Naqueles dias a imprensa católica, que tinha como certa a sua divulgação, dividiu-se entre o estupor e a tentativa de justificar essa deliberação da «autoridade» na Igreja.
Mas nenhuma desculpa poderia ser suficiente nem para dissipar a desilusão nem para dirimir perplexidades. Era o caso de perguntar por que a Mãe do Céu teria acrescentado algo a uma mensagem se o resto já bastava e podia ser censurado. Não se confundia, de novo, prudência da Igreja com insipiência ou mesmo perfídia de seus homens? Afinal, com qual senso de responsabilidade ousava-se impedir uma
intervenção celeste a favor das almas e da Igreja se o Terceiro segredo tratava justamente de um sinal que seria mais claro em 1960. Isto podia não dizer respeito ao mesmo papa, como depois se soube ao ser publicada em 2000 a visão do massacre do bispo vestido de branco com todo o seu séquito fiel?
Afinal isto deveria ficar secreto até 1960 não para as autoridades eclesiásticas, mas para a sua divulgação ao povo cristão. Eis que este povo era o destinatário da parte que completava a mensagem, como aviso de um castigo iminente, pior que as grandes guerras, porque para a perdição de inúmeras almas.
Qualquer consideração lógica só fazia aumentar as perplexidades: se a aparição foi reconhecida oficialmente pela Igreja, por que a sua mensagem não devia ser revelada por inteiro? Pode um aviso celeste ser desprovido de sabedoria, de prudência, e ter outro fim senão a salvação dos homens? Censurar o segredo com o silêncio equivalia a considerar que a argúcia dos homens deve pôr um limite à inoportunidade de Maria Santíssima. Os clérigos são capazes de tudo!
Não seria a primeira vez que homens da Igreja desprezavam avisos celestes. Esse desprezo foi dispensado a muitos que Deus enriquecera de dons extraordinários para chamar ao bom caminho uma humanidade pecadora. A lista dessas pessoas perseguidas em vida pelas autoridades da Igreja, mas declarados santos pela Igreja infalível depois de mortos, é longa. Que um nome recente sirva de exemplo por todos: padre Pio de Pietralcina, a quem alguns eclesiásticos rebateram os pregos para melhor crucificá-lo, e de quem hoje se comprovam, sempre mais, as virtudes heróicas.
Mas, voltando ao silêncio que envolveu o Terceiro Segredo, em 1963 numerosos jornais começaram a difundir um seu “resumo” que não foi no começo desmentido pelas autoridades vaticanas. Pelas suas palavras pode-se compreender por que homens da Igreja resistem sempre a essas mensagens: são admoestações aos faltosos e infiéis. O fato é, porém, que este falso segredo difundido foi útil para que João Paulo 2º desviasse a atenção do verdadeiro. Vejamos.
“Depois de outros doze anos esse retrato fiel da realidade — e, devemos especificar, da realidade eclesiástica hodierna —, é mais impressionante ainda. Dizia Lúcia ao cardeal Ottaviani, que lhe perguntava por que o segredo devia ser divulgado em 1960: ‘Porque tudo será mais claro então’. Eram as vésperas do Concílio Vaticano 2º, no qual todos os fermentos modernistas iriam corromper o clero da Igreja.
Sobre o texto desse “resumo” é preciso tecer algumas considerações, porque contém diversos erros e defeitos. Padre Alonso, em seu livro sobre o segredo de Fátima, informa que o “resumo” foi publicado pela primeira vez no semanário alemão Neues Europa de 15 de outubro 1963. Ali era dito que tal texto fora comunicado por Paulo 6º aos chefes de estado Macmillan, Kennedy e Kruschev, que teriam ficado impressionados o bastante para antecipar a assinatura do acordo de cessação das experiências atômicas para agosto daquele ano (!). O autor dessa incrível versão seria o escritor alemão Ludwig Emrich.
Tudo isso é pouco plausível, mas a verdadeira objeção a esse “resumo” está em dizer que foi dado a Lúcia dia 13 de outubro 1917, depois do Milagre do sol, e não no dia 13 de julho 1917, como se pode ver pela mensagem interrompida. Seria, pois, um erro cronológico, que somado à estrutura literária diversa do restante da mensagem, indica a inautenticidade desse “resumo”.
A este ponto padre Alonso escreve: “O texto é uma lamentável cópia do assim chamado ‘Segredo de La Salette’, mas ainda mais distorcido, exagerado e falsificado.” E com essa frase fez um julgamento indireto sobre a mensagem dada em 19 de setembro de 1846 na montanha de La Salette, aos pastores Maximino e Melania, que viram Nossa Senhora chorando sobre o destino dos homens. A aparição foi reconhecida pela Igreja e a mensagem de Melania teve o imprimatur de bispos. Por essa razão, há que desconfiar do julgamento de padres que desde então combatem essa mensagem que revelava a mísera decadência de homens da Igreja já no século passado. Acaso isto não era uma realidade? Pois bem, a aversão ao segredo o comprovou, tanto para padres como para muitos bispos. Diz Si si no no: “Também em La Salette a Virgem havia confiado a pastores uma mensagem sobre a corrupção que prenunciava a apostasia de muitos homens da Igreja: ‘Os padres, ministros de meu Filho, pela vida ruim que levam, pelas suas irreverências, pela falta de piedade ao celebrar os santos mistérios, pelo amor ao dinheiro, às honrarias e prazeres, os padres transformaram-se em cloacas de impurezas. (…) Muitos abandonarão a fé e grande será o número dos sacerdotes e religiosos que se separarão da religião verdadeira, entre estes haverá também bispos. (…) Será o tempo das trevas; a Igreja terá uma crise espantosa (…).
Também diante da mensagem de La Salette os homens da Igreja comportaram-se com a mesma incoerência de agora: a aparição foi oficialmente reconhecida, mas procurou-se proibir a divulgação da mensagem… anticlerical de Nossa Senhora. Não se quis refletir que ela veio prevenir os fiéis contra os maus padres, os mercenários, não os bons.
O aviso teria afastado os fiéis dos inimigos internos da Igreja, impedindo que dela se separassem, precipitando-se junto aos maus pastores.
Sem dúvida a denúncia materna foi clara, implacável, sem véus ou diplomacias.
Mas os bons pastores nada podiam temer dela. Eram os maus a ficar desmascarados. Por que então procurou-se silenciar a voz da Santa Mãe que avisa os filhos de perigo? Proibir sua divulgação mostrou a vontade de cancelar a ajuda de Maria às almas.
Consideremos o desastre eclesial que vivemos há 20 anos. Sacerdotes apóstatas que ocupam cátedras em universidades eclesiásticas e seminários, ministrando o veneno das heresias a jovens mentes indefesas. Sacerdotes apóstatas que dirigem ou colaboram em revistas ditas católicas e outras mais, divulgando doutrinas errôneas ou imorais a fiéis indefesos. Párocos e confessores que não iluminam nem guiam, mas são poços tenebrosos para as almas a eles confiadas. Bispos e conferências episcopais que aprovam documentos abertos e comportamentos destoantes ou contrários à moral.
Diante de tal desastre eclesial e considerando a ruína das almas, é justo perguntar: seria imprudência divulgar a mensagem de Nossa Senhora que nos punha em guarda contra o que ainda estava por vir mas hoje é atual? Ou a imprudência foi impedir a divulgação do aviso da geral apostasia?
Feitas estas considerações sobre o segredo de La Salette e o “resumo” apócrifo do terceiro segredo de Fátima, que copia defeituosamente o primeiro, autêntico, vejamos se essa iniciativa foi uma reles falsificação, ou se encerra um aspecto positivo.
Pois bem, embora inautêntico, não contém nada inaceitável diante da fé, e copiando a mensagem de La Salette, vem lembrar esta que foi culposamente esquecida. Não só, mas lembra também que as mensagens celestes, apesar da diversidade de linguagem e conteúdo, não se contradizem, mas sucedem-se em harmonia: Fátima é continuação de La Salette quando à profecia que «Roma perderá a Fé e tornar-se-á a sede do Anticristo».
E isto ficará claro quando, para o triunfo de Maria Virgem, todas as suas mensagens aos homens vierem à luz do dia, mostrando quanto se perdeu por não tê-las recebido, gratos e confiantes, e nem tê-las estudado e defendido pelos tesouros que são.
“Perg.: Que é feito do terceiro segredo de Fátima? Não deveria ter sido publicado já em 1960?
Resp. de JP2: Dada a gravidade do conteúdo, para não incitar a potência mundial do comunismo a tomar certas iniciativas, os meus predecessores no ofício de Pedro preferiram diplomaticamente sobrestar a sua publicação…” (?) Por outro lado, aos cristãos basta saber isto: se há uma mensagem em que está escrito que os oceanos inundarão partes inteiras da terra, que de um momento para outro milhões de homens morrerão, não é deveras o caso de insistir na divulgação de tal mensagem secreta.”
E um engano desta ordem é indicativo que a verdade não era mais de casa no Vaticano conciliar que manipula deste modo pérfido a Mensagem de Nossa Senhora para o bem dos homens.
De modo que a conclusão que Roma havia perdido a Fé já desde a morte de Pio XII é bem mais que verossímil: demonstra-se como o aviso de Fátima em continuação com La Salette.

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