE CONTRADIZ NÃO PODE SER DIVINA; consequentemente, no dia em
que lograssem tal escopo, os maçons sabiam que conseguiriam (humanamente) tudo.
Todos os
não-católicos odeiam o conceito de Imutabilidade; particularmente os
modernistas, essencialmente limitados como estão por uma perspectiva humana e
terrena das coisas, nutrem um verdadeiro horror pela Imutabilidade, que lhes
provoca uma irreprimível sensação do mais angustiante tédio – AO QUE PODE
CHEGAR O AFASTAMENTO DE DEUS NOSSO SENHOR!!!
Ora a Imutabilidade constitui um atributo de Deus; efectivamente, quanto mais
uno, mais verdadeiro, mais bondoso for um ser, precisamente, mais imutável ele
será. Os Anjos são relativamente imutáveis, no plano ontológico, pois enquanto
durar o mundo visível possuem o ministério do seu governo, sob as ordens de
Deus Uno e Trino, o que implica uma mutabilidade extrínseca. A Eternidade
beatífica de Anjos e Homens é verdadeiramente imutável no plano ontológico,
pois participa formalmente da Eternidade de Deus, mas só Este é METAFÌSICAMENTE
IMUTÁVEL, pois não tem princípio nem fim, nem potencialidade alguma, pois É por
Si mesmo (Asseidade).
Para o verdadeiro
católico os conceitos de Imutabilidade, como de Eternidade, não só não devem
constituir qualquer fonte de tédio, como devem ser ADORADOS como A INFINITA LUZ
DONDE DEVE PROCEDER A NOSSA SALVAÇÃO, A NOSSA SANTIDADE. Só nos podemos
santificar pela Verdade, pelo amor Sobrenatural à Verdade, que é a Caridade;
ora se a Verdade é a Verdade, se a Bondade é a Bondade, se a Santidade é a
Santidade, QUEM PODERÁ QUERER ALTERÁ-LAS? QUEM PODERÁ QUERER DIMINUÍ-LAS? QUEM
PODERÁ QUERER PERDÊ-LAS? LOUCURA! ABSURDO! SUICÍDIO ESPIRITUAL E ATÉ FÍSICO!
Todavia também
existe uma imutabilidade no mal; qual é? É O INFERNO. Neste quadro conceptual,
tudo o que é definitivamente verdadeiro e bom é tendencialmente eterno e
imutável. Mas o castigo escatológico do Mal é igualmente imutável – na suprema
privação, no supremo sofrimento. O Inferno constitui a anti-beatitude, a
estabilização definitiva, eterna, no Mal e respectivo castigo, pois que a
Glória extrínseca de Deus não pode sofrer atenuação. Ora a Glória extrínseca de
Deus é proclamada polo castigo eterno dos maus, logo esse castigo constitui um
Bem objectivo, portanto, como Bem que é, deverá, necessàriamente, ser imutável.
Todavia, neste
mundo, a progressiva estabilização no Mal difere acentuadamente da
estabilização no Bem.
A primeira
consubstancia-se numa procura inveterada e diversificada de estímulos, PORTANTO
NUMA CADA VEZ MAIOR MUTABILIDADE OPERATIVA, procedente da anarquia interior; a
segunda procede segundo uma progressiva UNIFICAÇÃO, SOBRIEDADE E SIMPLICIDADE
OPERATIVA, SEGUNDO UM SÓ PRINCÍPIO, IMUTÁVEL, QUE É A FÉ CATÓLICA.
O modernismo
combate o tédio com a evolução, com o relativismo, PORQUE FALHOU O SER. Porque
o Mal não é uma natureza, o Mal consiste precisamente na corrosão do Ser pelo
nada; tal resulta do facto da criatura espiritual operar sem o CONCURSO
ILUSTRADOR da Lei Eterna; o Mal é pois uma PRIVAÇÃO QUALIFICADA DE SER. Porque
mesmo quando a criatura espiritual transcura operativamente a sua finalidade
fundamental, CONTINUA, ONTOLÒGICAMENTE, SENDO CRIATURA, TENDENDO,
METAFÌSICAMENTE, PARA O SEU CRIADOR. Aliás, é essa mesma dignidade ontológica,
de ente criado por Deus, que EXIGE O CASTIGO ETERNO.
A Santa Madre
Igreja, a Igreja Eterna, é imutável, é imutável na Sua Pessoa Moral de Direito
Divino, no Santo Sacrifício da Missa, no Depósito da Fé, no Sagrado Magistério,
nos santos Sacramentos… e nas prerrogativas funcionais da Cátedra de São Pedro.
Como já se afirmou, este orgão supremo da Santa Madre Igreja goza duma
assistência moral especial, de carácter não milagroso, que impede o Papa,
enquanto Papa, de se obstinar na heresia, mesmo puramente interior, não
directamente para salvaguardar a Fé e a santidade do homem Papa, mas sim para
assegurar o Bem da Santa Madre Igreja, na integridade da função papal; essa
assistência foi prometida, solene e formalmente, por Nosso Senhor Jesus Cristo,
com carácter intrínseco, infalível e imutável, ou seja: QUEM FOI PAPA NUNCA
PODE DEIXAR DE O SER POR HERESIA, EMBORA POSSA CONFUNDIR-SE E FRAQUEJAR NA
DEFESA DA FÉ (Lc 22,32). Todavia nunca foi prometido por Nosso Senhor que a
Cátedra de São Pedro estivesse imune A ATAQUES EXTRÍNSECOS que possuíssem como
objectivo a introdução no redil de Nosso Senhor, de impostores, de usurpadores
e de ladrões disfarçados de Papas. E FOI PRECISAMENTE O QUE SUCEDEU, PARA
CASTIGO DOS NOSSOS PECADOS, APÓS A MORTE DE PIO XII: Roncalli, Montini,
Wojtyla, Ratzinger, Bergoglio, não perderam o pontificado, PORQUE NUNCA O
TIVERAM. (1)
Não menciono Albino Luciani (João Paulo I) porque constitui uma hipótese séria,
o seu assassínio pela maçonaria vaticana quando esta lhe terá detectado as
disposições necessárias para se comportar como um verdadeiro sucessor de São
Pedro.
Contemplamos assim
como a imutabilidade INTRÍNSECA das atribuições funcionais da Cátedra de São
Pedro, explica perfeitamente que a indisposição espiritual dum candidato
canònicamente eleito retire a eficácia necessária a essa eleição para acolher a
instituição de Direito Divino no cargo de Sucessor de Pedro realizada pelo
próprio Nosso Senhor Jesus Cristo.
Afirma Melchor Cano
na sua obra “De Locis Theologicis”:
« Exactamente do
mesmo modo o privilégio de uma Fé indeficiente, que foi também um privilégio
pessoal de Pedro, foi transmitido aos bispos romanos, não naquilo que era
peculiar de Pedro, mas naquilo que era comum à Igreja.
«Não é pois
necessária à Igreja a Fé interior do Romano Pontífice, nem um erro oculto e
privado da sua mente pode danificar a Igreja de Cristo. Portanto, não é
necessário que Deus assista sempre os Pontífices Romanos na conservação da sua
Fé interior. Todavia, quando decretam aquelas coisas que hão-de ser acreditadas
pelos fiéis, e quando dirigem, na Fé, a Igreja de Cristo, não falhem, mas que
sejam dirigidos pela Mão Divina, isto é necessário à Santa Igreja, e portanto
não se negará isto aos bispos romanos, tão pouco aos que são débeis e erram por
vezes privadamente, para que não provoquem que a Igreja tombe na ignorância
comum da Verdade, por causa dum erro do poder público».
Neste quadro
conceptual, o autor destas linhas não nega a possibilidade dum erro, mesmo
público, do Romano Pontífice, MAS ERRO NÃO É HERESIA; o Sucessor de Pedro no
seu Magistério ordinário autêntico, orgânica e articuladamente não infalível,
pode cometer um erro, mas NÃO PODE DECLARAR UMA VERDADEIRA HERESIA FORMAL.
A assistência Divina ao Romano Pontífice, sendo especial, enquadra-se contudo
nas Leis gerais da Providência ordinária, por vezes da Providência
extraordinária, mas nunca duma Providência cujo Governo proceda na base do
milagre, físico ou moral. Assim tem de existir proporção ontológica e
psicológica entre a vida interior do homem que é Papa, e o seu magistério
funcional; podem existir erros, confusões, fraquezas, interiores, externas, e
até públicas notórias – NÃO PODE EXISTIR É HERESIA VERDADEIRA E FORMAL, QUER
DIZER, CLARA E DISTINTA NA INTELIGÊNCIA E RESOLUTA E FIRME NA VONTADE.
Na Constituição “Vacantis
Sedis Apostolicae” que integra o Direito Canónico de 1917, legisla-se que todas
as censuras cessam para efeitos de conclave; legisla-se igualmente que em caso
de simonia os seus autores ficam excomungados, mas a eleição é válida. Certos
autores concluem que neste quadro conceptual, toda e qualquer eleição papal
seria válida.
Mas não é assim
porque a ausência de disposições espirituais para a investidura de Direito
Divino NÃO TEM NADA A VER COM AS EXCOMUNHÕES EM QUE OS CARDEAIS POSSAM TER
INCORRIDO, E QUE CESSARIAM PARA EFEITOS DE CONCLAVE.
É uma questão que
se vincula sòmente ao Direito Divino Sobrenatural e à razão filosófica natural.
NÃO É QUALQUER
FORMA QUE PODE ASSUMIR QUALQUER MATÉRIA, NEM QUALQUER MATÉRIA QUE PODE SER
ASSUMIDA POR QUALQUER FORMA; TEM DE EXISTIR COMENSURABILIDADE METAFÍSICA E
TEOLÓGICA ENTRE UMA E OUTRA.
Só assim a
Imutabilidade e Eternidade das prerrogativas de Pedro serão para sempre
salvaguardadas.
NOTA -(1) São
Pedro, ao negar Nosso Senhor Jesus Cristo, não perdeu o pontificado, nem a Fé,
mas perdeu a Caridade e a Graça Sobrenatural, que recuperou mais tarde. Só no
Pentecostes é que São Pedro e todos os Apóstolos foram confirmados em Graça.
LOUVADO SEJA NOSSO
SENHOR JESUS CRISTO
Lisboa, 28 de
Janeiro de 2014
LINK DESTA POSTAGEM: http://promariana.wordpress.com/2014/01/31/a-beatitude-imutavel-e-a-catedra-de-sao-pedro/
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Antes de fazer seu comentário, leia: Todo comentário é moderado. Não serão permitidos comentarios sem a identificação do autor ou caso seja enviado sem a origem, só será aceito se, no corpo do texto, houver o nome completo do autor. Comentários ofensivos contra a Santa Madre Igreja não serão aceitos. Comentários de hereges, de pessoas que se dizem ateus, infiéis, de comunistas só serão aceitos se estiverem buscando a conversão e a fuga do erro. De pessoas que defendem doutrinas contra a Verdade revelada, a moral católicas, apoio a grupos ou idéias que ferem, denigrem, agridem,cometem sacrilégios a Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, a Mãe de Deus, seus Anjos, Santos, ao clero, as instituições católicas também não serão aceitos. Reservo o direito de publicar os comentários que julgar pertinente.