Seja por sempre e em todas partes conhecido, adorado, bendito, amado, servido e glorificado o diviníssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

"Roma perderá a Fé e se tornará a sede do Anticristo"

Nossa Senhora em La Salette

Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

Pax Domini sit semper tecum

Item 4º do Juramento Anti-modernista São PIO X: "Eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente" - JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

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Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI”. - Declaração do Pe. Camel.

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Ao negar a celebração da Missa Tradicional ou ao obstruir e a discriminar, comportam-se como um administrador infiel e caprichoso que, contrariamente às instruções do pai da casa - tem a despensa trancada ou como uma madrasta má que dá às crianças uma dose deficiente. É possível que esses clérigos tenham medo do grande poder da verdade que irradia da celebração da Missa Tradicional. Pode comparar-se a Missa Tradicional a um leão: soltem-no e ele defender-se-á sozinho”. - D. Athanasius Schneider

"Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa (desde que não se falte à verdade), sendo obra de caridade gritar: Eis o lobo!, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado".- São Francisco de Sales

“E eu lhes digo que o protestantismo não é cristianismo puro, nem cristianismo de espécie alguma; é pseudocristianismo, um cristianismo falso. Nem sequer tem os protestantes direito de se chamarem cristãos”. - Padre Amando Adriano Lochu

"MALDITOS os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável SALVADOR seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteão de falsos deuses". - Padre Emmanuel

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Os Franco-Maçons


"Guerra a Deus, ao seu Cristo e à sua Igreja! Guerra aos reis e aos poderes humanos que não estão conosco!"

Aviso do Editor
Este opúsculo foi escrito em 1867. Desde então, as coisas se precipitaram, fez-se a luz e a seita maçônica tirou a máscara. Hoje ela confessa às claras que é aquilo que é – uma organização anticristã da Revolução.

É inimaginável a raiva que esta obrinha suscitou e ainda suscita; essa reação é perfeitamente compreensível e, melhor que qualquer raciocínio, comprova a temível verdade das revelações que aqui se dão a público.

Muitos maçons admitiram esse fato. “O autor deste livro está bem informado”, dizia entre outros, em 1868, um velho maçom de Tours. Um dos cabecilhas mais fanáticos da Loja de Marselha, que retornou à prática da Religião, declarava “que uma das coisas que mais o impressionou foi o livrinho de Mons. de Ségur sobre a maçonaria”. E acrescentava: “Eu o li pensando que encontraria terríveis exageros; mas, ao contrário, achei-o ainda tão aquém da verdade, que me deu medo, de modo que senti necessidade de sair da minha abjeta situação”.

Com a ajuda de Deus, este opúsculo impediu que muitas almas fossem seduzidas, e abriu os olhos de uns pobres coitados que se deixaram enredar pelo Grande Oriente. Em Paris, em uma grande escola noturna, freqüentada por operários e moços, em um só mês, por conta da leitura de algumas páginas, mais de cinqüenta decidiram deixar de imediato as Lojas às quais acabavam de afiliar-se.

Desde o seu aparecimento, esta brochura se esgotou com muita rapidez: em três meses nove edições, ou seja, cerca de trinta mil exemplares desapareceram; em menos de cinco anos trinta e seis edições, ou seja, cerca de cento e vinte mil exemplares – e as edições continuam a sair.

Em 1869, uma pessoa às ocultas preveniu o autor de que as Lojas Secretas o haviam condenado à morte. “O livrinho do Sr. causou um mal terrível à maçonaria, lhe disse o desconhecido que o viera prevenir; juraram-no de morte. Fique atento, pois pode acontecer amanhã ou depois de amanhã”. Então, corrigindo-se: “Amanhã, repetia ele; talvez hoje. O Sr. fez bem a alguém da minha família, acrescentou com certa emoção; por isso, venho alertá-lo. Mas não queira saber mais, pois quem estaria perdido seria eu, e logo dariam um jeito em mim”. – Prova evidente de que a maçonaria é, como ela não pára de dizer, uma sociedade beneficente!...

Os Maçons, de Mons. de Ségur, saiu em várias traduções italianas; traduziram-no também na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha, nos Estados Unidos, no México, no Peru, etc.

I
Os maçons
Neste opúsculo, não trato da maçonaria pela perspectiva política nem mesmo social; o meu único objetivo é esclarecer a sua periculosidade pela perspectiva moral e religiosa.

Uma temível propaganda, que cresce dia após dia, cobrindo como de uma imensa rede, não só a Europa, mas o mundo inteiro, torna a vigilância e a luta cada vez mais necessárias. Quase já não há dioceses onde os maçons não estejam organizados. De acordo com os seus últimos relatórios, eles são mais de oito milhões e contam com mais de cinco mil Lojas, afora as Lojas Secretas. Na França, o número de maçons já ultrapassa os cento e sessenta mil!

A melhor maneira de preservar as pessoas de bem é lhes dar conhecimento sobre a maçonaria. Ofereço este opúsculo de vulgarização aos padres e aos católicos zelosos que levam a peito a santa causa da Igreja e a conversão à fé. Possa ele ajudá-los a preservar do fogo muitas pobres borboletas que voam até a vela porque não sabem que queima!

1. Do nome franco-maçom (ou pedreiro-livre)
Em geral, os nomes exprimem as coisas. Neste caso se trata bem do contrário: os franco-maçons ou pedreiros-livres não são pedreiros (maçons) nem livres (francos). É escusado demonstrar que não são pedreiros; e também é claro que não são livres, porque a sua sociedade se baseia em iniciações misteriosas que não devem ser reveladas a ninguém, sob pena de morte.

Diante dos profanos, os maçons assumem a singela aparência de “uma sociedade báquica e filantrópica, comedora, bebedora, cantante e beneficente”; veremos se não há nada por trás disso. Eles são tão inocentes quanto são pedreiros.

Se entendermos que o maçom é um pedreiro livre, o véu da associação já se levanta um pouco. É livre com que liberdade? Livre em relação a quê? Livre de fazer o quê? Logo veremos quão terríveis são esses mistérios.

Esse nome bizarro de maçom ou pedreiro-livre lhes vem, ao que parece, da Escócia. Depois que o Papa Clemente V e o rei de França Felipe o Belo com muita justiça aboliram, no começo do século catorze, a ordem dos Templários[1], muitos desses infames se acoitaram na Escócia, e lá formaram uma sociedade secreta, devotando ódio implacável e eterna vingança ao papado e à realeza. Para melhor disfarçar as suas conspirações, afiliaram-se a corporações de pedreiros, assumiram-lhes as insígnias e o jargão, e mais tarde espalharam-se por toda a Europa, com os favores do protestantismo. A organização definitiva da maçonaria parece datar dos primeiros anos do século dezoito[2].

Para jogar fumaça nos olhos do vulgo, alegam que [a origem da seita] remonta até ao Templo de Salomão, até à Torre de Babel, até ao dilúvio, quiçá ao paraíso terrestre – e muitos adeptos foram assaz ingênuos em acreditar em tais bobagens.

Que é, pois, a maçonaria? Como se tornar um maçom? Que acontece nas Lojas? Que fazem as Lojas Secretas que estão por trás das Lojas? A maçonaria é uma instituição louvável, moral, religiosa ou ao menos beneficente? Não é em essência anticristã, anticatólica? É poderosa e ativa? Que quer? É permitido alistar-se sob a sua bandeira misteriosa?... Vamos em breve responder a essas graves questões[3], mas antes façamos uma distinção importante.

II
Dois tipos de maçons
Existe a maçonaria que se entrevê, e a maçonaria que não se vê de modo nenhum, e ambas compõem uma só: “A maçonaria é una, o seu começo é único”, afirmava outrora certo Irmão Ragon, uma das instâncias mais críveis da seita[4].

A maioria absoluta dos maçons pertence à primeira. Entre os oito milhões de adeptos, “só há quinhentos mil membros ativos”. Esta é a confissão oficial que escapou ao jornal Le Monde Maçonnique, no número de agosto de 1866.

Esses quinhentos mil são maçons em atividade nos serviços, os maçons de escol; mas ainda não são os maçons das Lojas Secretas, os maçons celerados, que sabem o que fazem, que querem deliberadamente destruir o cristianismo, a Igreja e a sociedade, e que, com diferentes nomes, compõem as denominadas sociedades secretas. Esses são os chefes da Revolução, que deseja, como todos sabem, sublevar o mundo e substituir por toda a terra “os direitos e o reino de Deus pelos direitos do homem”.

Os oito milhões de homens iniciados na maçonaria exterior são quase todos incautos, que na maior parte do tempo desconhecem para onde são levados. Servem-se dessa maçonaria como de um depósito onde apanham recrutas, como se fossem boas vacas leiteiras que podem conduzir à vontade, ou trompas que em todo lugar conclamam loas à maçonaria, disseminam a sua influência, atraem-lhe simpatias... e dinheiro.

Por trás dessa multidão que bebe, canta e fala de moral, os verdadeiros maçons escondem muito bem escondidas todas as tramas.

Entre os maçons de fora, pode haver e com certeza há pessoas corretas segundo o mundo, corações generosos e devotados que, se conhecessem a Religião, seriam cristãs, mas cuja ignorância os transvia por falsos caminhos. Deixam-se enganar com as aparências de fraternidade e beneficência, e se indignam de boa-fé quando a Igreja denuncia e exproba a ordem maçônica.

A maioria dos maçons é composta de grandes e pequenos burgueses sem religião; são os homens probos, bons tolos que se levam pela coleira, e que todos os chefes de seita farejam de longe: essas pessoas ficam perturbadas quando chegam a descobrir a profundidade do abismo que cavaram com as próprias mãos.

Ainda fazem parte da maçonaria os ambiciosos, os advogados sem causa e sem consciência, os dúplices, os revolucionários, os ideólogos que almejam o desconhecido, os filantropos das causas da moda – enfim, e sobretudo, os homens de deleite, que só pedem que a pretensa moralização e a salvação do gênero humano se faça comendo, bebendo e cantando. Os militares abundam na maçonaria, bem como os donos de cabaré; só em Paris, perto de dois mil cabareteiros freqüentam piedosamente as Lojas.

Concedendo embora que existam aqui e ali pessoas de bem que estão perdidas nas fileiras da maçonaria, seremos forçados a declarar, quando penetrarmos nos seus mistérios, que, se ainda há alguém assim, já não haverá mais.

III
Qual é o segredo da forma de recrutamento da maçonaria
Pode-se dizer que esse é o segredo do demônio. Escutem e julguem:
“O essencial, escrevia um dos chefes ocultos, apelidado de 'Tigrinho', o essencial é afastar o homem da sua família, e fazê-lo esquecer os costumes dela. Por causa da inclinação do caráter, ele tem disposições excelentes para fugir dos cuidados da casa e buscar os prazeres fáceis e os gozos proibidos. Ama as longas conversas no café, a ociosidade dos espetáculos. Arraste-o, estimule-o, dê-lhe qualquer importância, ensine-o com discrição a entediar-se das tarefas cotidianas, e por esse adestramento – depois de separá-lo da mulher e dos filhos, depois de mostrar quão penosos são todos os deveres – você lhe há de inculcar o desejo de uma outra existência. O homem nasceu rebelde; atice esse desejo de rebelião até ao ponto do incêndio, mas não deixe o incêndio principiar-se. Essa é a preparação para a grande obra que você deve começar.

“Quando tiver instilado em algumas almas o desgosto pela família e a religião (pois quase sempre um acompanha o outro), deixe escapar certas palavras que provoquem o desejo de afiliar-se à Loja mais próxima. Essa vaidade do cidadão ou do burguês de enfeudar-se na maçonaria tem algo de tão banal e universal, que sempre me admiro da estupidez humana. Espanto-me de não ver o mundo inteiro bater à porta dos Veneráveis, e pedir a esses senhores a honra de ser um dos operários escolhidos para a reconstrução do Templo de Salomão. O prestígio do desconhecido exerce tal influência nos homens, que eles tremem durante a preparação das fantasmagóricas provações da iniciação e do banquete fraternal.

“Ver-se como membro duma Loja, sentir-se – a despeito da esposa e dos filhos – chamado a guardar um segredo que jamais lhe será confiado, provoca em certas constituições morais volúpia e ambição[5].”

Que me dizem os senhores? Quanta monstruosidade!

Já outro maçom, o Ir...[6] Clavel, expõe, embora com menos cinismo, um sistema de recrutamento tão honesto quanto o anterior. Ei-lo nas suas próprias palavras; devemos dar graças a Deus por esses ímpios às vezes nos entregarem assim o segredo da conspiração:
“A maçonaria, digam para aqueles a quem queiram alistar, é uma instituição filantrópica progressista, cujos membros vivem como irmãos, sob os auspícios de uma afetuosa igualdade... O maçom é cidadão do universo: não há lugar onde não encontre Irmãos pressurosos em acolhê-lo bem, sem que seja necessário recomendá-lo senão pelo título de maçom, sem que seja apresentado a eles senão com as palavras misteriosas e os sinais adotados pela grande família dos iniciados.

“Para espicaçar os curiosos, acrescentem que a sociedade conserva religiosamente um segredo que só é e só pode ser compartilhado com maçons.

“Para convencer os homens de deleite, valorizem-se os frequentes banquetes em que a boa mesa e os vinhos generosos excitam a alegria e fortalecem os laços de uma fraternal intimidade.

Digam aos artistas e comerciantes que a maçonaria lhes será frutífera, estendendo o círculo de relações e oportunidades. – Assim temos argumentos para pessoas de todas as inclinações, de todas as vocações, de todos os níveis intelectuais, de todas as classes[7].

Sincero leitor, mais uma vez, que o senhor me diz sobre isso?

Para completar o quadro, poderíamos acrescentar: para que os cristãos não se assustem, saciem-nos de belas palavras; digam-lhes que a maçonaria não exclui nenhuma religião; que existem até padres que participam dela, etc. – Certo dia, não é que uma boa mulher, mãe de família, não chegou a consultar um santo sacerdote, pároco de amigos meus, e a lhe perguntar com muita seriedade se era verdade “que os padres dominicanos estavam à frente dos maçons, na França? Eles atormentam o meu marido, para que ingresse na Loja, mas como eu me oponho com todas as forças, eles vieram dizer-me que os padres dominicanos pertenceriam àquela sociedade e a dirigiriam. É verdade?”.

Esses são os dignos segredos do recrutamento da maçonaria.

IV
Com que cerimonial se ingressa na maçonaria
Quando uma dessas “constituições morais” cai no visgo de um manipulador qualquer, eis o que acontece. É algo grotesco e culpável – o que não é dizer pouco.

O primeiro grau da maçonaria exterior é o grau de Aprendiz; o segundo, o de Companheiro; o terceiro, o de Mestre. Grau aqui quer dizer ascensão em direção à luz. Claro, nós cristãos, homens de fé e de bom senso, não passamos de profanos, destinados às trevas.

Primeiramente, o novato se apresenta para se tornar Aprendiz Maçom. No dia marcado para a admissão, “um Irmão, que ele não conhece, o conduz até o local da Loja”, e o introduz em um quarto vazio, onde encontra, entre duas velas, a Bíblia aberta no capítulo primeiro do evangelho de São João. Por que isso? Responderia um maçom inocente: “Porque somos pessoas religiosas e esclarecidas”; mas o que responderia um maçom iniciado, um maçom das Lojas Secretas, de quem falaremos daqui a pouco, que afirma em alto e bom som que o único Deus que existe é a natureza, e que a maçonaria cultua o sol?

Deixa-se o aspirante sozinho por alguns minutos: a espera confere emoção à coisa. Em seguida, removem-lhe as roupas, desnudando o lado esquerdo do tronco e o joelho direito; mandam-lhe calçar sapatos empantufados (este pormenor é importantíssimo); retiram-lhe o chapéu, a espada (ele deve portar uma) e todo “o metal” que tenha consigo, ou seja, o dinheiro. Vedam-lhe os olhos e o conduzem até a “câmara... de reflexões”. Proíbem-no de retirar a venda até que tenha ouvido três grandes pancadas. Deixam-no sozinho novamente; ele passa algum tempo nessa inquieta expectativa que a sequência de mistérios provoca no imbecil. Enfim, ele escuta o sinal; retira bem depressa a venda: surpreende-se em uma sala revestida de preto, e nas paredes lê, com uma alegria fácil de entender, inscrições encorajadoras como estas:
Se fores dissimulado, serás descoberto. – Se tens medo, não vás adiante. – Poder-se-ão exigir de ti os maiores sacrifícios, até o sacrifício da vida; estás disposto? etc...

Nessa “câmara de reflexões”, o candidato é obrigado a fazer o testamento e responder por escrito estas três perguntas:
- Quais são os deveres do homem para com Deus?
- Quais são os deveres do homem para com o semelhante?
- Quais são os deveres do homem para consigo mesmo?

O Ir..Terrível leva ao Venerável o testamento e as respostas. Quaisquer que sejam as respostas, o candidato é sempre admitido. Proudhon, o ateu, o blasfemador, foi admitido, depois destas respostas: “Justiça para todos os homens”, “Devoção ao país”, “Guerra a Deus!”. Leve-se em conta que se tratava da Loja da Sinceridade, Perfeita União e Constante Amizade. Uma Loja tão amena não poderia recusar um candidato tão perfeitamente sincero, tão sinceramente perfeito.

O Ir..Terrível retorna até o pobre candidato, veda-lhe de novo os olhos, e lhe passa ao redor do pescoço uma corda, cuja ponta segura, para assim levá-lo à porta do templo, onde manda que o candidato bata três vezes com força. Os que estão no templo se seguram para não rir.

templo é revestido de azul, pois o que lá acontece tem um caráter celeste. Um Irmão, chamado Primeiro Vigilante, indica com gravidade ao Venerável as batidas dadas na porta. Diálogo entre o Venerável, o Primeiro Vigilante e o Ir... Terrível; após isso, introduzem o postulante no templo. Nele há duas colunas, entre as quais colocam o aspirante, sempre com a corda no pescoço. O Ir... Terrível apoia fraternalmente a ponta de uma espada contra o coração dele, e começa o interrogatório.

O Venerável, colocando os óculos sobre o venerável nariz, declara com voz sombria – porém venerável: “Que estais sentindo? Que estais vendo?” (perguntas indelicadas a um pobre-diabo de olhos vendados e com o estômago na mira de uma espada).

Responde o postulante candidamente: “– Eu não vejo nada, mas sinto a ponta de uma arma”.

O Venerável: “– Refleti bem no passo que estás dando. Serás submetido a terríveis provações. Sentes coragem de enfrentar os perigos a que poderás ser exposto?”

O postulante, com energia: “– Sim, senhor! ”.

O Venerável, sem rir: “– Então, já não respondo por vós!... Ir... Terrível, retirai o profano do templo, e levai-o aos lugares por onde deve passar o mortal que aspira a conhecer os nossos segredos.” – São todas palavras textuais, como textuais são as que vêm em seguida. Elas foram retiradas do Ritual Maçônico, reeditado com muito cuidado nesses últimos tempos.

Assim que o Ir... Terrível retira a corda, conduz o aspirante, cujos olhos ainda estão vendados, e o obriga a rodopiar uma meia dúzia de vezes na Sala dos Passos Perdidos; quando o Irmão o percebe estonteado, leva-o com delicadeza para dentro da Loja, sem que o paciente ofereça resistência.

Atenção! As provações vão começar. Seria o martírio de um bobo, não fosse a iniciação a coisas detestáveis.

V
Primeira e terrível provação do Aprendiz Maçom
No meio da Loja está estendido um grande quadrado de papel, à guisa de cerca para um picadeiro de circo. Os Irmãos carregam o quadrado, que é o instrumento da primeira provação.

“Que se há de fazer com o profano?”, pergunta o Ir... Terrível ao Venerável, que responde: “Introduzi-o na caverna”. Dois maçons logo seguram o aspirante e o jogam com todas as forças por sobre o quadrado, que se rasga ao lhe dar passagem. Do lado oposto, outros dois maçons recebem entre os seus braços o paciente. Fecham com violência a porta dupla; simulam o ruído de trancas e fechaduras, e o ponderado postulante acredita que está recluso na famosa caverna... Decorrem alguns instantes em silêncio profundo – é o silêncio da tumba!

De repente o Venerável (espirra) dá um golpe com o martelo (sobre qualquer coisa), obriga o aspirante a ajoelhar e dirige ao dono do estabelecimento, que chamam de “Grande Arquiteto do Universo” (G.A.D.U.), algo no feitio de uma prece. A maçonaria é muito pródiga nessas preces; eles espalham o nome de Deus conforme lhes dê no goto. Mas é uma indigna hipocrisia, pois logo veremos que na verdade a maçonaria é ateia, e “que o culto da Natureza é a finalidade do maçom”, como ousa declarar o autor sagrado de um de seus livros oficiais[8].

O Venerável manda o aspirante, sempre de olhos vendados, sentar-se em um banco cheio de pontas (para a sua maior comodidade) e lhe pergunta se ainda persiste neste nobre ensejo. O bobo da corte responde com entono que sim. Seguem-se perguntas sobre moral e sobre absurdidades, e um discurso sentimental do Venerável acerca dos deveres dos maçons, cujo primeiro, diz ele, “é conservar absoluto silêncio sobre os segredos da maçonaria”.

Dentro em breve veremos se tais segredos se harmonizam com esse cerimonial pueril; além do mais, por que existem segredos em uma sociedade que se declara tão somente beneficente e filantrópica?

Logo em seguida começa outro embuste: 0 Venerável pergunta ao aspirante se ele é sincero e se pode dar a palavra de honra. Ao seu comando “o Ir... Sacrificador” conduz o paciente “ao altar”, e o manda beber em um cálice dividido em dois compartimentos. “Se não fordes sincero, a doçura desta bebida se transformará para vós num veneno sutil”. Por meio de um pino, dão-lhe a beber, sem que perceba o mecanismo do cálice, primeiramente água pura, e depois uma bebida amarga. Não é preciso dizer que ele ainda está de olhos vendados e, ao sentir o amargor, faz uma careta. De imediato o Venerável, que tem mais classe do que parece, dá mais um golpe com o martelo e exclama: “Que estou vendo, senhor? Que significa esta súbita alteração nas vossas feições? Será que para vós a bebida doce se transformou em veneno?... Afastai o profano daqui!”

O Ir... Terrível coloca o postulante entre as duas colunas. O Venerável ainda o avisa: “Se quiserdes enganar-nos, não penseis que conseguireis, antes vos seria melhor sair imediatamente; ainda sois livre. A certeza da vossa perfídia ser-vos-ia fatal, e vos obrigaria a renunciar para sempre o retorno à luz do dia. Ir... Terrível, conduzi o profano novamente para a câmara de reflexões”.

Se o postulante está decidido a continuar, passa-se à segunda provação.

VI
As três viagens: segunda provação do Aprendiz Maçom
Quando constato que há séculos milhões de homens se submetem a essas práticas tolas e humilhantes, assalta-me uma espécie de pesar; juntamente com o Ir... Tigrinho, “admiro-me da estupidez humana”. Se o demônio não estivesse envolvido nisso, nenhum homem sensato seria capaz de se conformar a fantasmagorias tão pueris e repugnantes ao bom senso. Se essa coisa já não estivesse absolutamente comprovada, e se o ritual, impresso pela seita, não estivesse à disposição, impossibilitando quaisquer dúvidas, não acreditaríamos que homens dotados de razão, que se pavoneiam como pensadores mais ou menos livres, praticassem esses ritos absurdos.

A primeira viagem consiste em andar três vezes à roda da Loja, organizada a contento para esse propósito. O paciente, sempre de olhos vendados, e conduzido pelo Ir... Terrível, anda por cima de várias tábuas móveis que, pousadas sobre rodinhas e cheias de asperidades, lhe fogem de sob os pés; depois, sobre outras tábuas basculantes, que de imediato se inclinam debaixo dele e lhe dão a sensação de cair em um abismo. Depois, mandam-lhe galgar os degraus da “Escada sem Fim”; se lhe dá vontade de parar, dizem-lhe ainda assim que suba, até que enfim chegado (ao menos acredita ele) a uma grandíssima altura, ordenam-lhe que se precipite de lá... caindo de uma altura de pouco menos de 1 metro! Durante esse tempo os circunstantes simulam (como contra-regras de teatro) ruídos de vento, geada e trovões, gritos de crianças – uma agitação espantosa. E assim termina a primeira viagem. De fato, é uma besteira sem tamanho!

A segunda viagem se parece com a primeira e a terceira com a segunda: a mesma delicadeza zombeteira e o mesmo heroísmo do Aprendiz de conspirador. Entre cada viagem, o Venerável finge duvidar da coragem do iniciante; ele insta para que não continue, mas o outro sempre avança.

Todavia, na terceira viagem, há uma novidade: a exemplo de D. Quixote e Sancho Pança, que também estavam de olhos vendados sobre o famoso cavalo de madeira, passam pelo nariz do infeliz aspirante umas não sei que chamas ditas purificadoras: “Que passe pelas chamas purificadoras, exclama o Venerável, para que não lhe reste nada de profano!” Enquanto o postulante desce austero os degraus do Oriente (esse é o lugar onde se assenta o Venerável), a fim de retornar para entre as duas colunas, o Ir... Terrível o envolve, por três vezes, com chamas que se produzem com não sei que pólvora ou gás preparado para a ocasião.

E pensar que homens de todas as idades e condições – cientistas, acadêmicos, operários, generais, marechais de França, altos dignitários, pais de família, homens de boa sociedade – passaram, passam e passarão por isso! É algo que confunde e humilha a espécie humana.

Mas ainda não terminamos, pois o postulante ainda não é maçom.

VII
As provações finais
“Profano, diz o Venerável, fostes purificado pela terra, pelo ar, pela água e pelo fogo. Não tenho palavras para a vossa coragem; tomara que ela não vos tenha abandonado, pois ainda há provações por que deveis passar. A sociedade na qual desejais ser admitido talvez vos exija que derrameis até a última gota de sangue por ela. Estais preparado?” Essa é a segunda vez que o avisam: para ser maçom, ele tem de se comprometer solenemente com tudo que os interesses da maçonaria exijam, a ponto de se dispor a sacrificar a vida ao primeiro sinal.

Após a resposta afirmativa do postulante, acrescenta o Venerável: “Precisamos convencer-nos de que a vossa concordância não é vã. Permiti que vos abramos uma veia neste instante?” Dado o consentimento do postulante, fazem-lhe uma sangria bem superficial, mas simulam um esguicho de sangue e lhe enfaixam o braço.

O Venerável propõe em seguida lhe imprimir sobre o peito o selo maçônico, com um ferro quente. O aspirante também consente nisso. Encostam-lhe, pois, sobre o peito o pavio incandescente de uma vela recém-apagada, ou um pedacinho de vidro que se esquentou de leve em um papel inflamado. Enfim, o postulante deve falar em baixa voz ao “Ir... Hospitaleiro” o valor da oferta que quer doar aos maçons indigentes.

Este é o fim das famosas provações.

O Venerável dirige ao aspirante uma arenga bem sentida, e louva-lhe a coragem, naquele estilo especialmente enfático e oco, cujo segredo a maçonaria conserva com piedade; e como prêmio do seu heroísmo ordena ao Ir... Mestre de Cerimônias “que o inicie no grau de Aprendiz, ensinando-lhe... a dar o primeiro passo em um dos ângulos de um grande quadrado! Vós o mandareis dar outros dois passos, acrescenta com gravidade, e logo o conduzireis ao altar dos juramentos”. Os três passos em um dos ângulos de um grande quadrado são a marcha do Aprendiz Maçom. A “constituição moral” que permitiu que lhe vendassem os olhos, fustigassem-lhe o estômago, jogassem-no através do papel para dentro de uma caverna, dessem-lhe água de beber; que escorregou, saltou, etc., nas três viagens; que galgou a escada sem fim e deixou que o empurrassem heroicamente em um abismo de menos de 1 metro; que se purificou no fogo da pólvora, derramou o nobre sangue, prometeu e escutou belas coisas – essa “constituição moral” está enfim iniciada em algo de muito sério: ensinaram-lhe a “dar três passos em um ângulo de um grande quadrado!”

VIII
O juramento
Antes do juramento solene, ainda há uma cerimoniazinha. O neófito, com os olhos ainda encobertos pela venda, é “levado ao altar dos juramentos”, onde se ajoelha, enquanto o “Ir... Mestre de Cerimônias” lhe encosta sobre o peito esquerdo a ponta de um compasso. Sobre o altar há uma Bíblia aberta, e sobre a Bíblia uma espada esquisita.

“De pé e em ordem, meus Irmãos, exclama o Venerável, o neófito vai fazer o terrível juramento”. Terrível, de fato; nesse momento, param as brincadeiras e se revela a verdadeira maçonaria. Os assistentes se levantam, desembainham as espadas, e o postulante faz o juramento ímpio que se vai ler:
“Eu juro, em nome do Arquiteto Supremo do Universo, jamais revelar os segredos, os sinais, os cumprimentos, as palavras, as doutrinas e os costumes dos maçons, e sobre eles conservar acima de tudo um eterno silêncio. Prometo e juro a Deus nunca os revelar por escrito, sinais, palavras ou gestos, nem mandá-los escrever, litografar, imprimir; nem publicar nada do que me confiaram até agora e do que ainda me confiarão no futuro. Se eu não mantiver a palavra, comprometo-me e submeto-me à seguinte pena: sejam-me queimados os lábios com ferro em brasa, decepadas as mãos, arrancada a língua, cortada a garganta; seja o meu cadáver pendurado em uma Loja durante os trabalhos de admissão de um novo Irmão, para exprobação da minha infidelidade e temor dos demais; seja depois incinerado e as cinzas jogadas ao vento, a fim de que não se conserve a memória da minha traição. Que Deus e o seu Santo Evangelho me ajudem a cumpri-lo. Assim seja.”

Esses infelizes enfiam o nome de Deus e do Evangelho nos seus juramentos detestáveis, e se entregam, de mãos e pés atados, a um poder oculto, que não conhecem nem conhecerão; que lhes mandará matar, e eles terão de matar; que lhes mandará violar as leis divinas e humanas, e eles terão de obedecer, se não morrem! Um homem correto – não precisa ser um cristão, mas um simples homem correto, na acepção mais frouxa da palavra – seria capaz, pergunto eu, de fazer um juramento maçônico?

Após o juramento, o postulante é reconduzido até entre as duas colunas. Todos os Irmãos (e que irmãos!) se reúnem em círculo em torno dele e lhe apontam as espadas nuas, “de modo que ele seja o centro de onde partem os raios”. O Mestre de Cerimônias, atrás do neófito, apressa-se em lhe retirar a venda, enquanto outro Irmão, diante dele, aproxima do nariz do infortunado a lâmpada e a pólvora inflamável que se usou para as chamas purificadoras. E recomeça a pantomina. “Julgais este aspirante digno de ser admitido entre nós?”, pergunta o Venerável ao Ir... Primeiro Vigilante.” “Sim, Venerável”, responde. “Que pedis para ele?” “A luz.” O Venerável, em tom solene: “Que se faça a luz!”

Ele dá três grandes marteladas. Ao terceiro golpe, cai a venda, queima-se a pólvora, e o neófito, ofuscado... só consegue enxergar o fogo. Depois percebe, com grande contentamento, todas as espadas apontadas para o peito; os seus excelentes Irmãos gritam a uma só voz: “Que Deus puna o traidor!”

“Não temais, meu Irmão, continua o Venerável; não temais dano algum das espadas que estão apontadas para vós. Elas são temíveis apenas para os perjuros. Se fordes fiel à maçonaria, como esperamos, essas espadas estarão sempre prontas a vos defender. Ao contrário, se chegardes a traí-la, nenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras.”

O Venerável ordena que conduzam o novo Irmão ao altar, e de novo obrigam-no a ajoelhar-se (diante de que e de quem?); o Venerável, então, retirando do altar (dedicado a quem?) a espada esquisita, coloca a ponta dela na cabeça do novo Irmão e o consagra Aprendiz Maçom, dizendo-lhe: “Em nome do Grande Arquiteto do Universo, e em virtude dos poderes que me foram confiados, eu vos ordeno e constituo Aprendiz Maçom e membro desta respeitável Loja”. Depois, erguendo o novo adepto, cinge-o com um avental branco, dá-lhe um par de luvas brancas, que o Maçom tem de carregar consigo como emblema de inocência (!!!) e, quer seja casado quer não, um par de luvas femininas, que “oferecerá àquela que mais estime”. [...] Enfim, o Venerável revela ao Aprendiz os sinais, as senhas e os segredos reservados ao grau do neófito, e lhe dá o fraterno beijo triplo.

Ignoro o que possam ser tais segredos reservados; pois, segundo a expressão formal do Ritual da Loja Mãe dos Três Globos (sic), “fazem-se ao Aprendiz somente insinuações, nunca se dá uma explicação completa, porque não seria possível explicar e compreender o menor dos pormenores sem revelar a totalidade do conjunto”.

Quaisquer que sejam tais segredos, a iniciação está proclamada; a Loja inteira aplaude, e o novo maçom, vestindo novamente a roupa, é instalado no seu lugar. O “Ir... Orador” lhe faz um discurso que encerra essa fantasmagoria sacrílega.

IX
Do grau de Companheiro, que é o segundo grau maçônico
O segundo grau da maçonaria exterior é o grau de Companheiro Maçom. Quando o desditoso Aprendiz está cansado de nada aprender, começa a esperar a iniciação no grau de Companheiro. Eis como as coisas acontecem.

O Aprendiz postulante já não está de olhos vendados, porque pediu a luz e lhe acenderam pólvora nos olhos; ele vai bater à porta da Loja[9] na qualidade de Aprendiz. O Venerável lhe convida a entrar, interroga-o e lhe ordena dar cinco voltas pela Loja, na companhia do Ir... Mestre de Cerimônias. Denominam tais rituais de “as viagens misteriosas”.

Depois, mandam-no martelar três vezes uma pedra bruta (quem puder, entenda). Chamam a isso o último trabalho do Aprendiz. O Venerável “explica” o significado de uma estrela chamejante, que está pintada em uma tela estendida no chão; diz-lhe que é “o símbolo do fogo sagrado, da porção de luz divina que o Grande Arquiteto do Universo formou nas almas” (uma rematada heresia, que cheira muito a panteísmo). Entenda ou não o significado disso, conduzem-no ao altar como da primeira vez, e ali, de joelhos, presta novo juramento de fidelidade maçônica – esse horrível juramento condenado pelas leis divinas e humanas.

Em seguida proclamam-no Companheiro, sob os aplausos da Loja, e o conduzem já não “a leste”, como na recepção do Aprendiz, mas “em direção à coluna do meio-dia”, onde padece um novo discurso do “Ir... Orador”.

Tudo isso é tão boboca que, mais do que rir, gostaríamos de ficar coléricos. Na França existe um milhão e seiscentos mil indivíduos – a maioria, de pessoas instruídas e letradas – que passaram pelas forcas caudinas das sociedades secretas[10]! E pensar que no mundo inteiro são oito milhões!

X
Do terceiro grau, que é o grau de Mestre Maçom
Ainda estamos falando apenas da maçonaria exterior: o grau de Mestre Maçom é o terceiro e último, pois a dignidade de Grande Oriente e as demais dignidades acessórias que compõem o conselho exterior da Ordem Maçônica não são graus propriamente ditos. É como um general que, para ser nomeado Ministro da Guerra, não precisa subir de posto: ele ganhou uma dignidade ou comando, mas é só. Assim o Maçom denominado Grande Oriente é um Mestre Maçom como todos os outros, embora tenha recebido o comando exterior de todas as Lojas de uma obediência.

Na maçonaria existem vários ritos ou obediências, que só diferem entre si por matizes. Na França gozamos de três ritos maçônicos: o rito do Grande Oriente da Françao rito escocês, cujo grão-mestre é um velho acadêmico, e o terceiro, que chamam de o rito Misraím. Misraím é o nome que a ciência cabalista dá desde sempre a um demônio cheio de poder e perversidade. O rito Misraím considera o piedoso Cam, o filho maldito de Noé, o seu primeiro pai.

Mas retornemos ao nosso Companheiro, que arde de impaciência por se elevar ao grau de Mestre. O cerimonial vai aumentando em solenidade.

A Loja já não se chama Loja: denominam-na a câmara do meio. O celeste império chinês também se denomina Império do Meio. Essa câmara do meio é forrada de um tecido preto (para significar luz e alegria), repleta de desenhos de crânios, esqueletos e ossos cruzados, bordados em branco, sem dúvida obra dos maçons “que têm maior estima” pelos maçons desse meio.

Uma vela de cera amarela (prestem atenção: amarela), posicionada a oriente (não a ocidente, senão tudo estaria perdido), e uma lanterna de furta-fogo, em formato de crânio, por onde as luzes saem tão somente do fundo das órbitas vazias – estão postas por sobre o altar do Venerável. O Venerável já não é venerável. Neste ambiente muito respeitado, doravante ele se chama “Respeitável Mestre da Câmara do Meio”. Essa “câmara do meio” e o seu Respeitável Mestre são iluminados, de acordo com a necessidade, pela vela amarela e a lanterna de crânio. No meio da “câmara do meio”, se a pessoa tem bons olhos, enxerga-se (ó lídimas alegrias da maçonaria) um caixão! Sim, um caixão, um caixão de verdade, no qual está quer um maçom, quer um manequim (pouco importa); segundo o Ir... Clavel a pessoa do caixão “deve ser o último Mestre a ter ingressado”. O Ritual não diz se esse último Mestre gosta da brincadeira de ficar no caixão. Creio que ele acharia melhor ser um Respeitável.

Para consolá-lo, colocam-lhe sobre a cabeça um esquadro, sobre os pés um compasso, e acima dele um galho de acácia (decerto para protegê-lo do sereno). Todos os Ir... Mestres estão vestidos, já não de branco, mas de preto; nas Lojas mais joviais, usam por sobre as pernas um avental preto com um crânio bordado a primor. Enfim, para completar, todos trazem consigo, do ombro esquerdo à cintura direita, uma grande faixa azul, onde estão bordados o sol, a lua e as estrelas.

Sabem os senhores por que eles estão assim apinhados na “câmara do meio”? Ouçam o Respeitável: “Para que propósito nos reunimos?”, pergunta ele. “Para reencontrar a palavra do Mestre, que está perdida”, lhe responde grave o Ir... Primeiro Vigilante. O Respeitável então ordena que se busque “a palavra”. Parece que todos a conhecem, pois se pergunta sobre ela a cada um deles, e cada um deles a comunica. “Qual a vossa idade?”, pergunta o Respeitável ao Ir... Primeiro Vigilante. “Sete anos”, responde com ingenuidade, não se sabe por quê. Um Mestre Maçom sempre tem sete anos – é a idade da candura. “Que horas são?”, continua o Respeitável. “Meio-dia em ponto”, diz o outro. Após várias perguntas e respostas da mesma profundidade, escuta-se baterem à porta, ao estilo dos Companheiros: toc-toc, toc, toc-toc. É o nosso Companheiro Maçom, que se apresenta. Está descalço, com o braço esquerdo nu, o peito esquerdo nu; no braço direito do ingênuo pende majestoso um esquadro, e em torno da cintura um cíngulo de três voltas. A ponta da corda está na mão do Ir... Experto, no rito do Grande Oriente da França; na do Mestre de Cerimônias, no rito escocês; na do Primeiro Diácono, nas Lojas inglesas e americanas. No rito Misraím, deve estar na mão do diabo em pessoa. Vestido com este figurino, o Companheiro recipiendário bate à porta, e começa uma cena impagável.

“Após a batida, diz o Ir... Clavel, após a batida a assembléia se emudece”. Há um motivo. Com a voz impostada, o Ir... Primeiro Vigilante exclama: “Respeitável, um Companheiro acaba de bater à porta”. “Vede... o que quer... esse Companheiro”, responde com compreensível emoção o Respeitável.

Procurem as informações; como sabemos tudo por antecipação, o caso não parece muito complicado. “Por que o Mestre de Cerimônias vem perturbar a nossa dor?” – diz, lúgubre, o Respeitável. “Não seria esse Companheiro um dos miseráveis que o céu entregou a nossa vingança? Ir... Experto, armai-vos e cuidai desse Companheiro. Visitai-o e assegurai-vos de que nele não há nenhuma nódoa de cumplicidade na comissão desse crime”. Esse crime é a pretensa morte do arquiteto Adoniram, assassinado por três Companheiros, enquanto dirigia os trabalhos do Templo de Salomão; em realidade, trata-se da execução dos Templários, avós espirituais dos maçons.

O experto arranca o avental do Companheiro; enquanto o Companheiro permanece à porta, guardado fraternalmente por quatro Irmãos armados até os dentes, o Ir... Experto retorna ao Respeitável e lhe diz com todo o respeito: “Respeitável, nada encontrei neste Companheiro que apontasse um crime de morte. As vestes estão brancas, as mãos estão puras, e este avental que vos trago está sem mancha”.

O Respeitável finge que ainda não se convenceu. “Veneráveis Ir..., tenho um pressentimento que me agita, etc. Não será preciso interrogá-lo?” Todos os maçons curvam as cabeças maçônicas, em sinal de assentimento; o Respeitável, ao escutar do Ir... Experto que o Companheiro conhece a senha, exclama, cheio de estupor: “A senha!... Como pode ele conhecê-la?... Oh!... Só pode ser por causa do seu crime”. Rapidamente recomeçam a perquirição em todos os bolsos, cantos e recantos do Companheiro, que fica lá, meio desnudo como Marlborough entre os seus quatro oficiais.

Durante todo esse tempo, o infortunado Mestre – o último recebido – se aborrece no caixão, e medita bem à vontade sobre a profundidade das cerimônias maçônicas. Como são um pouco longas, ele tem de tomar as suas precauções.

O Ir... Experto visita o Companheiro e lhe fita a mão direita: “Pelos deuses! Que estou vendo!”, grita aterrorizado, fingindo que percebe alguma coisa. “Fala, desgraçado! Confessa o crime. Como conhecerias a senha? Quem a transmitiu para ti?” O inocente Companheiro responde com perfeita serenidade: “A senha? Não a conheço. O meu guia a dará por mim”. É neste momento que ele é introduzido aos empurrões até o meio da “câmara do meio” e, chegado ao caixão, obrigam-no a dar meia-volta, para que veja o dito caixão onde jaz o último Mestre recebido, que se faz de morto.

O Respeitável lhe explica como pode que estão todos ocupados em prantear o respeitável Mestre Adoniram, morto à traição por três Companheiros (cerca de mil e oitocentos anos atrás), e lhe aponta o pobre Mestre – o último recebido – deitado no caixão. O Companheiro declara, óbvio, que não matou o Mestre Adoniram, e o Respeitável, satisfeitíssimo com a justificativa, ordena, para mal dos seus pecados, que o façam “viajar”. Já conhecemos essas viagens ridículas; a única diferença desta em relação às outras é a companhia fraternal de quatro maçons armados. O Ir... Experto segue o viajante e o mantém na rédea pela ponta da corda. Após o retorno das “viagens”, o Companheiro já é Mestre; ele presta o juramento de joelhos, com as duas pontas de um compasso sobre o peito. Conduzem-no então “a Ocidente”, donde o levam novamente “a Oriente” – é a misteriosa marcha do grau de Mestre.

Essa “marcha misteriosa” dá tempo ao Irmão morto para que saia do caixão sem fazer alarde; quando o recipiendário se reaproxima dele, o lugar está vazio. O Respeitável desce do trono, pois ele tem um trono, e todos os Irmãos se reúnem em torno do caixão. Aqui começa a lamentável narração do pretenso assassinato do respeitável Mestre Adoniram, cometido pelos três Companheiros ciumentos: Jubelas, Jubelos, Jubelum. O Respeitável interrompe três vezes a narração, para dar ao Ir... Primeiro Vigilante o prazer de golpear o novo Mestre como os três assassinos golpearam Adoniram: em primeiro lugar no pescoço, com uma régua de ferro; depois no peito, com um esquadro; enfim no rosto, com um martelinho. Após isso, dois Irmãos agarram o presuntivo Adoniram e o põem no caixão como se estivesse morto. Os assistentes fingem que buscam o Mestre Adoniram; após buscas penosas de Oriente a Ocidente e de Ocidente a Oriente, encontram-no graças ao galho de acácia que lhes indica onde está o cadáver. O Respeitável declara que o corpo está em decomposição, e diz: Mac Benac, a carne desgarrou dos ossos. (Tudo isso é de morrer de rir.) O sobredito Respeitável retira do caixão o pretenso morto, pousa-lhe a mão esquerda sobre o ombro esquerdo, e lhe diz à orelha direita: Mac, e à esquerda: Benac, palavras que inundam de luz e consolações o ressuscitado. Os Irmãos, enfeitados de aventais pretos e crânios bordados, à luz da vela amarela e do crânio furta-fogo, começam uma animada cantoria.

O Ir... Novo Mestre renova o juramento “de não revelar [os segredos] aos Irmãos inferiores nem aos profanos”; conferem-lhe, pois, a iniciação, que consiste no catecismo maçônico e no sinal do Mestre, que se faz fechando quatro dedos da mão direita e pousando o polegar esticado sobre o ventre, de modo a formar um ângulo, enquanto se mantém diante dos olhos o reverso da mão esquerda, com o polegar para baixo. O Catecismo dos Mestres chama esse sinal de o sinal de horror, “porque significa o horror que se apossou dos Mestres quando descobriram o cadáver de Adoniram”.

Essa brincadeira sombria é o cerimonial de iniciação ao terceiro e último grau da maçonaria exterior. Isso já de longe cheira a conspiração e sociedade secreta. Compreende-se muito facilmente por que esse incontável público das Lojas serve de posto de recrutamento para a maçonaria oculta, para os manipuladores das sociedades secretas. Veremos as enormes impiedades de que se compõem os mistérios que agora se descortinam ao Novo Mestre. É puro materialismo.

Assim, é possível afirmar sem medo de errar: por mais que sejam enganados, os maçons – aprendizes, companheiros e mestres – são muito culpados, muito imprudentes e muito patetas.


XI
Dos altos graus da Maçonaria
Chamam-se de altos graus algumas iniciações, amiúde independentes umas das outras, que variam segundo os lugares e os países, dentre as quais muitas são recentes e outras deixaram de existir. Há maçons que as renegam, entre outros a maioria dos chefes da maçonaria exterior. Alguns maçons as reconhecem, louvam e se comprometem com elas, sem por isso participarem da maçonaria oculta ou das sociedades secretas propriamente ditas.

Os altos graus são como uma florescência cada vez mais secreta e ímpia da maçonaria comum, uma iniciação mais avançada, mas sempre incompleta, que poderíamos denominar a alma da maçonaria, ou seja, o objetivo final das suas conspirações. Esse objetivo final é a destruição universal da realeza e da religião, a revolta universal do mundo contra Deus e o seu Cristo. Satã e o homem querem reinar no mundo, no lugar de Deus e o seu Cristo. Descobrimos parte desse segredo infernal, mas é em vão que os maçons que ainda têm um pouco de honestidade o negam.

“O objetivo da Ordem deve continuar sendo o seu principal segredo, escrevia em 1774 a Grande Loja da Alemanha; o mundo ainda não é assaz forte para agüentar essa revelação.”

Parece que até os maçons, inclusive os de alto grau, ainda não são “assaz fortes”, pois durante a iniciação de um dos graus elevados do rito escocês, o Mestre da Loja diz ao candidato: “Por este grau, um espesso muro se levanta entre nós e os profanos, e até entre muitos de nós... O que aprendestes até hoje não é nada, em comparação aos segredos que certamente vos serão revelados mais tarde... O cuidado que temos de escondê-los até dos próprios irmãos vos deve dar a noção da dignidade da coisa” (esse é o verdadeiro estilo maçônico).

O conjunto de todos os ritos maçônicos engloba cerca de uns mil graus. No rito do Gr... Or... aparecem trinta e três; no rito escocês, também trinta e três, embora de ordinário só se confiram sete. Os outros graus, decerto, são sublimes demais, e o excesso de luz faria mal aos olhos. O rito Misraím parece que pára no número 100: sem dúvida é nele que se vê com maior claridade.

Note-se que, pela graça de Deus, todos os ramos da árvore maçônica se detestam entre si fraternalmente. As divisões entre eles são a nossa salvação. Na maçonaria e no protestantismo acontece um fenômeno idêntico: existe uma unidade de nome e de ódio, mas uma divisão infinita entre as seitas da Seita. A divisão é uma característica das obras de Satã, porque a unidade só subsiste na verdade e na caridade.

Os altos graus mais conhecidos parece que são os de: 1) Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido, Eleito, Ancião, Cavaleiro de Santo André ou Cavaleiro do Sol; 2) deCavaleiro Kadosch; e 3) de Rosa Cruz.

XII
Do alto grau de Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido
Na recepção do Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido, revela-se cruamente ao adepto o sentido verdadeiro e prático da lenda de Adoniram; estas palavras são reportadas ao pé da letra pelo Ir... Ragon, no livro Ortodoxia Maçônica: “Os graus por que passastes, diz o Mestre da Loja, não vos levam a um justo juízo da morte de Adoniram, do final trágico e funesto de Jacques de Molay, que é o Grande Comandante da Ordem? Não está o vosso coração pronto para a vingança, não sentis o implacável ódio que devotamos aos três traidores em quem devemos vingar a morte de Jacques de Molay? Eis, meu Irmão, a VERDADEIRA MAÇONARIA, como no-la transmitiram.”

Na prática esses três traidores são: em primeiro lugar o Papa, e com ele toda a Igreja, todo o cristianismo e toda a ordem religiosa; depois o Rei, e com ele toda a sociedade civil e todos os governos; enfim, as forças armadas, que substituíram as antigas ordens religiosas militares, dedicadas à defesa da fé.

Já se deixa entrever ao adepto que a doutrina fundamental da maçonaria é o ateísmo ou o culto do Deus-Natureza. “Sabei comportar-vos entre homens, lhe dizem, cuja bravura e bons costumes (?) são toda a doutrina. Essa doutrina é a regra que a nossa constituição nos impõe.” A bravura é a vontade cega e selvagem que os leva a cometer de tudo, até o crime e o assassinato; os bons costumes são a obediência aos instintos da natureza. Daqui a pouco veremos alguns exemplos disso.

Finalmente, acrescenta-se: “Eis que agora estais no nível dos zelosos maçons que se devotaram a nós, em prol da vingança comum. Escondei cuidadosamente do vulgo o grandioso destino que vos está reservado... Agora estais, meu Irmão, no patamar dos eleitos chamados a cumprir a grande obra... Amém!”

Após o piedoso discurso, o Mestre da Loja entrega ao novo Ir... Juiz Filósofo Grande Comendador Desconhecido a insígnia do seu alto grau, com a indicação do trabalho especial que lhe cabe. A insígnia – a “jóia” do adepto – é um punhal, e o trabalho é a vingança. Ficou claro?

XIII
Do alto grau de Cavaleiro Kadosch
Não sei por que os Cavaleiros Kadosch se chamam Cavaleiros Kadosch: Kadosch, com efeito, quer dizer santo. A iniciação deles está temperada de molhos com sabor de sangue, assassinato, vingança, revolta e impiedade.

“Quando Luís Felipe Égalité (o único dos pertencentes ao Grande Oriente da França admitido nos segredos tenebrosos da “verdadeira maçonaria”) foi iniciado no grau de Cavaleiro Kadosch, mandaram-no deitar-se no chão como um morto, e renovar todos os juramentos que prestara nos graus inferiores; depois, puseram-lhe um punhal na mão e lhe ordenaram que golpeasse um manequim coroado, colocado em um canto da sala, próximo a um esqueleto... Um líquido da cor do sangue jorrara da ferida sobre o candidato e inundara o piso. Recebera em seguida a ordem de cortar a cabeça do boneco, segurá-la no alto com a mão direita e conservar o punhal tinto de sangue na mão esquerda – o que ele fez. Já então lhe esclarecem que aquelas ossadas pertenciam a Jacques de Molay, Grande Mestre da Ordem dos Templários, e que o homem, cujo sangue acabava de espalhar e cuja cabeça ensangüentada segurava na mão direita, era Felipe o Belo, rei da França.[11]

Entendemos que o juramento de morte e vingança não se dirigia à pessoa de Felipe o Belo, que já estava morto havia uns quinhentos anos, mas a sua realeza. O novo Kadosch, na qualidade de fiel Cavaleiro, também foi um dos principais assassinos de Luís XVI. Quase todos os regicidas da Convenção eram maçons.

O ritual maçônico diz à letra que o novo eleito deve vingar a condenação de Jacques de Molay, “quer figurativamente nos autores de seu suplício, quer implicitamente em quem de direito.”

– A quem conheceis? – perguntam ao iniciando.
– Dois abomináveis.
– Nomeai-os.
– Felipe o Belo e Bertrand de Goth (o Papa Clemente V).

Segundo o Ir... Ragon, “o autor sagrado”, o Cavaleiro Kadosch não deveria golpear somente um manequim coroado no dia da iniciação, mas também uma serpente de três cabeças, cuja primeira usa uma tiara ou chave, a segunda uma coroa, e a terceira uma espada – símbolos do Papado, da Realeza e da Força Militar, que se reuniram para destruir a Ordem dos Templários. “A serpente de três cabeças significa o princípio mau, afirma ainda o Ir... Ragon.[12]

O segredo da seita está cada vez mais visível.

XIV
Do alto grau de Rosa Cruz
Na recepção de um Rosa Cruz, o chefe da Loja já não é o Venerável, nem o Respeitável; ele se chama “Mestre Sábio e Perfeito” e todos os oficiais da Loja são “Poderosíssimos e Perfeitos”. A perfeição é o caráter distintivo desse grau, mas não nos confundamos: trata-se da perfeição maçônica.

O candidato é, entre outras coisas, interrogado acerca do sentido da inscrição: INRI, que Pilatos mandou pregar sobre a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Entre os maçons ela não significa Jesus de Nazaré, Reis dos Judeus, mas quer dizer – ó blasfêmia ignóbil! – “que o judeu Jesus de Nazaré foi conduzido pelo judeu Rafael[13], para que na Judéia fosse justamente punido pelos seus crimes.” Assim que o candidato dá ao “Sábio” essa interpretação sacrílega, o “Sábio” exclama: “Meus Irmãos, a palavra foi encontrada!”. Assim “a palavra”, o segredo dos graus avançados da maçonaria, é o ódio a Jesus Cristo.

Nas lendas maçônicas, Nosso Senhor, na qualidade de descendente do Rei Salomão, expia com justiça sobre a cruz o pretenso assassinato de Adoniram a mando de Salomão, que tinha inveja do seu arquiteto. Adoniram é o pretenso descendente de Caim, que é o pretenso filho de Lúcifer e Eva. Assim, a luta da Revolução e da maçonaria contra a Igreja e a realeza é tão somente a conseqüência lógica e fatal de uma luta que começa no paraíso terrestre: a luta de Lúcifer, de Caim seu filho, de Adoniram seu descendente, e de toda uma raça superior, que recebeu o dom da ciência, da luz e da verdadeira virtude, contra Deus, contra Adão, Abel, Salomão, contra Jesus, e contra a raça inferior dos filhos de Adão, personificada nos padres e nos reis; a característica dessa segunda raça é a força cega, a tirania e a ignorância. Segundo os maçons, Deus tem inveja de Lúcifer e o persegue; é Caim que é perseguido por Adão e Abel, etc. É a inversão total, a contra-verdade, a apoteose da revolta e da crucificação da Verdade e do Bem – em suma, é a Revolução, que, na sua doutrina fundamental, é essencialmente anticristã, atéia, satânica.

Por mais que os Irmãos dos altos graus tenham conhecimento do segredo da maçonaria, todavia há de se reconhecer que eles ainda não saíram “da ante-câmara mal iluminada”, como dizia o Tigrinho, ainda são maçons em broto ou em flor. Os frutos estão escondidos mais à frente, nas sombrias profundezas da seita. Era isso que, certo dia, afirmava um padre a certo homem correto de visão curta, promovido após muitos anos ao grau de Rosa Cruz. Esse pobre coitado reputava o cerimonial das Lojas um mero teatrinho histórico:
“Ele não me poupava de nenhum pormenor, contava o padre[14], para me dar a melhor impressão possível de uma sociedade em que ele se gloriava de exercer funções importantes. Ele desejava converter-me de todo modo à maçonaria. Eu sabia que só lhe restava um único passo para chegar ao ponto em que o véu se rasga, de onde já não é possível se iludir sobre o objetivo final dos adeptos das Lojas Secretas. Para me convencer, ele quis ir até esse ponto.

“Pouquíssimos dias depois, vejo-o entrar na minha casa em um estado impossível de descrever. 'Oh, meu caro amigo, meu caro amigo! – exclamava – Bem que você me avisou. Ah, tinha toda razão! Onde eu estava com a cabeça, meu Deus!' Ele sentou, ou melhor, atirou-se em uma cadeira, e repetia sem parar: ‘Onde eu estava com a cabeça! Ah, tinha toda razão!’ Quis que ele me ensinasse alguns detalhes que ainda ignorava: ‘Você tem razão, mas isso é tudo o que lhe posso dizer.’ Todavia, acrescentou que, caso aceitasse o que lhe propuseram, recuperaria a fortuna arruinada pela revolução. ‘– Se eu quiser ir para Londres, para Bruxelas, para Constantinopla, ou para qualquer outra cidade de minha escolha, nem a minha esposa, nem os meus filhos, nem eu passaremos necessidade.’ ‘– Sim, observei, mas à condição de que você apregoe em todos os lugares a igualdade, a liberdade e a Revolução!’ ‘– Justamente – murmurou – mas, ainda mais uma vez, isso é tudo o que lhe posso dizer. Ah, meu Deus! Onde estava com a cabeça?’...”

O pobre homem pertencia aos altos graus da maçonaria exterior, mas só fazia pouco tempo que lhe haviam aberto o jogo. Por nossa vez, demos uma olhada.

XV
Da verdadeira maçonaria, que é oculta e totalmente secreta
Esta maçonaria não é a das Lojas, nem é sequer a dos altos graus: ela é pura e simplesmente a sociedade secreta.

Nas Lojas Secretas, os maçons tiram a máscara; eles desdenham e repelem o simbolismo ridículo e perverso das primeiras iniciações e vão direto ao ponto: Guerra a Deus, ao seu Cristo e à sua Igreja! Guerra aos reis e aos poderes humanos que não estão conosco! Esse é o seu lema, esse é o seu grito de guerra.

Nesse lugar, já não há Grandes Orientes, já não há Grandes Mestres, mas uma unidade assustadora, lograda por uma liderança oculta, que a organiza de forma simples e inteligente. “Recordai-vos, dizia há pouco o celerado Mazzini, recordai-vos de que uma associação de homens livres e iguais (sempre a mesma fórmula!), que queiram mudar a face de um país (ele poderia dizer: de todos os países), deve ter uma organização simples, clara e popular.[15]

Na liderança desse tenebroso exército, existe um chefe único e desconhecido, que permanece nas sombras e tem todos os Ateliês e Lojas nas mãos. Ele é um chefe misterioso e terrível, ao qual estão ligados, por um juramento de obediência cega, todos os maçons de todos os ritos e graus, que não lhe conhecem sequer o nome e que, na sua maioria, recusam-se a acreditar na sua existência. Esse homem diabólico é mais poderoso que qualquer rei deste mundo; no século XVIII fora ele durante muitos anos um obscuro alemão, chamado Weishaupt.

O patriarca das sociedades secretas só é conhecido por quatro ou cinco adeptos escolhidos, cada um dos quais o põe em contato com uma seção ou venda ou Loja (pouco importa o nome); os adeptos de cada seção ignoram o papel que o representante do grande chefe desempenha entre eles. Cada um dos maçons da seção a representam, por sua vez, em uma outra seção ou venda inferior, sempre a despeito dos adeptos ali reunidos; e assim sucessivamente até as Lojas mais insignificantes da maçonaria exterior, até as assembléias maçônicas que parecem de todo estranhas aos conluios das sociedades secretas.

Nessa hierarquia submaçônica, todos são conduzidos mas não sabem por quem, e executam ordens cuja origem e objetivo real ignoram. Essa é a verdadeira sociedade secreta, e é por causa disso que participam dela. Há uns quarenta anos, a polícia romana esteve prestes a capturar o chefe da grande conspiração. O cardeal Bernetti, secretário de Estado de Leão XII, conseguiu obter parte da correspondência íntima dos chefes da Venda Suprema, ou seja, dessa loja maçônica superior que o grande chefe comanda diretamente. Um desses celerados estava ligado à pessoa do príncipe de Metternich, primeiro-ministro do imperador da Áustria, que lhe depositava inteira confiança; o seu nome de guerra era Nubius. Outro era um judeu que adotou como nome de guerra Tigrinho. A correspondência de um terceiro conspirador denotava um rico proprietário italiano. Nessa época, o centro do grande conluio era a Itália.

Para diferenciá-la da maçonaria visíel, chamam-na de carbonaria [ou maçonaria guerreira]. Como a maçonaria, a carbonaria é una e universal; ela é “a parcela militante da maçonaria”. Não se sabe o número de adeptos dela.

O Ir... Louis Blanc admira, em uma declaração oficial, a organização da carbonaria, e afirma que ela é “algo de poderoso e maravilhoso...”. Convencionou-se que em torno de uma associação-mãe (E que mãe, meu Deus!), chamada de Alta Venda, formar-se-iam outras associações nomeadas de vendas centrais, sob as quais agiriam as vendas particulares (a palavra venda quer dizer reunião). O número de membros está fixado a vinte por associação, a fim de escapar ao Código Penal. A Alta Venda se recruta a si mesma.

“Para a formação das vendas centrais, adota-se o seguinte método: dois membros da Alta Venda se juntam a um terceiro sem lhe confidenciar a sua origem, nomeiam-no Presidente da futura venda, e assumem por conta própria um o título de Deputado, e o outro o de Censor. A missão do Deputado é a de corresponder-se com a associação superior, e a do Censor a de controlar o andamento da associação secundária. A Alta Venda se transforma por esse meio como que no cérebro de cada uma das vendas que cria, conservando em relação a elas o papel de mestra dos segredos e das ações. Nessa combinação existe uma elasticidade admirável [a da serpente...]. Em pouco tempo as vendas se multiplicaram ao infinito.”

Acrescenta o Ir... Louis Blanc, com a candura de um enfant terrible: “Previu-se a impossibilidade de ludibriar em todos os casos os esforços da polícia[16]: para diminuir a importância deles, convém que as vendas ajam em comum, sem todavia se conhecerem mutuamente, de maneira que a polícia, ao penetrar na Alta Venda, não arraste consigo o conjunto da organização. Em conseqüência, proibira-se que todos os carbonários pertencentes a uma venda tentassem ingressar em outra. Essa proibição é sancionada com a pena de morte.

“Os deveres do carbonário eram possuir um fuzil e cinqüenta cartuchos [precaução eminentemente filantrópica...], estar pronto a se devotar [sabemos o que isso quer dizer...], obedecer cegamente às ordens dos chefes desconhecidos[17].” Essa organização temível, que o Ir... Louis Blanc revelou, foi urdida na Loja dos Amigos da Verdade.

Assim, por trás da Loja está a Loja Secreta; por trás do maçom aprendiz, companheiro e mestre, e até por trás dos maçons dos altos graus, se esconde o maçom carbonário, o homem da sociedade secreta e das vendas. As lojas que a maçonaria divulga escondem de todos os olhares as lojas secretas, os graus escondem os graus secretos; a doutrina confessa esconde a doutrina misteriosa; os ritos e as cerimônias grotescas escondem as tramas ocultas; os segredos ridículos foram imaginados apenas para esconder melhor o verdadeiro segredo – em suma, a maçonaria pública esconde a maçonaria secreta.

Existe união íntima, porém oculta, entre a maçonaria e a carbonaria: uma é o corpo, a outra é a alma; uma é a infantaria, a outra é o generalato; uma é conduzida, a outra conduz.

Essa é a inocente maçonaria, que se sente caluniada pela Igreja.

XVI
Quais os espantosos excessos a que se entregam os maçons das Lojas Secretas
Muitos dos sectários não recuam nem diante do sacrilégio, nem diante do assassinato. Em Roma, durante as agitações de 1848[18], descobriu-se a existência de várias reuniões noturnas, dentre as quais a do subúrbio do Transtevere, onde os adeptos, homens e mulheres, reuniam-se para celebrar o que chamam “a missa do diabo”. Sobre um altar ornado de seis velas negras, colocava-se um cibório; cada um dos assistentes, após terem cuspido e pisado no crucifixo, levavam até o cibório e nele punham uma hóstia consagrada, que haviam recebido de manhã em uma igreja qualquer ou então comprado a dinheiro de alguma velhinha pobre e perversa como Judas. Depois, começavam com não sei que cerimônia diabólica, que se encerrava com uma ordem para que todos desembainhassem os punhais, subissem ao altar e apunhalassem o Santíssimo Sacramento. Terminada a missa, apagavam-se todas as luzes...

Essas práticas sacrílegas saíram da Itália e vieram infiltrar-se entre nós. Faz pouco tempo se descobriu a existência de uma espécie de sub-maçonaria, já totalmente organizada, cujo objetivo exclusivo era planejar os meios de destruir, de forma mais eficaz e segura, a fé. A seita se divide em pequenas seções, de doze a quinze membros cada uma – não mais que isso, pois temem chamar a atenção. O recrutamento se dá entre as pessoas letradas, ou ao menos entre as pessoas que, pela posição, talentos ou riquezas, exerçam em torno de si alguma influência. Os chefes de seção não residem nos lugares das reuniões, mas em Paris, que é o seu centro de ação.

E vejam que horrível! Cada adepto, para que seja aceito, deve levar no dia da iniciação o Santíssimo Sacramento do altar e pisá-lo, diante dos Irmãos. Garantiram-me que essa seita infernal já existe na maioria das grandes cidades da França; passaram-me como informação certíssima os nomes das cidades de Paris, Marselha, Aix, Avignon, Lyon, Châlons-sur-Marne, Laval.

Também me afirmaram – trata-se de um venerável padre que, sendo ele mesmo testemunha auricular, é digno de toda a fé – a realidade do fato a seguir, que ademais é apenas a repetição dos crimes da mesma natureza, que com freqüência já cometem na Itália há uns vinte anos.

Um moço se iniciara na maçonaria. Parece que bem depressa o consideraram maduro para grandes coisas. Ele saiu da Loja e ingressou na Loja Secreta. Um belo dia o designaram para dar um sumiço em uma vítima da seita. Obrigaram-no a persegui-la em todos os lugares, não podendo alcançá-la senão na América. Ele retornou a França atormentado de remorsos, inclinado a já não participar dos trabalhos da maçonaria secreta. Mas logo lhe intimaram com uma segunda ordem: era forçosa uma segunda morte, uma segunda vingança. Dessa vez o coração do moço se revoltou, de forma que ele resolveu fugir para escapar dessa tirania do punhal.

Para tanto, deixou Paris às escondidas, para ficar incógnito na Argélia. Mal chegara a Marselha, recebeu no hotel onde desembarcara um bilhete fraternal deste teor: “Conhecemos o seu projeto; não escapará de nós. Obediência ou morte”. Assustado, retoma o caminho e chega a Lyon, em um obscuro albergue. Meia hora depois, um desconhecido lhe traz um bilhete escrito quase nos mesmos termos: “Ou obedece, ou morre!”

Abandona logo o albergue e a cidade e, com a alma cheia de arrependimento e terror, vai buscar por caminhos sinuosos abrigo no mosteiro trapista de Dombes, próximo a Belley. No dia seguinte a sua chegada, mesmo aviso, mesma ameaça: “Nós o seguimos; em vão tenta fugir de nós”.

Enfim, desvairado, fora de si, e sabendo por experiência que a seita nunca perdoa, ele, seguindo o conselho de um dos padres da Trapa, foi consultar o padre que contou esta história, e que achou um meio, ao confiá-lo a intrépidos missionários, de despistar os terríveis perdigueiros que lhe estavam no encalço[19].

Esse fato atemorizante é tão-só a realização literal das instruções precisas que hoje em dia regem a seita. Eis alguns artigos dessa constituição oculta, escrita por Mazzini:
Art. 30. Aquele que não obedecer às ordens da sociedade secreta ou desvendar os mistérios dela será apunhalado sem perdão. A mesma pena se aplica aos traidores.

Art. 31. O tribunal secreto pronunciará a sentença e encarregará um ou dois afiliados para se incumbirem da execução imediata.

Art. 32. Qualquer pessoa que se recuse a executar a sentença será considerada perjura e, como tal, morta imediatamente.

Art. 33. Se o culpado escapar, ele será perseguido sem tréguas, em todos os lugares; uma mão invisível deve atingi-lo, ainda que se encontre no regaço da sua mãe ou no tabernáculo do Cristo!

Sabendo disso, vá lá e se torne um maçom!

XVII
O que os Irmãos das Lojas Secretas pensam, dizem e planejam a respeito dos seus queridos Irmãos das lojas exteriores
Aprendamos com eles: “As Lojas, diz o famoso Tigrinho, atualmente conseguem procriar gente gulosa, mas nunca criarão cidadãos. Janta-se demais nos T... C... e nos T... R... de todos os Orientes: mas é um lugar de depósito, uma espécie de coudelaria, um centro pelo qual se há de passar antes de chegarem a nós... Tudo isso é pastoral e gastronômico em demasia, mas tem um objetivo que se deve encorajar incessantemente. Ao ensiná-los a erguerem os copos como armas, apossamo-nos da vontade, da inteligência e da liberdade do homem [eis o que acontece, então, com “os homens livres, os maçons”!]. Dispomos dele, viramo-lo ao avesso, estudamo-lo. Adivinhamos-lhe as inclinações, afeições e tendências; quando estiver maduro para nós, guiamo-lo até a sociedade secreta, da qual a maçonaria não passa de uma antecâmara mal iluminada.[20]” Só quem é amigo pode trair.

Um maçom que de boa-fé repudia qualquer idéia de afiliação a sociedades secretas é apenas um maçom ingênuo que não está maduro. Ele é uma espécie de homem correto que “viramos ao avesso” para cozinhar no fogo sagrado. Certamente, é algo de muito honroso para ele não conseguir madurar, mas ainda está sob o poder das Lojas Secretas, de forma que, a gosto ou contragosto, ao primeiro sinal, ele terá de agir ou morrer.

Entrem no depósito! Escolham o lugar na coudelaria! Aprendam a apresentar armas com os seus copos! Pobres tolos, aí estão os abismos de sangue, na beira dos quais lhes estimulam a cantar e comer!

Em 1863 um oficial da caserna dos dragões foi introduzido como aspirante em uma Loja de Paris. Já estava lá havia alguns meses, assistindo às reuniões de tempos em tempos. Nela nada se fazia de extraordinário, segundo lhe parecia; havia algumas macaquices do ritual, porém tudo isso se assemelhava a uma reunião de fumantes e piadistas, enobrecida aqui e ali com campanhas beneficentes.

“Certo dia, todavia – contava ele a um amigo meu, de quem ouvi a história – certo dia, um Irmão me levou a um canto e, após algumas belas frases, me disse: – Tu me pareces ser um bom moço (pois todo o mundo se trata por “tu” naquela terra, como antigamente); por que não pedes para subir de grau? – Não quero outra coisa, respondi eu. Que se deve fazer para isso? – É simples: eu te apresentarei, far-te-ão perguntas, que responderás, e serás recebido. – Que seja! Então, marcamos o dia.

“No dia marcado, apresentei-me pontualmente. Depois das macaqueações de costume, introduziram-me em um quarto, onde me vi na presença de cinco indivíduos, cujos rostos me eram totalmente desconhecidos, que jamais vira nas reuniões, e que estavam sentados diante de uma grande mesa recoberta com uma toalha. Sobre a toalha, alguns símbolos esquisitos logo me chamaram a atenção, entre outros uma espécie de sol, estrelas, triângulos etc.

“A pessoa que parecia ser o Presidente me disse para que eu pusesse a mão direita sobre a toalha, como quando se presta um juramento. Depois, começou a perguntar o meu sobrenome, o nome, a idade, o lugar de nascimento, os nomes e sobrenomes do meu pai e da minha mãe, a igreja onde fui batizado, o nome do padre que me batizara, o do padre que me dera o catecismo, e o do que me fez a primeira Comunhão, de modo que pensava comigo: ‘Todos eles são pessoas piedosas!’

“Mas eis que de repente tudo muda:
“– Irmão, me perguntou o Presidente, queres renunciar o batismo?
“Retirei à toda pressa a mão de sobre a toalha:
“– Eu, renunciar o batismo? – exclamei. Pois sim! Se a minha pobre mãezinha soubesse, morreria de desgosto. Renunciar ao batismo? Nunca!
“– Então, está bem, me disse com frieza o Presidente. Estamos vendo, Irmão, que és um homem de caráter. Se tivesses renunciado o batismo, não serias digno de entrar em nossa morada – e começaram a me cumprimentar.
“– Diga-me uma coisa – perguntou o meu amigo ao oficial – desde então voltaram ao assunto da elevação de graus?
“– Não, parou por aí; depois de algum tempo saí de lá, pois já não achava graça nenhuma. ”

É inútil comentar essa história, que lhes apresento como me contaram. Nesse episódio, a Loja Secreta – hipócrita, celerada, ímpia, sacrílega – se revela por detrás da Loja ingênua e cega. Um homem está “maduro”, desde que seja capaz de renegar a fé.

XXI
A maçonaria é uma potência temível
Como prova incontestável, basta a sua organização oculta e pública. As obras dela também são provas suficientes: ela se gaba, pela pluma indiscreta dos adeptos mais fervorosos, de ser há mais de um século a causa ignorada, mas real, das grandes perturbações religiosas que aterrorizaram o mundo inteiro, em particular a Europa.

Ela se gaba, com as provas à mão, de alimentar o filosofismo revolucionário do século XVIII, e de ser representada por Voltaire, Helvécio[21], Rousseau, Diderot, d’Alembert, Condorcet, Mirabeau, Sieyès, la Fayette, Camille Desmoulins, Danton, Robespierre, Marat, Santerre, Pétion etc. Ela se gaba de ter ferido mortalmente a monarquia cristã, na pessoa do desafortunado Luís XVI e na da rainha Maria Antonieta; ela se gaba da revolução sangrenta na França, em 1789 e 1793. “Quando do fundo das Lojas, dizia o Ir... Brémond ao Or... de Marselha, quando do fundo das Lojas saíram estas três palavras: Liberdade, Igualdade, Fraternidade, a revolução já estava feita.” Outro maçom, iniciado desde a mocidade nos graus mais elevados da seita, na Prússia, o conde de Taugwitz, dava em 1822 a seguinte declaração: “Tenho a firme convicção de que o drama começou em 1788 e 1789; o regicídio com o seu séquito de horrores não somente foi decidido nas Lojas, mas também foi o resultado das associações e dos juramentos.” Finalmente, em 1794, o Grande Capítulo dos maçons alemães, alegrando-se em ver as devastações da incredulidade e da revolta, que da França se espalhou por toda a Europa e chegou até a América, exclamava triunfante: “A Nossa Ordem revolucionou os povos da Europa por várias gerações”.

A maioria dos impiíssimos revolucionários de 1830 eram maçons; assim também em 1848, mas só por questões táticas a facção anticristã foi muito mais dissimulada que nas desordens anteriores.

Quase todos os corifeus da impiedade contemporânea são maçons: Mazzini, Garibaldi, Kossuth, Juarez etc. Assim a maçonaria declara em alta voz que é ela que prepara e determina, protegida pelas sombras, a destruição do catolicismo na Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, em Portugal e no México. Por toda parte ela ocupa os cargos mais importantes; penetra nas forças armadas e nas grandes instituições do Estado; está na direção da maioria dos jornais. Apóia a maioria dos governos de acordo com a sua vontade, e a sua palavra de ordem em todo o universo é: “Abaixo a Igreja! Abaixo a autoridade! Chega de padres! Chega de Deus!” Saibam bem, essa é a interpretação que a maçonaria dá àquela palavra mágica chamada liberdade, que fazia cintilar aos olhos seduzidos de todos os povos, como outrora a serpente do Éden mostrava o brilho do fruto proibido.

A maçonaria declara que está no caminho do progresso ou em plena prosperidade. Há pouco dizia por meio da voz de um dos seus periódicos: “Alguns sintomas insofismáveis provam que chegamos em uma época de considerável desenvolvimento do poder e da influência da maçonaria no mundo. A maçonaria compreende cada vez mais, dia após dia, a importância da sua missão; ela rejeita os cueiros nos quais as necessidades de um outro tempo a envolveram. Conhece o significado do seu mote; e, em breve, ao se despojar dos últimos véus de um vago misticismo, proclamará como princípio e base da instituição a independência completa da consciência... Alegremo-nos com o sucesso dos esforços dos nossos Irmãos: em todos os lugares aparece o sinal luminoso do eterno Jeová[22]!”

Quem é esse “eterno Jeová”, cujo sinal aparece em todos os lugares, graças aos maçons? Veremos.

XXII
A maçonaria é, a despeito do que diga, essencialmente ímpia, anticristã e atéia
Não nos enganemos: o Deus cuja veneração a maçonaria ostenta, com o nome bizarro de Grande Arquiteto do Universo, não é o Deus vivo, o Deus único e verdadeiro – Pai, Filho e Espírito Santo – que adoramos; não é o nosso Criador, Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus feito homem, Deus único e verdadeiro; mas é o Deus de Voltaire, o Ser Supremo de Rousseau, da Convenção e de Robespierre, o Deus dos teofilantropos, o Deus das pessoas de bem cantadas por Béranger, o Deus de Renan e de Garibaldi, o Deus da religião do homem correto – é o Deus inexistente. Eles também ostentam uma indiferença à revelação e ao advento do Cristo: rejeitam a era cristã, contando os anos em todas as suas publicações a partir da criação; segundo a era cristã, estamos (no momento em que escrevo) em 1867; já segundo a era maçônica, em 5867. Essa negação do cristianismo seria pueril, se não fosse ímpia.

A maçonaria só fala de Deus para não espantar as massas. Com o mesmo objetivo, ela se reveste perfidamente com aparências de religião: possui uma série de cerimônias e ritos, confere um batismo ao seu jeito, celebra um casamento maçônico, faz um cerimonial em enterros etc., tudo isso com invocações, bênçãos, incensações, consagrações[23]; em suma, uma aparência de culto. Isso para as massas.

Mas para os maçons puro-sangue, para os verdadeiros maçons, não é preciso tanto: eles negam o cristianismo às claras. Os outros, aqueles que não estão maduros, conservam na maioria das vezes, junto com o nome de Deus, um vago sentimento religioso que não incomoda a consciência, e causa pena aos maçons de raça. Todos sabem que na prática o deísmo se assemelha em tudo ao ateísmo; trata-se de um ateísmo respeitoso e latente. Ora, a maçonaria, quando não é francamente atéia, é deísta neste sentido. Por isso, as Lojas alemãs há pouco declaravam: “Os maçons deístas estão acima das divisões religiosas. Não somente precisamos colocar-nos acima das divisões religiosas, mas também acima de toda a crença em um Deus qualquer[24].”

Na França eles têm o mesmo discurso dos alemães, pois essa é a voz do coração. O jornal Le Monde Maçonnique, ao discutir o primeiro artigo dos estatutos da maçonaria, que trata da existência de Deus e da imortalidade da alma, dizia:
“– Pois bem! Nada se exige de um homem para que seja digno de ser maçom? – Nada, senão que seja um homem correto.
– E se rejeitar a idéia de Deus? – Apresente-lhe uma que satisfaça sua razão.
– E se duvidar da vida futura? – Prove-lhe que o nada é contraditório.
– E se desconhecer os fundamentos da moral? – Não interessa, se ele viver a agir como quem os admite[25].”

A maçonaria, deísta ou atéia, é a negação absoluta da religião. Não sou eu que o digo, mas Proudhon, o irmão Proudhon: “A maçonaria, escrevia ele, é a própria negação do elemento religioso”. Ela já não quer a Deus ou a religião, antes quer excluí-la da educação, dos costumes privados e públicos, da vida humana e da morte. Os seus escritores mais sérios, sobretudo os modernos, estão à frente do odioso movimento ateísta e materialista que já há alguns anos se sobressai; eles aclamam e festejam as mais audaciosas produções anticristãs, como os jornais La Morale indépendante, La Libre-Pensée, La Libre-Conscience, La Solidarité. “Desejamos as boas-vindas, publicava outrora um diário maçom, aos nossos novos camaradas, entre os quais há redatores de antiga amizade; alegramo-nos ao constatar que todos esses jornais, sem exceção, são dirigidos por maçons, e que eles são a maioria entre os redatores[26]. ”

Na Bélgica e em todo lugar, a maçonaria dá origem a essa temível seita dos solidários, assim nomeados porque se comprometem mutuamente, por um pacto formal, a viver sem religião e a morrer sem sacerdote, como os cães.

Concordaremos de boa vontade que existem maçons que não recaem nesse excesso de irreligião, mas, quanto à maçonaria em si, por mais que diga o que quiser, ela é uma instituição essencialmente ímpia, anticristã e atéia.

XXIII
De que maneira a maçonaria busca o alívio das aflições no culto do sol
Isso mesmo: do sol, da lua e das estrelas.

A maçonaria, em nome da ciência e do progresso das luzes, das quais fala com a boca cheia, tem a pretensão de que “Deus não está demonstrado nem é demonstrável”; que a moral cristã, que se apóia no temor e amor a Deus, é pueril, inútil e imoral; que Nosso Senhor, ou não existe, ou foi um homem como os outros; que chegou o tempo de acabar com a Igreja, o Papa, os padres. E o que é curioso, é que ela recai, pelos caminhos da sua pretensa ciência e pelo progresso das suas pretensas luzes, em um excesso de estupidez que seria inacreditável, caso os próprios adeptos não o atestassem; sabem os Srs. qual é, no fundo, o Deus a quem voltam eles os olhares? É o sol! Sim, vou repetir: o sol, a exemplo desses brutos de rosto humano que por vezes encontramos no submundo da nossa sociedade descristianizada. Continuem escutando.

Na iniciação ao grau de Mestre, que é o terceiro da maçonaria, eis que o Respeitável (!) diz com todas as letras ao novato: “O Adoniram da maçonaria – que também é Osíris, Mitra, Baco, e todos os deuses célebres dos antigos mistérios – é uma das milhares de personificações do sol. Adoniram, em hebraico, significa vida elevada, o que bem indica a posição do sol em relação à terra. Em todas as cerimônias que acontecem na Loja, reconhecereis a toda hora esse pensamento. Assim, a nossa associação se põe sob a proteção de São João, ou seja, de Janus, o sol dos solstícios. Celebramos também, nos dois solstícios do ano [21 de junho e 21 de dezembro], a festa do nosso padroeiro, com um cerimonial [g]astronômico. A mesa à qual sentamos tem a forma de uma ferradura e representa a metade do círculo do zodíaco; e nos trabalhos à mesa [sic] oferecemos sete libações em honra aos sete planetas.”

O Ir... Rebold diz que os milagres e feitos da vida de Jesus devem explicar-se por “aspectos solares”. O Ir... Grande Chanceler Renan declara, na Revue des Deux Mondes (15 de outubro de 1863), que “o culto do sol é o único culto racional e científico”, e que “o sol é o Deus particular do nosso planeta”! Citação literal.

O culto do sol é a instância suprema dessas cabeças possantes que só vivem a falar de progresso, luz, ciência, e que com modéstia se intitulam “os sublimes príncipes da verdade”! Eis o piedoso significado desse evangelho de São João que vimos aberto diante dos olhos dos profanos, no início das provas do Aprendiz! Eis a famosa “luz”, as “chamas purificadoras” que o Venerável dá generoso ao Aprendiz! Eis o sentido da “estrela chamejante” e da faixa azul a tiracolo! O culto do sol, o culto degradante à matéria, o Deus-Natureza, ou melhor, um ateísmo que se torna mais vergonhoso porque se cobre com o véu da moral e beneficência, não sendo apenas ímpio, mas ainda hipócrita, é uma bela punição para o orgulho desses homens de cerviz dura!

A maçonaria ousa dizer-se “a origem e a fonte de todas as virtudes sociais”; estas são palavras do Ir... Ragon. E ainda: “A filosofia mais pura, a origem das fábulas de todos os cultos [sic], o poço onde a verdade parece que se refugiou”!!! Que impudência!

São desses poços tenebrosos que saem há quase dois séculos as vagas de blasfêmias, impiedades, negações audazes, mentiras, calúnias contra a Igreja, revoltas, destruições, instituições cripto-atéias, que ameaçam a civilização cristã com a ruína total! São desses poços em particular que saíram nestes últimos anos as blasfêmias de Renan e de Proudhon, blasfêmias satânicas, que as Lojas mandam traduzir em todas as línguas. São deles que saem dia após dia as potestades de toda casta que investem contra Roma, abalam as sés do papado, e gostariam de descoroar o Cristo e o seu Vigário.

No fundo, a doutrina dos maçons é o materialismo.

XXIV
Da imprensa maçônica
A atividade propagandística da maçonaria é febril: o zelo pacífico é a característica da verdade; já a agitação é a característica do erro. A agitação da maçonaria é prodigiosa. Os seus meios de ação são variados e poderosos; ela abre fogo de todos os flancos contra nós. Vamos mostrar essa atividade, limitando-nos à França.

A sua arma principal é a imprensa. Já vimos que ela dirige indiretamente a maioria dos jornais. Ademais, ela tem publicações próprias, mais ou menos perversas, de acordo com a sua maior ou menor franqueza. Comecemos pela revista mensal Le Franc-Maçon, anódina, fundada em 1847, às vésperas da revolução de fevereiro, e destinada a esclarecera mente e alegrar a alma de todos os “irmãos”. Ela é respeitosa com a religião, ao menos na forma. Essa é a publicação mística e ortodoxa da maçonaria. Os puros maços progressistas a apelidam impiedosamente de “jesuíta”.

Em seguida temos Le Journal des initiés, também uma revista mensal, publicada em dois cadernos parecidos, dos quais o segundo se chama La Renaissance. Nesta revista, não se pronuncia o nome maçom nem maçonaria, pois é o “caderno de propaganda”. Ele propaga a obra da maçonaria sem nomeá-la, a fim de afastar os preconceitos[27]. Quanta boa-fé! Quanta candura!

Pertence ainda a ela Le Monde Maçonnique, publicação bem mais audaciosa, por conseguinte mais franca e maçônica. Já a citamos diversas vezes. Esse periódico combate os dois outros, e os acusa de atrasados e formalistas; Le Monde Maçonnique apregoa abertamente o livre pensamento, a independência, muito acima de qualquer idéia de religião. Ela está do lado dos maçons liberais, que desejam reformar a maçonaria exterior e mesmo lograr a supressão oficial do nome “Grande Arquiteto do Universo”. Esse partido faz grandes progressos, embora ainda não tenha conseguido que as suas opiniões predominassem. Apesar de a maioria dos maçons jesuítas considerarem essa fórmula tão-somente uma pura formalidade, que deixa aos irmãos a plena liberdade ao ateísmo, todavia os maçons liberais se apegam à supressão dela: essa velharia cheira demais à religião e representa perigo.

A maçonaria ainda reivindica os jornais abomináveis que citamos faz pouco: La Morale independente, La Libre-Pensée, La Libre-Conscience, La Solidarité; e pouca ofensa se faria ao contar entre os seus produtos mais legítimos, ou ao menos entre os seus mais devotados auxiliares, numerosos jornais, grandes e pequenos, como Le Siècle, L’Opinion nationale, L’Avenir national, Le Temps, La Liberté, Le Journal des Débats. Essas folhas, todavia, não sentem a necessidade de datar os seus números em anos maçônicos. Também deixam sob uma penumbra discreta o jargão dos irmãos e amigos, além do famoso signo sacramental (...).

Revue des Deux Mondes está, da mesma forma, a serviço da maçonaria e da sua obra sacrílega. Quase todos os redatores dela são racionalistas conhecidos, ou heréticos; alguns são ateus, como Renan, Taine, Littré etc.

Assim, na França, a imprensa é em grande parte maçônica, ou seja, anticatólica e anticristã. Um verdadeiro perigo para a fé do povo!

XXV
A maçonaria começa a apropriar-se da infância por meio do ensino e da educação
Essa segunda arma talvez seja mais perigosa que a primeira. A maçonaria parece que a havia negligenciado um pouco, mas ela já despertou para isso, e começa a fazer os projetos que vamos conferir.

Com o batismo, o catecismo e a primeira comunhão, a Igreja faz cristãos e estabelece as bases da vida religiosa. Já a maçonaria, que é a anti-Igreja, não deseja nada disso ou, melhor dizendo, deseja substituir as bases cristãs pelas bases maçônicas, totalmente estranhas ao cristianismo. Antes de mais nada, ela trata de apor o selo maçônico em todas as criancinhas, por uma cerimônia de adoção que se cumpre “sob o brilho da luz maçônica”; à pobre criança adotada diz: “Que a luz maçônica brilhe nos teus olhos, como mais tarde a faremos brilhar no teu espírito”[28]. Assim como a criança batizada se torna cristã e membro da Igreja, assim a criança adotada se torna um lowton (“jovem lobo”). Esses lobinhos, se são pobres, têm direito ao auxílio dos irmãos...

Em um internato de Avignon, uma pobre mulher apresentara outrora às boas irmãs uma criancinha de onze meses, declarando à superiora que estava de passagem pela cidade, e pedindo remédios para o filhinho. A religiosa, ao acarinhar o doentinho, percebeu uma medalha estranha pendurada ao pescoço dele.

Que medalha é esta? – perguntou a irmã à mãe.
– É a medalha dos maçons – respondeu-lhe a pobre mãe.

Como a irmã a censurasse, esclarecendo-lhe que os maçons estavam excomungados, respondeu a infeliz sem vacilar:
– Ao apresentar-me com esta medalha ao chefe de uma Loja, logo conseguirei uma soma em dinheiro para ajudar-me a prosseguir a viagem.

Parece que em certos subúrbios de Paris o número de lowtons é bem considerável entre os filhos da classe operária. Pobrezinhos!

Os maçons, contudo, querem apossar-se das crianças por meio das escolas. “Convém preparar o mundo profano para receber os nossos princípios, dizia Le Monde Maçonnique (outubro de 5866). Considero a instrução primária a pedra angular do nosso edifício... Deve a instrução religiosa ser retirada do currículo?... O princípio de autoridade natural [quer dizer, a fé], que tira a dignidade do homem, é inútil para disciplinar as crianças [que ausência de senso prático!] e suscetível a levá-las ao abandono da moral [que ausência de senso moral!], portanto é urgente renunciá-lo. Nós ensinaremos os direitos e deveres em nome da liberdade, da consciência, da razão e ainda em nome da solidariedade. [Eis aí a tagarelice revolucionária, oca e sonora, que com as suas grandes palavras não sabe o que diz!] A maçonaria deve ser o modelo da sociedade moderna, e formar homens livres. [Conhecemos essa liberdade.] Abrir escolas, sobretudo escola para adultos, e orfanatos é a melhor maneira de vulgarizar a maçonaria.

Essa aspiração, que numerosas Lojas abraçaram, foi sancionada e realizada por um decreto do Grande Oriente da França (em janeiro de 5867 ou, em linguagem cristã, 1867). O decreto diz “que se decidiu em conselho que o G... O... encabeçará uma obra, cujo objetivo é encorajar e propagar a instrução primária, distribuindo todos os anos premiações quer aos professores e professoras, quer aos alunos, e abrindo, conforme as circunstâncias o permitam, escolas primárias e turmas para adultos”. A circular expõe ainda a organização da obra, que as Lojas ou os comitês nomeados levarão a cabo, o modelo das subscrições e a necessidade de desdobrar-se em zelo, estipulando que as recompensas e as cadernetas de poupança virão acompanhadas de uma medalha com a seguinte inscrição: “Grande Oriente da França. Encorajamento à instrução primária, dado em nome dos maçons do Oriente de...”.

No ano seguinte, decidiu-se que a maçonaria abriria quarenta escolas pelos vinte bairros de Paris, duas em cada bairro: uma para os meninos, e outra para as meninas.

A propaganda das escolas protestantes é decerto bem perigosa; já esta, se não me engano, também o será, mas de outra forma.

Para completar a coisa, Le Monde Maçonnique (janeiro de 5867) nos anuncia “a preparação de um Catecismo de Moral, para uso e entendimento das crianças. Esse catecismo lhes ensinará a escutar a consciência, em vez da tradição [ou seja, em vez da religião e da Igreja], a ser virtuoso por princípio [como se os cristãos não fossem virtuosos por princípio!], com convicção [como se a fé não fosse a mais sérias de todas a convicções, quiçá a única séria!] e desinteresse [como se a esperança do céu e o temor do inferno nos impedissem de servir e amar a Deus por Si só!]”. Para esse efeito, no mês de junho de 1867, ofereceriam um prêmio de quinhentos francos[29].

Enfim, em novembro de 1866, os maçons da Alsácia inauguraram uma liga de ensino para a França, imitando a que funcionava na Bélgica desde 1864. O princípio fundamental dessa liga é “não servir aos interesses particulares de nenhuma opinião religiosa”; em outros termos, proscrever em absoluto a fé do ensino e da educação. O Ir... Macé, promotor dessa liga ímpia, recolhera numerosas subscrições ao final de um mês, e Le Monde Maçonnique declarava (fevereiro de 1867) que “os maçons devem aderir em massa a essa liga beneficente, e as Lojas, estudar na paz dos seus templos [sic] as melhores maneiras de implementá-la”.

Na França existem cento e sessenta mil maçons; julguem os Srs. se o risco é quimérico! Alerto não somente os pastores de almas, mas ainda os pais de família que conservam no coração alguma centelha de fé! [...]

XXX
A Igreja muito justamente anatematizou a maçonaria inteira, sem nenhuma restrição
A maçonaria declara inocência, e se diz caluniada e injustamente condenada pela Igreja.

Já sabemos o suficiente para avaliar a pretensa inocência e a pretensa injustiça.

Crê a maçonaria na autoridade do Soberano Pontífice da Igreja Católica? Submete-se ela ao papa em tudo, como Deus o ordena? Não, mil vezes não. Crê na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo? Não. Crê em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, assim como Ele é e Se revelou ao mundo, assim como quer que O adorem? Não. Portanto, ela é, antes de tudo, culpada por revolta, impiedade, heresia e blasfêmia; portanto, é anticatólica, anticristã e atéia; portanto, está condenada; quando a Santa Sé a condenou, condenou-a com muita, muitíssima justiça.

Por outra perspectiva, de um cristianismo menos exclusivo, a maçonaria – não apenas a oculta, que as pessoas corretas reprovam, mas ainda a pública e exterior, cujas regras são conhecidas e quase entregues ao público – é uma instituição perigosa, perversa, imoral, contrária às leis mais elementares da justiça humana e boa ordem das sociedades. Para tanto, quero apenas uma prova: o juramento maçônico e a pena de morte que pune a sua violação.

A maçonaria não pode negar: no primeiro passo da iniciação, ao ingresso nas Lojas pelo grau de Aprendiz, no momento em que cai a venda que até então cobria os olhos do postulante – este vê as espadas nuas dos assistentes apontadas ao seu peito, e escuta os irmãos exclamar: “Que Deus puna o traidor”! E acrescenta o Venerável, após tranqüilizá-lo: “Se chegardes a trair a maçonarianenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras”. É ou não verdade que, para ser maçom, para ser recebido no primeiro grau de Aprendiz, deve-se prestar o juramento execrável que citamos ao longo do texto, transcrito do ritual da ordem maçônica[30]?

É impossível negar esses dois fatos. Ora, pergunto aos homens corretos, aos magistrados, o que é uma sociedade privada que, ao largo da sociedade civil, ameaça de morte, fria e oficialmente, todos os membros que fossem infiéis a sua lei? Que é uma sociedade particular que tem a audácia de afirmar: “Se fordes infiéis a mim, nenhum lugar da terra vos servirá de abrigo contra essas armas vingadoras”. Que é essa ameaça, senão ameaça de morte e assassinato? Ora, eis aí um crime que incide nas penas da lei em todos os países civilizados.

Que é, pergunto ainda, que é esse monte de imprecações que acompanham, ou melhor, que constituem o juramento maçônico? Um cristão, um homem de bem, um homem correto seria capaz, conscientemente, de doar-se assim, de corpo e alma, sob pena de morte, a uma sociedade qualquer, fora da Santa Igreja? A sociedade que impõe a todos os membros sem exceção, e que recebe semelhante juramento; uma sociedade privada que, desprezando todas as leis divinas e humanas, arroga-se direitos tão exorbitantes, em particular o direito de vida e morte sobre os milhões de homens que a compõem, é uma sociedade profunda e essencialmente imoral. Todas as vezes que a espada da Igreja a golpeia, golpeia-a justamente.

Assim, a maçonaria, condenável pela dupla perspectiva da razão e da fé, foi condenada com justiça pela Santa Sé que, nesta como em outras circunstâncias, cumpriu corajosamente a missão salutar que Deus lhe confiou. Encarregada de ensinar os povos, proclamar e defender a verdade, julgar, desmascarar e perseguir o erro e o mal, a Santa Igreja anatematizou solenemente a maçonaria, em todos os seus graus e formas. Ela excomungou, ou seja, retirou do seu seio, todos os cristãos, quem quer que sejam, que ousarem afiliar-se a ela, não obstante a proibição formal.

Todo maçom, pois, está excomungado, e justamente excomungado: dos simples aprendizes aos grandes orientes e grandes mestres, dos grandes notáveis aos pequenos associados, dos afiliados às Lojas aos adeptos das Lojas Secretas.

XXXI
Das condenações formais que os Soberanos Pontífices impuseram à maçonaria
Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “E aquele que se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano”. Ora, a Igreja, pela voz dos papas, condenou formal e solenemente a maçonaria.

Desde a primeira metade do século XVIII, quando a maçonaria se organizou de maneira mais evidente na Europa, o Papa Clemente XII a condenara pela bula de 27 de abril de 1738:
“Tendo em mente, diz o papa, o grande prejuízo que é muitas vezes causado por essas Sociedades ou Convenções não só para a paz do Estado temporal, mas também para o bem-estar das almas [...], depois de ter tomado conselho de alguns de nossos Veneráveis Irmãos entre os Cardeais da Santa Igreja Romana, e também de nossa própria reflexão a partir de certos conhecimentos e de madura deliberação, com a plenitude do poder apostólico, decidimos fazer e decretar que estas mesmas Sociedades, Companhias, Assembléias, Reuniões, Congregações, ou Convenções [...] de Maçons, ou de qualquer outro nome que estas possam vir a possuir, estão condenadas e proibidas, e por Nossa presente Constituição, válida para todo o sempre, condenadas e proibidas.

“Deste modo, acrescenta ele, Nós ordenamos precisamente, em virtude da santa obediência, que todos os fiéis de qualquer estado, grau, condição, ordem, dignidade ou preeminência, seja esta clerical ou laica, secular ou regular, mesmo aqueles que têm direito a menção específica e individual, sob qualquer pretexto ou por qualquer motivo, não devam ousar ou presumir o ingresso, propagar ou apoiar estas sociedades dos citados [...] maçons, ou de qualquer outra forma como sejam chamados, recebê-los em suas casas ou habitações ou escondê-los, associar-se a eles, juntar-se a eles, estar presentes com eles ou dar-lhes permissão para se reunirem em outros locais, para auxiliá-los de qualquer forma, dar-lhes, de forma alguma, aconselhamento, apoio ou incentivo, quer abertamente ou em segredo, direta ou indiretamente, sobre os seus próprios ou através de terceiros; nem exortar outros ou dizer a outros, incitar ou persuadir a serem inscritos em tais sociedades ou a serem contados entre o seu número, ou apresentar ou ajudá-los de qualquer forma; devem todos (os fiéis) permanecer totalmente à parte de tais Sociedades, Companhias, Assembléias, Reuniões, Congregações ou Convenções, sob pena de excomunhão para todas as pessoas acima mencionadas, apoiadas por qualquer manifestação, ou qualquer declaração necessária, e a partir da qual ninguém poderá obter o benefício da absolvição, exceto na hora da morte, salvo através de Nós mesmos ou o Pontífice Romano da época.”

Na época do Papa Bento XIV, algumas pessoas buscavam inculcar que já não vigorava a constituição de Clemente XII, e quem desde então ingressasse na sociedade dos maçons não incorria na pena de excomunhão. Após examinar a questão com seriedade, esse ilustre pontífice se apressou em desenganá-las, e com a bula de 18 de maio de 1751 confirmou a Constituição do predecessor em todas as suas disposições:
“Para que se não possa dizer que, imprudente, omitimos alguma coisa do que pode barrar a boca à mentira e à calúnia, resolvemos confirmar, como de fato confirmamos pelas presentes Letras, a Constituição acima referida, corroborando-a, renovando-a com toda a plenitude de nosso poder apostólico em tudo e sem reserva, como se fosse publicada por nós mesmo, por nossa própria autoridade, em nosso nome, e queremos e mandamos que tenha força e eficácia para sempre.”

A sociedade dos Carbonari, que, no começo do século XIX, invadiu toda a Europa e sobretudo a Itália, não passava, como já vimos, de uma ramificação da maçonaria. Na bula de 13 de setembro de 1821, o Papa Pio VII expõe as principais características dela, mostra-lhe a conexão íntima com a ordem maçônica, assinala os males que provocam temor na religião e na sociedade cristã – esses males, desde então até os dias de hoje, já se concretizaram totalmente. O venerável Pio VII, com esta constituição, condena com a pena de excomunhão, especialmente reservada à Santa Sé, aqueles que se associarem ou favorecerem de qualquer modo a seita maçônica.

Em 1825, o Papa Leão XII, ao considerar todas as sociedades secretas em conjunto, vislumbrava receoso os males que ameaçavam a religião e o estado; ele enxergava, com profunda dor, que nelas se pregava a indiferença religiosa, que a elas se afiliavam homens de todas as religiões e credos, que tais sociedades atribuíam a si o direito de vida e morte sobre quem violasse os segredos das Lojas e recusasse executar as ordens criminosas que ordenavam; estava temeroso do profundo desprezo que nelas se professava contra toda autoridade. Em conseqüência, pela bula de 13 de março de 1825, o Santo Padre renovou de modo inequívoco as constituições que os seus predecessores – Clemente XII, Bento XIV e Pio VII – publicaram contra as sociedades secretas, em particular contra os maçons, e proibiu, como eles, a todos os fiéis que se associassem e participassem delas, a qualquer título, sob pena de incorrer de fato em excomunhão, especialmente reservada à Santa Sé, de sorte que somente o papa poderia absolver o culpado, exceto em artigo de morte.

Enfim, na alocução de 25 de setembro de 1865, o Papa Pio IX lamenta, como os predecessores, todos os males que as sociedades secretas em geral, e a maçonaria em particular, causaram à religião católica e à civilização cristã. Ele renovou todas as disposições contidas nas constituições apostólicas dos papas Clemente XII, Bento XIV, Pio VII e Leão XII, especialmente a pena de excomunhão infligida contra quem seja afiliado a ela ou a favoreça de qualquer modo. Exorta os fiéis que tiveram a infelicidade de associar-se a elas, para que as abandonem sem demora e assegurem a própria salvação, ao mesmo tempo que exorta vivamente aos que até agora tiveram a felicidade de conservar-se distantes delas, para que nunca se deixem arrastar para esse perigoso abismo.

Já não há dúvida possível: quem se afilie à sociedade dos maçons incorre, pelo fato da afiliação, nas penas que Clemente XII em 1738, Bento XIV em 1751, Pio VII em 1821, Leão XII em 1825 e Pio IX em 25 de setembro de 1865 infligiram contra eles. Eles estão formalmente excomungados, não participam das orações da Igreja, já não devem assistir ao santo sacrifício da Missa e aos outros ofícios públicos, nem receber os sacramentos. Se morrerem nesse estado, não têm direito à sepultura eclesiástica, porque a Igreja deixou de contá-los entre os seus filhos.

Ou católico ou maçom, não há meio termo. “Não é possível ser ao mesmo tempo maçom e católico[31].”

XXXII
Que devemos fazer em face da grande conspiração anticristã
A Igreja tem uma constituição tão poderosa, que lhe basta ser ela mesma para desbaratar todas as conspirações de todos os seus inimigos. Não importa quantos somos: sejamos verdadeiros cristãos, católicos sérios, que isso será o suficiente.

A união faz a força. Os nossos inimigos entendem isso: a sua força está na união, e a sua união na obediência. Sejamos mais unidos que eles, e assim obedeçamos melhor que eles. A Igreja Católica se resume em duas palavras: Obediência e Amor. Obedeçamos amando, amemos obedecendo.

Antes e acima de tudo, obedeçamos em todas as coisas à cabeça da Santa Igreja, ao Nosso Santo Padre o Papa, Vigário de Jesus Cristo, Pastor e Doutor infalível de todos os cristãos[32].

Para que estejamos seguros de obedecer ao papa, obedeçamos ao nosso bispo, ao nosso padre, ao nosso confessor. Obedecendo-lhes, não obedecemos a homens, mas ao próprio Deus, que por eles nos ensina, conduz, perdoa e incentiva no caminho correto. Tanto a obediência maçônica é cega, louca, absurda, culpável, sacrílega, quanto a obediência católica é racional, razoável, legítima, nobre, santa e meritória. Que há de mais belo que obedecer a Deus?

À obediência juntemos o amor. A essência da união é o amor. Amemos uns aos outros, cristã e eficazmente. Se somos ricos, amemos os pobres; se são os nossos irmãos, é a Jesus Cristo que amamos e assistimos nas suas pessoas. Amemos os nossos padres, e os cerquemos com todas as espécies de deferência; amemos o nosso bispo, que é o pai e pastor das nossas almas e, mais ainda, amemos o papa. Eis a verdadeira fraternidade, cujo arremedo ímpio é a fraternidade maçônica, assim como a liberdade e a igualdade maçônicas são o arremedo da verdadeira liberdade cristã e da verdadeira igualdade. Os homens só são realmente iguais diante de Deus, e só são livres ao se tornarem filhos de Deus.

A maçonaria nos ataca pela imprensa: fiquemos de guarda, não leiamos nunca os maus jornais, instruamo-nos a fundo nas verdades da fé e, se pudermos, espalhemos ao nosso redor os bons livros católicos. Um bom livro é um missionário em miniatura, que muitíssimas vezes converte aquele que o carrega.

A maçonaria quer arrebatar-nos as almas dos nossos filhos, portanto reajamos com energia e façamos do mal sair o bem. Redobremos o zelo para salvar e santificar as crianças, para instruí-las e preparar valentes soldados para a Igreja. Pais e mães, não esqueçam que vocês têm o cuidado das almas, e que uma educação que não seja profundamente cristã seria nos dias de hoje, mais que nunca, um imenso perigo para os seus filhos.

Enfim, reanimemos ao nosso redor o espírito de família, que as seitas maçônicas querem substituir por não sei que quimera pretensamente patriótica, que só serve para exaltar a imaginação e perder a cabeça. Convençamo-nos disto: o remédio para o veneno maçônico é sermos verdadeiros cristãos, substituirmos o orgulho pela humildade, a obediência e a fé, amarmos de verdade a Nosso Senhor Jesus Cristo com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças.

Se não fizermos nada disso, teremos muito a temer; isso mesmo, muito a temer, neste mundo e no outro. Se, ao contrário, permanecermos fiéis a Deus e a sua Igreja, nada teremos a temer: o futuro nos pertence.

De duas, uma: ou a luta que se avista é a suprema luta da Igreja, ou não é. No primeiro caso, a Igreja, segundo a profecia, sucumbirá por um momento, como o Cristo no Calvário, e nós com ele; mas, como no Calvário, Satã será vencido, e a sua tropa irá queimar com ele no inferno – os maçons e os demais. Já nós, ao contrário, ao ressuscitarmos na glória para todo o sempre, iremos ao céu para ali reinar eternamente com Nosso Senhor Jesus Cristo. No segundo caso, devemos encarar a luta com uma confiança ainda mais alegre, pois o inimigo que nos impede o caminho pode alcançar triunfos parciais, mas logo a tempestade passará como passaram tantas outras; já neste mundo gozaremos, com a Santa Igreja, da vitória e da paz.

Em um ou outro caso, os nossos deveres são os mesmos: união, obediência, fé viva, caridade fraternal, zelo pela salvação das almas e a santa causa da Igreja.

Combatamos todos o bom combate, sob a gloriosa bandeira da Virgem Imaculada e de São Pedro.

(Tradução: Permanência)



[1] Os Cavaleiros do Templo foram instituídos para defender a fé na Terra Santa. Eles logo se expandiram por toda a Europa e granjearam uma imensa influência, graças às suas riquezas. Um dos seus primeiros grão-mestres se deixou seduzir pelos turcos e introduziu na Ordem, além de costumes contra a natureza, práticas sacrílegas que durante muitíssimo tempo permaneceram em profundo segredo. Felipe o Belo descobriu esses horríveis mistérios, e instou o Papa Clemente V para que punisse os Templários e suprimisse a Ordem. O principal objetivo de Felipe o Belo era o confisco dos bens da Ordem em proveito próprio. Esse pormenor histórico é atualmente um fato verificado.
[2] Com isso não quero dizer que os maçons herdaram esses horríveis costumes dos Templários; limito-me a constatar o parentesco que parece existir entre ambos.
[3] Grande parte das nossas informações foram tiradas da interessante obra do Sr. Alex de Saint-Albin, intitulada: Les Francs-Maçons et les Societés secrètes. Indicamo-la aos leitores que queiram estudar mais a fundo esse assunto importante.
[4] Ele escreveu um livro que, por ordem da loja capitular, do Oriente de Nancy, foi objeto “de uma reimpressão oficial, nomeada edição sagrada, apenas para uso das lojas e dos maçons”. Esse Ir.'. Ragon é um ancião venerável. Ao aprovar os escritos dele, o Grande Oriente proclamou que eles contêm a pura doutrina maçônica. Citá-lo-emos amiúde neste opúsculo, como uma fonte autêntica que o inimigo não pode desautorizar.
[5] Carta à Venda piemontesa, 18 de janeiro de 1822.
[6] Esses três pontos formam um triângulo misterioso, símbolo do igualitarismo que a maçonaria pensa que outorga a todas as regiões do globo, para que assim se eliminem todas as religiões e autoridades que não emanem dela.
[7] Histoire pittoresque de la Franc-Maçonnerie, p. 1 e 2.
[8] O Ir... Ragon, Cours philosophique et interprétatif des Initiations anciennes et modernes.
[9] Duas batidas rápidas e fortes (ao menos no rito escocês) e, após uma breve pausa, uma terceira mais leve. O Companheiro bate à porta da mesma maneira, por primeiro uma batida e depois duas. O Mestre bate três vezes as batidas do Aprendiz. O Venerável, ou Mestre da Loja, bate com grandeza olímpica uma única vez – é Júpiter que está à porta.
[10]  Em francês e outros idiomas ocidentais, a expressão “passar pelas forcas caudinas” — alusão à célebre batalha da Antigüidade, na qual os romanos foram trucidados após passarem pelo desfiladeiro das Forcas Caudinas — significa o mesmo que passar por uma experiência humilhante. [N.do E.]
[11] Montjoie, Histoire de la conjuration de Louis-Philippe d'Orléans-Égalité.
[12] Cours philosophique et interprétatif des Initiations anciennes et modernes, p. 388.
[13] Quem é esse judeu Rafael? Seria, por acaso, o traidor Judas, tão simpático ao Ir...  Renan?
[14] O Pe. Barruel, Le Jacobinisme dévoilé, tomo II, p. 312 e ss.
[15] Manifesto de abril de 1834.
[16] Para ludibriá-la melhor e atrair os militares, a seita acrescentou à usual organização das Vendas uma organização militar, ou melhor, de denominação militar: legião, coortes, centúrias, manípulos, etc.; de acordo com as necessidades do momento, ela se apresenta com uma ou outra cara.
[17] Histoire de dix ans, tomo I.
[18] Refere-se o autor à proclamação da efêmera “República Romana”: o papa é destronado e os bens da Igreja são confiscados. Sobre o tema, veja o artigo “Viva Pio IX!” da Revista Permanência nº. 280. [N. do E.]
[19] Bem recentemente, a filha de um maçom confirmava, por uma inocente indiscrição, a realidade desses procedimentos inexoráveis. Essa criança, de doze anos de idade, quase sempre escutava o seu pai falar sobre a maçonaria e declarar que fazia parte dela. Graças à influência da sua boa mãe, a menina foi internada em uma casa de educação religiosa. Ela chegou a repetir mais de uma vez diante das colegas, das religiosas e do padre coadjutor do estabelecimento estas palavras saídas da boca do pai: “Se algum de nós vier a trair o segredo que lhe foi confiado na maçonaria, irão persegui-lo até o fim do mundo e lhe darão sumiço, sem que nem a polícia nem quem quer que seja saiba o que aconteceu”.
[20] Carta da Venda piemontesa, de 18 de janeiro de 1822.
[21] Quando o materialista e ateu Helvécio morreu, a viúva devolveu as insígnias à Loja das Nove Irmãs, à qual ele pertencia. Ofereceram a Voltaire o avental de Helvécio; e Voltaire, o grande Voltaire, antes de cingi-lo, beijou-o piedosamente como a uma relíquia. Voltaire, que se apelidava a si mesmo de o Zomba-Cristo, não se contentou em ser recebido como maçom na Inglaterra: a sua consciência e piedade não se satisfizeram enquanto não se iniciou na maçonaria francesa. Admitiram-no em 7 de abril de 1778, sete semanas antes de morrer, certamente como preparação próxima [para a morte]. Aclamaram-no maçom perfeito desde o primeiro instante e dispensaram-no das provações, pois, declararam os Irmãos, “sessenta anos consagrados à virtude e ao talento já o fizeram bastante conhecido”.
[22] Monde maçonnique, edições de agosto de 1866 e fevereiro de 1867.
[23] Ver o Rituel Maçonnique.
[24] Gazette des Francs-Maçons, em 15 de dezembro de 1866.
[25] Ibid., setembro de 1866.
[26] Monde Maçonnique, novembro de 1866.
[27] Número de janeiro de 1867.
[28] Ir.’. Ragon, Rituel d’adoption des jeunes Louvetons.
[29] Aproximadamente R$ 22.250,00, em luíses de ouro [N. T.].
[30] Ver cap. VIII.
[31] Le Monde Maçonnique, maio de 1866, p. 6.
[32] A grande virtude da obediência supõe um estado normal da vida da Igreja, quando os papas defendem a verdade e a fé. Diante dos erros de Vaticano II que põem em grave perigo a nossa fé, nem sempre podemos aplicar a virtude da obediência às palavras ou ordens do papa e dos bispos. Nesse caso vale aquilo do Apóstolo: “Deve-se obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5, 29). [N. do E.]

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