Embora
a pergunta fosse, de certa forma, simples, Santo Agostinho aborda uma série de
fatos importantes e interessantes a respeito dos mortos, que até hoje são
conservados e respeitados pela Igreja. Entre outras coisas, fala da utilidade
da oração pelos mortos (antiquíssimo testemunho do Purgatório, ainda que tal
palavra não apareça), a possibilidade da aparição dos mortos aos vivos (através
do ministério dos anjos ou por permissão direta de Deus), a oração dos santos
falecidos a nosso favor, o dia que a Igreja dedica a todos os falecidos (Dia de
Finados), etc.
PARTE V
CAPÍTULO XVIII
Conforme o que expomos anteriormente, eis o que devemos pensar a
respeito dos benefícios prestados aos mortos a quem dedicamos os nossos
cuidados: nossas súplicas só lhes serão proveitosas se forem oferecidas de modo
conveniente, no
sacrifício do altar, em nossas orações e esmolas. Também é necessário dizer que [nossas súplicas] não serão proveitosas a todos a quem pretendemos ajudas, mas tão somente àqueles que tornaram-se dignos, durante a vida, de receber tal benefício. Contudo, como não podemos discernir quem sejam, convém apresentar súplicas a todos os regenerados, para que não omitemos alguém entre aqueles que possam se servir desses benefícios. Melhor ainda é que haja sobras dessas boas obras, mesmo oferecidas para aqueles que não podem se beneficiar delas, para que não venham a faltar para aqueles que podem tirar proveito. Entretanto, é mais natural que sejam oferecidas pelos amigos, a fim de que tais cuidados também sejam prestados mais tarde à nós.
sacrifício do altar, em nossas orações e esmolas. Também é necessário dizer que [nossas súplicas] não serão proveitosas a todos a quem pretendemos ajudas, mas tão somente àqueles que tornaram-se dignos, durante a vida, de receber tal benefício. Contudo, como não podemos discernir quem sejam, convém apresentar súplicas a todos os regenerados, para que não omitemos alguém entre aqueles que possam se servir desses benefícios. Melhor ainda é que haja sobras dessas boas obras, mesmo oferecidas para aqueles que não podem se beneficiar delas, para que não venham a faltar para aqueles que podem tirar proveito. Entretanto, é mais natural que sejam oferecidas pelos amigos, a fim de que tais cuidados também sejam prestados mais tarde à nós.
Tudo o que se faz quanto ao sepultamento digno dos falecidos não é
para obter a sua salvação, mas para cumprir um dever de humanidade, conforme o
sentimento natural de que "ninguém odeia a sua própria carne"52.
Portanto, é certo que se tenha pelo corpo do próximo o cuidado que ele próprio
não pode mais se dar por ter deixado esta vida. E, já que esse cuidado é tido
até mesmo por aqueles que negam a ressurreição da carne, nada mais justo que
aqueles que crêem [na ressurreição] o façam ainda com maior solicitude. Assim,
que o cuidado tributado a esse corpo sem vida - mas que haverá de ressuscitar e
permanecer por toda a eternidade - se constitua no testemunho claro dessa mesma
fé.
Quanto à sepultura próxima ao túmulo dos mártires, eis a única
utilidade que me parece trazer para o defunto: colocando-a sob a proteção dos
mártires, ela torna mais viva a caridade daqueles que oram por ele.
Tais são as respostas que posso apresentar às tuas questões.
Desculpa-me se me estendi por demais, mas isso decorre do prazer e afeição que
sinto ao conversar contigo. Peço-te que me escrevas, para que eu possa conhecer
as impressões que Vossa Venerável Caridade sentiu ao ler este trabalho.
Sem sombra de dúvida, o portador desta carta torna-la-á mais
agradável. Trata-se do nosso irmão no sacerdócio, Candidiano, que conheci por
ter-me trazido as tuas cartas. Acolhi-o de corações e vejo-o partir com pesar,
pois sua presença na caridade de Cristo foi grande consolo para mim. Graças à
sua insistência - devo confessar - vi-me obrigado a responder-te, pois o meu
coração está sobrecarregado por muitas e muitas preocupações; se ele não me
lembrasse frequentemente, certamente teria me esquecido e o teu pedido ficaria
sem resposta.
52cf. Ef 5,29.
FONTE: AGNUS DEI (O CUIDADO DEVIDO AOS
MORTOS)
LINK DA
POSTAGEM: http://agnusdei.50webs.com/agmorto5.htm
Parte V - Conclusão e
Encaminhamento - capítulo XVIII
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