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09/05/2014

A carta, o Santo e a luta



São José de Anchieta foi canonizado recentemente e algumas mentes esquerdistas já praguejam. Alegam, resumidamente, que a canonização legitimou a colonização portuguesa no Brasil, deu razão à conversão dos índios e ainda justificou o antiecumenismo contra os protestantes.
Isto é verdade.
E é excelente.
A primeira carta sobre o Brasil é a, famosíssima e pouco lida, de Pero Vaz de Caminha.
Num excerto dela está escrito:
“(…) Contudo, o melhor fruto que dela [das terras do Brasil]  se pode tirar parece-me que será salvar esta gente [os índios]. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza [Rei de Portugal] em ela deve lançar (…)”.[1]
O dito não foi bravata nem demagogia. Sob a tutela do Padroado, Portugal enviou, incontinenti, vários missionários para a Terra de Santa Cruz.
Um deles foi São José de Anchieta, o santo apóstolo do Brasil. Era parente do gigante da fé, Santo Inácio, e jesuíta.
Em sua vida no Brasil, fez muitos milagres e transformou muitos índios canibais em católicos devotos.
Certa vez cruzou seco o rio Tietê, outra vez, levitou em uma aldeia indígena e no litoral capixaba andou na praia sob a sombra de um séquito de aves que o protegiam do sol escaldante.
Escreveu livro de catequese em tupi e fazia teatro com os índios. Fundou várias cidades.
Nesta Terra Brasilis, onde eram entoados cantos para o demônio, passou-se a fazer música em louvor a Nossa Senhora.
Onde era praticado em grande escala o infanticídio, passou-se a ensinar o catecismo.
Onde os velhos eram largados para morrer no mato ou nos campos, edificaram Santas Casas de Misericórdia.
Um destes idosos deixados para morrer, São José de Anchieta converteu e batizou quando andava num caminho isolado e ouviu um murmúrio.
Certa feita, calvinistas franceses ocuparam a futura cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Uma guerra foi anunciada. De um lado, os calvinistas franceses e seus índios aliados e do outro lado, os portugueses e seus índios aliados e convertidos.
São José de Anchieta ajudou nos esforços para a guerra, reunindo muitos índios e dando assistência religiosa.
Nesta guerra, milagres foram relatados e atribuídos a São Sebastião. Estácio de Sá, um verdadeiro herói, havia fundado o Rio de Janeiro sob a proteção deste santo.
Na batalha das canoas, São Sebastião foi visto lutando contra os protestantes.
Por fim, os católicos venceram e os calvinistas sobreviventes ou que não fugiram foram enforcados.
São José de Anchieta converteu muitos deles antes da forca.
Bons tempos aqueles, que índios eram batizados, protestantes eram combatidos e convertidos e acreditava-se que fora da Igreja, não há salvação.
E que havia santos e missionários.
Por isso, o ódio dos esquerdistas contra a canonização.
São José de Anchieta, rogai por esta Terra de Santa Cruz.

Marcelo Andrade, 12 de abril de 2014.


Fonte: Monfort (A carta, o Santo e a luta)


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