Se quiséssemos fazer um resumido inventário desse
pontificado, teríamos de começar evidentemente pelo Concílio Vaticano II e mais
especialmente pela Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual, o
Decreto sobre o ecumenismo, a Declaração sobre a liberdade religiosa e pelo
discurso de encerramento pronunciado pelo Sumo Pontífice.
Em seguida mencionaríamos as reformas litúrgicas
feitas “para acomodar a santa liturgia” à mentalidade contemporânea, e mais
especialmente o novo Ordo
Missae, e especialmente o ponto 7 da Institutio
Generalis do mesmo. Em
seguida lembraríamos a campanha desencadeada no mundo inteiro contra o IV
mandamento de Deus e a promoção do “jovem”. Em seguida falaríamos sobre a
acintosa heterodoxia de vários autores sob a benevolente tolerância que
encontram e que prova o desgoverno da Igreja.
Mencionamos alguns pregadores dessas novas e
destetáveis doutrinas: Karl Rahner, Hans Kung, Ratzinger (elevado ao
cardinalato), J. B. Metz, Schillebeckx, Yves Congar, Gonzales-Ruiz; e na
América Latina: Juan Segundo, Segundo Galilea, Gustavo Gutierez, e no Brasil,
Leonardo Boff, Carlos Mesters, e outros.
A esses abusos e aos correlatos descasos pelo Depósito
Sagrado, acrescentaríamos os aberrantes produtos da nova pastoral catequética.
De um modo geral falaríamos na protestantização da Igreja e finalmente mencionaríamos
a Ost-Politik do Vaticano.
Diante de todas essas aberrações não hesitaríamos em
dizer que o pontificado de Paulo VI foi o mais tormentoso e desastroso de toda
a história da Igreja.
Como resultado global, temos hoje um cisma mais
profundo e mais grave do que o Grande Cisma do Ocidente ocorrido no século XIV.
Com uma diferença: naquele tempo os fiéis católicos estiveram hesitantes diante
de duas obediênciais, e até alguns grandes santos, como São Vicente Ferrer,
enganavam-se de papa (escolhendo Clemente VII em vez de Urbano VI), MAS NÃO SE
ENGANAVAM DE IGREJA, que permanecia una, íntegra, nas duas obediências. Hoje,
ao contrário, temos duas Igrejas: a Igreja Católica, fundada por Nosso Senhor
Jesus Cristo, e outra reformada, alterada, adulterada em favor de um humanismo
sem dimensões sobrenaturais, e ostensivamente apegado às coisas temporais, usque ad contemptum Dei.
E eu recio muito que Paulo VI pretenda ser o Papa
dessas duas Igrejas; e até tremo de pensar que talvez tenha preferência pela
nova que tem como obra sua.
Revista Permanência (maio-junho) n.ºs 114/115 (1978)
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