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O mito liberal espalha que o homem nunca deve ficar irado; ele deve sempre ser de maneiras suaves e calmo. Este não é, entretanto, o ensino da Igreja. São João Crisóstomo e Santo Tomás de Aquino explicam que não é apenas bom, mas também necessário ficar irado por uma causa justa. Fazendo isso, o homem age de acordo com a razão, não com a paixão. Se ele deixa de se irar diante do mal e punir isso como deve ser punido, então ele peca.
Somente a pessoa que fica irada sem razão, peca. Quem quer que fique irado por uma razão justa não é culpado. Porque, se faltasse a ira, a ciência de Deus não teria andamento, os julgamentos não seriam acertados, e os crimes não seriam reprimidos.
Ademais, a pessoa que não fica irada quando deveria estar, peca. Pois uma paciência excessiva é o viveiro de muitos vícios: ela fomenta a negligência, e estimula não apenas o perverso, mas acima de todo o bem, a fazer o errado.
A ira pode ser compreendida de duas maneiras.
Em uma maneira, como o simples movimento da vontade que pune não através da paixão, mas pela virtude do julgamento da razão: e nesse caso, sem dúvida, a falta de ira é um pecado. É assim que Crisóstomo entende a ira quando ele diz: ‘A ira, quando tem uma causa, não é ira, mas julgamento. Pois propriamente falando, a ira é um movimento da paixão. E quando um homem está irado por uma causa justa, sua ira não deriva da paixão. Certamente, isso é um ato de juízo, não de ira.”
Em outra maneira, a ira pode ser compreendida como um movimento do apetite sensível agitado pela paixão com agitação do corpo. Esse movimento é um resultado necessário no homem ao movimento prévio de sua vontade, já que o apetite mais baixo segue naturalmente o movimento do apetite mais alto, a não ser que algum obstáculo evite isso. Consequentemente o movimento de ira no apetite sensitivo não pode faltar completamente, a não ser que o movimento da vontade seja absolutamente inexistente ou fraco. Consequentemente, a falta da paixão da ira é também um vício, como é a falta do movimento na vontade de punir conforme o juízo da razão. (Summa Theologiae, II, II, q. 158, art. 8)

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