Desta forma, a expressão do Belo auxilia na elevação moral e intelectiva, do qual a sociedade contemporânea está tão carente.
Paulo Roberto de Oliveira Santos
Valor e desvalor em pé de
igualdade, indistinção entre bem e mal, certo e errado, verdadeiro e falso e
belo e feio são algumas das confusões da era contemporânea. A inteligência não
se desenvolve, a educação se reduz a treino sensório-motor ou doutrinação
ideológica, o que resulta em uma ou várias gerações incapazes de perceber os
erros da atualidade e ter real autonomia.
Sem dúvida, um dos fatores que
desenvolve a inteligência é a formação do senso estético, algo que é quase
totalmente desconhecido da maioria das pessoas na atualidade. O senso estético
desenvolve a percepção do Belo, que ao lado do Verdadeiro, do Bom e do Uno,
desenvolvem e formam a inteligência.
Nesse sentido, a Cristandade oferecia
a seus fieis o ideal do Belo, a formação do senso estético, e o fazia através
de seus vitrais, músicas, bem como da arquitetura de suas igrejas, mosteiros e
catedrais. Isso era acessível a todos os fiéis, dos mais ricos aos mais pobres,
não havendo preocupação frenética com a questão do acesso às obras de arte que
existe na contemporaneidade.
Tamanha preocupação remete à
chamada democratização da arte, o que não necessariamente forma o senso
estético, fim último da obra de arte. Ao contrário, há a criação de diversas
linguagens de expressão artística, de diversos espaços para produção e
divulgação dessa chamada arte; isso se tornou um mercado, uma indústria, no
qual a última coisa que realmente importa é a expressão da beleza, pois o que
se busca de fato é o que vende. Entretanto, o que vende, muitas vezes, é a
imoralidade, a vulgaridade, a fealdade, o erro, a ideologia, a doutrinação, a
confusão. O que hoje se chama de arte e as pessoas que são aclamadas como
artistas nada ou pouco contribuem com a formação do senso estético, com o
desenvolvimento da inteligência, o que resulta na situação descrita
anteriormente.
Ademais, a questão do acesso à arte
faz com que as obras de arte se reduzam ao pouco senso estético que muitas
pessoas tem, situação completamente contrária ao ideal de desenvolvimento e
formação da inteligência, que supõe necessariamente elevação. Portanto, as
obras de arte deveriam promover a elevação do ser humano, iniciando pela
formação da inteligência, da qual o senso estético é imprescindível.
A inteligência sólida e robusta faz
o ser humano conhecer o Verdadeiro, e rejeitar o aparente; desta forma, é
possível ao homem conhecer o bem para escolhê-lo livremente, e assim, fazer de
um ato de bondade uma prática, um hábito, promovendo sua elevação moral. O
senso estético é parte intrínseca deste processo visto que a percepção do Belo
é o primeiro passo para o conhecimento do Bem, da Verdade, o que remete o homem
à Unidade para o qual foi criado, isto é, a felicidade ou beatitude.
Enfim, a formação do senso estético é
fundamental para que o valor esteja acima do desvalor e para que haja real
distinção, bem como percepção da superioridade do bem sobre o mal, do certo
sobre o errado, do belo sobre o feio. Desta forma, a expressão do Belo auxilia
na elevação moral e intelectiva, do qual a sociedade contemporânea está tão
carente. Mérito da Cristandade, que sem a preocupação frenética do acesso à
obra de arte, oferecia a expressão do Belo a seus fiéis.

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