São João Bosco
Passarão cem
anos, mil anos, e o Inferno estará apenas começando; passarão cem mil anos, cem
milhões de anos, milhões de milhões de anos e de séculos…e o Inferno estará
ainda apenas começando.
Se um Anjo
anunciasse a um condenado que Deus haveria de livrá-lo do Inferno depois de
passar tantos milhões de séculos como gotas de água que há no mar, ou folhas de
árvores e grãos de areia no mundo, essa notícia lhe causaria logo um consolo
indizível.“É certo, exclamaria, que é imenso o número de séculos que sofrerei,
afinal, haverá um dia em que eles acabarão”.
Mas, ai!
passarão esses milhões de séculos e uma infinidade de outros, e o Inferno
estará sempre apenas começando.
Cada condenado
quereria poder dizer a Deus: “Senhor, aumentai quanto quiserdes minhas penas, e
fazei-me permanecer aqui o tempo que quiserdes, contanto que me deis a
esperança de ver este suplício acabar um dia!” Mas não! Esse término e essa esperança
jamais chegarão.
2º) Se ao menos
o condenado pudesse iludir-se a si mesmo, pensando consigo: “Quem sabe se Deus
algum dia terá piedade de mim e me tirará deste abismo!”
Mas, não! Jamais
abrigará esta esperança! O condenado terá sempre presente a sentença de sua
condenação eterna: “Este
tormentos, este fogo, estes horríveis gritos, eu os terei para sempre”.
Sempre! verá
escrito nas chamas que o devoram. Sempre! na ponta das espadas que o
transpassam; Sempre!, nas horríveis fisionomias dos demônios que o atormentam;Sempre!,
naquelas portas fechadas que jamais se abrirão para ele!
Ó eternidade, ó
abismo sem fundo! Ó mar sem limites! Ó caverna sem saída! Quem não tremerá
pensando em ti? Ó maldito pecado, que tremendos suplícios preparas para quem te
comete!
Ah! Basta de
pecados, basta de pecados em toda a minha vida!
3º) O que deve
encher-te de espanto é pensar que essa horrível fornalha está sempre aberta
debaixo de teus pés e que basta um único pecado mortal para cair nela.
Compreendes, meu
filho, isto que lês? Um pecado que cometes com tanta facilidade merece uma pena
eterna. Uma blasfêmia, uma profanação dos dias festivos, um furto, um ódio, uma
palavra, um ato, um pensamento obsceno, bastam para condenar-te às penas do
Inferno.
Ah! meu filho,
ouve atentamente o meu conselho; se a consciência te censura de algum pecado,
vai imediatamente confessar-te para principiar logo uma boa vida; põe em
prática todos os conselhos do teu confessor e se for necessário faz uma
confissão geral; promete fugir das ocasiões perigosas, das más companhias, e se
deus te chamar a deixar o mundo, obedece-Lhe com prontidão.
Tudo o que se
faz para evitar uma eternidade de tormentos é pouco, é nada: “nenhuma segurança
é excessiva quando está em jogo a eternidade”, escreveu São Bernardo.
Oh! quantos
jovens na flor da idade abandonaram o mundo, a pátria, a família e foram
sepultar-se nas grutas e desertos, não vivendo senão de pão e água, às vezes só
de algumas raízes!…E tudo isso para evitarem o Inferno!
E tu, o que
fazes, depois de merecer tantas vezes o Inferno pelo pecado?
Lança-te aos pés
de teu Deus e diz a Ele: “Senhor, vede-me pronto a fazer tudo o que quiserdes;
já Vos ofendi demais até agora; de hoje em diante não Vos quero mais ofender;
enviai-me, se preciso, todos os males nesta vida, desde que possa salvar minha
alma”.
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