"Quais podem ser tais fatais alienações históricas ao longo dos muitos séculos da humanidade? As Sagradas Escrituras começam narrando a primeira fatal alienação humana causada pelos primeiros pais com o Pecado Original."
Arai Daniele
A história das alienações humanas está nas Santas
Escrituras, verifica-se na sua relação com a aceitação ou rejeição da Palavra
de Deus, com o Seu Verbo.
Já a relação do termo Verbo com Palavra e Logos foi
assunto discutido pelo primeiros grandes filósofos Gregos. Eram termos
inerentes à existência da alma humana. E com o Cristianismo esta relação passou
a ser fundamental pois foi o Logos, a Verdade mesma a encarnar-se como Verbo de
Deus.
Aqui não é pois necessário recorrer a discursos
filosóficos para falar da relação humana com a Palavra divina; a relação do
homem com a Voz de Deus é a essência da mesma Religião. Assim podemos passar a
falar da alienação humana como rejeição da escuta da Palavra divina, e de como
estando Nela toda verdade, isto acarretará a alienação ou perda da visão da
realidade. Isto vale para cada pessoa assim como para os povos e em geral para
a humanidade.
Quais podem ser tais fatais alienações históricas ao
longo dos muitos séculos da humanidade? As Sagradas Escrituras começam narrando
a primeira fatal alienação humana causada pelos primeiros pais com o Pecado
Original.
O afastamento abissal desta geração da Palavra de Deus
no mundo presente tem aspecto descomunal: parece marcar uma repetição das
fatais «alienações» de toda História.
Na Sagrada Escritura duas «alienações» são claramente
reveladas, sendo uma terceira profetizada. Vamos lembrá-las:
– A Original, quando Adão, criado na graça de Deus,
transgrediu a Palavra divina;
– Séculos após a do Povo eleito, que formado para
receber e propagar o Verbo de Deus, O recusou e crucificou.
– A alienação final. apocalíptica, de uma Igreja que,
usando a autoridade do Verbo de Deus, passou a falar como o Seu inimigo (Ap 13,
11ss.), declarando a dignidade e o direito dos homens à liberdade de recusar o
Verbo representado na Sua Igreja divina. Equivale isto a suprimir o direito do
Verbo em quem o representa: o abate do Papa católico com o seu séquito fiel,
como apresenta a visão do Terceiro Segredo de Fátima.
Como entender essas visões e recusas espirituais que,
numa fatal sequência marcam o curso da História, da negação «original» à atual
apostasia «ecumenista»? Porque não usar aqui o termo «alienação», ao invés de
recusa ou repúdio, aplicado num sentido religioso e universal. Usar esse termo,
apesar do uso abusado feito pelo marxismo, faz sentido porque com a «alienação»
entende-se que o sujeito dela é, quer o entenda quer não, sua primeira vítima,
sim porque alienando perde o que lhe é mais vital.
Qual termo, melhor que este de «alienação», pode
relacionar os enigmas dramáticos da história do homem, de seu início até hoje;
da rejeição da palavra do Pai com a queda original. Para repará-la houve a
Encarnação divina do Filho, mas foi recusado pelo Povo eleito para recebê-Lo.
Foi assim que o Verbo de Deus instituiu Sua Igreja, que revelou o divino Espírito
nas Escrituras conservadas e confirmadas na Rocha de Pedro.
Que dizer agora, se uma análoga alienação for aplicada
à mesma Igreja e Religião cristã, tomando a parte pelo todo, o secundário pelo
principal, o meio pelo fim. Em breve, se nela for introduzido esta alienação
religiosa em forma ecumenista, isto é tomando o sentimento de «religiosidade»
humana em qualquer crença – como se fosse um meio para o outro fim, para
adaptar a Fé única na Palavra divina na Religião revelada por Deus ao culto do
homem que se faz deus? Enfim de uma religiosidade subversiva; de uma Roma
voltada para a ONU e para a URI (das religiões unidas); da Fé Católica ultimada
à religiosidade ecumenista; dos sinais divinos, como o Segredo de Fátima
adaptados à essa mutação ecumenista, indiferente e mesmo oposta às conversões?
Tudo isto com a desculpa de seguir o progresso numa «fé mais universal», uma
religião mais adulta e evoluída que a da Igreja católica?
Para evitar essa alienação recorrente desde a primeira
foi instituída a Igreja. Se nela faltar o amor pela Verdade isto será fatal aos
homens com a perde de uma infinidade de almas! Tratar-se-ia da fé no homem a
dano da fé divina; da invenção de «sinais dos tempos» modernistas contrapostos
aos sinais da Providência, que só podem resultar em descristianização e
apostasia geral. É a grande alienação de marca terminal, porque foi demolido o
último bastião da Verdade católica, e tal alienação revela-se à luz da estreita
analogia com as duas fatais alienações históricas, a original e a hebraica da
recusa do Verbo de Deus. Quanto à primeira porque se esvaece a realidade da
Queda original. Quanto à segunda devido à presente afinidade do Vaticano
«conciliar» com o novo poder terreno de Israel e a sua não ocasional aversão à
Tradição católica. A tentativa de justificação da Antiga Aliança mantida pelo
Povo Judeu è relativização do juízo divino conhecido no Evangelho. E isto tudo
é agora aprovado por Bergoglio, que confirma assim indiretamente que vivemos em
Roma a terceira grande alienação.
Certo é que o Vaticano atual adere à idéia da «nova
ordem mundial», que é anti-cristã, como se a Ordem cristã tivesse perdido
consistência e sentido como Idéia perene. Por isto a consciência católica deve
focalizar este verdadeiro e escandaloso «sinal dos tempos», porque, se o
ensinado pelo Verbo divino há dois mil anos e confirmado pela Igreja se esvaece
no horizonte da História, então as consciências devem perceber que o fugaz e
transitório assumem o lugar do essencial e perene, e não podemos ficar alheios
a este inquietante sinal que focaliza a alienação obscura da mesma Idéia
cristã; desaparece o que era uma certeza imperecível para conhecer o fim da
vida humana e sua salvação.
Estamos no tempo da Profecia de Fátima, quando estes
erros se infiltraram na Igreja. Na seqüência dos acontecimentos eclesiais,
espelhados pelo modo como foi e é tratada a Profecia de Fátima, é deveras
espantosa a decadência religiosa que atinge o Templo de Deus evocando as visões
evangélicas sobre o tempo de uma geral apostasia. O que é este tempo senão o de
uma fatal alienação da Palavra divina ao nível das nações?
Foi então que alienaram a mesma Profecia que era um
aviso sobre o atentado à Palavra de Deus. E o espanto dos católicos encontra a
descrição profética nos Evangelhos, agora ilustrados pela visão da terceira
parte do Segredo de Fátima, do pastor ferido para a dispersão do grei.
Estava essa alienação religiosa representada e datada?
Como se sabe, a Irmã Lúcia, que antes havia dado essa
data como determinada pela vontade de Maria SS., depois do «Segredo» ter sido
publicado em 2000, foi levada a declarar ao card. Bertone ter sido ela mesma a
ter a intuição dessa data.
Como é possível essa contradição? Sabemos que o mundo
cada vez mais imerso em ideologias materialistas e irreligiosas rejeita
profecias. Mas se eclesiásticos também as rejeitam é porque estão imersos nos
mesmos erros do mundo. Também a Irmã Lúcia, vidente de Fátima?
As análises, críticas, denúncias e relatos abalizados
contidos nesta obra, que seguem para atualizar os livros e artigos precedentes,
nestes quase trinta anos, demonstram cabalmente uma poluição doutrinal que
atingiu níveis altíssimos.
De fato, à decadência litúrgica da Igreja conciliar,
que parece indiferente à geral apostasia e degeneração ecumenista dos povos,
antes, é a sua grande promotora, só podia seguir a devastação moral. Tudo isto
é datado, porque mais claro em 1960.
Essa débâcle religiosa que atinge o próprio âmago da
Igreja imobiliza a sua ação salvadora e tudo parece comprometer. Então será que
a mensagem de Fátima demonstra ser a profecia destes tempos tenebrosos e, mesmo
escondida, mantêm um lume de percepção e esperança? Ela é certamente esperança
no triunfo final do bem, da verdade e do amor, que é o triunfo do materno e Imaculado
Coração de Maria que, acolhido nas almas, dissipará trevas de morte e desespero
anunciando por fim a paz.
Fecho histórico impossível para o espírito moderno? A
continuidade, dimensão e alcance histórico da infidelidade humana e da
misericórdia divina aqui relatados, são convite bastante para aprofundar a
leitura da Profecia de Fátima, chave do maior evento espiritual desde os tempos
apostólicos. E assim, marco indelével na tremenda história das alienações de
nossa humanidade decaída, até esta última, do mistério insondável.
Tal hora tremenda da história não está ligada às
Aparições de Fátima?
A primeira, de 13 de Maio, se revelou resposta ao
recurso impetrado pelas orações especiais da Igreja invocadas pelo Papa Bento
XV, responsável pela confirmação da Fé católica que é essencialmente fé da
intervenção divina na terra dos homens. E no evento milagroso que seguiu havia
todos os termos de resposta do Céu através da Regina Pacis ao pedido da Igreja
em extrema aflição, por meio do Papa.
Todavia, a mensagem divina de ajuda em 1917 foi
estranhamente alienada até hoje.
Assim, após aquele período de guerras devastadoras, da
revolução comunista na Rússia e do retorno do antigo povo eleito a Jerusalém
devido à declaração do ministro inglês Balfour, desde então o clima moral e
religioso do mundo tornou-se cada vez mais vago e sórdido devido ao geral declinar
da Fé causado, seja pelo materialismo ateu, seja pelo americanismo liberal.
Imperou a falsa «liberdade de consciência na verdade»; o ardil mais sinuoso
contra o dom da liberdade da consciência ordenada à verdade.
No plano dos fatos a tentação moderna a substituir a
ordem natural cristã pela nova ordem mundial redundou no descalabro presente.
Assim, na era da comunicação total, há notícias de crises e perigos terríveis,
mas sobre suas causas e saídas só há confusão. A realidade hodierna é a
decadência espiritual numa crise geral e profunda que atinge todos os níveis:
da família ao estado, da justiça à política; onde não reinam violência e
corrupção há ocultas perversões. Convive-se com libertinagens, crimes e
perfídias. Nunca a autoridade foi tão necessária, nunca tão ausente. Jamais
houve controles tão potentes; jamais tanta inconsciência. Não há mais como
recorrer a poderes humanos para conter desordens nacionais e chacinas
internacionais. Nunca a ajuda divina foi tão urgente, nunca tão ignorado o recurso
a ela!
Eis o resultado dessa «terceira alienação histórica»:
alienando-se o Cristianismo que testemunhava a Palavra de Jesus Cristo e a
Profecia que revelava o abate do Seu Vigário no mundo, pouco ficou para
representá-Lo, para desgraça da inteira humanidade. Que Deus tenha piedade de
nós e que o Imaculado Coração de Maria ainda possa nos ajudar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Antes de fazer seu comentário, leia: Todo comentário é moderado. Não serão permitidos comentarios sem a identificação do autor ou caso seja enviado sem a origem, só será aceito se, no corpo do texto, houver o nome completo do autor. Comentários ofensivos contra a Santa Madre Igreja não serão aceitos. Comentários de hereges, de pessoas que se dizem ateus, infiéis, de comunistas só serão aceitos se estiverem buscando a conversão e a fuga do erro. De pessoas que defendem doutrinas contra a Verdade revelada, a moral católicas, apoio a grupos ou idéias que ferem, denigrem, agridem,cometem sacrilégios a Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, a Mãe de Deus, seus Anjos, Santos, ao clero, as instituições católicas também não serão aceitos. Reservo o direito de publicar os comentários que julgar pertinente.