"E não só de superpoderes ou grandes habilidades são feitos estes heróis, alguns deles praticam bons atos, em certos momentos, e outros demonstram ser realmente virtuosos."
Paulo Roberto de Oliveira Santos
Diversos heróis foram criados nos
Estados Unidos ao longo do século XX, primeiramente ganhando espaço nas
histórias em quadrinhos e depois ganhando desenhos animados, seriados, e mais
recentemente, filmes. Capitão América, Homem Aranha, Super Homem, Mulher
Maravilha, X-Men e tantos outros superpoderosos (ou super humanos) são os
responsáveis por salvar sua cidade ou até mesmo todo o planeta das maldades de vilões,
alguns também superpoderosos.
Em diferentes épocas e com
diferentes intuitos, estes personagens foram criados, sendo o interesse
principal, na maioria dos casos, a propaganda americana como guarda da
liberdade não só nacional, mas também mundial. E não só de superpoderes ou
grandes habilidades são feitos estes heróis, alguns deles praticam bons atos,
em certos momentos, e outros demonstram ser realmente virtuosos.
Os interesses geopolíticos dos
Estados Unidos fizeram surgir diversos personagens. Porém, os tempos de grave
crise devem suscitar verdadeiros heróis; não os personagens superpoderosos,
superdotados ou mega habilidosos, mas os homens e mulheres que escolham viver
virtuosa e sabiamente, independentemente de qualquer situação.
O tempo urge e a crise é grave. Quem
quiser, pode escolher um setor e verá a gravidade da crise: na Igreja, no
(des)ordenamento social e jurídico da maioria dos países, na educação, na
moralidade, nos costumes, na arte, no Estado e nas suas instituições e especialmente
nas famílias. Corrupção, fraude, inveja, ódio, homicídio, roubo, calúnia,
mentira, conspiração, injustiça e tantas outras mazelas sempre estarão
presentes onde estiver o homem, pois este sempre se inclinará ao pecado e ao
erro. Por isso, há a necessidade dos verdadeiros heróis: os sábios que investiguem,
conheçam, divulguem e defendam a verdade; os virtuosos que combatam os erros e
os pecados com as virtudes e o zelo pelas coisas do céu. E certamente os
mártires, que sejam vocacionados a dar suas vidas pela verdade, pelo bem. Isso
é heroísmo verdadeiro.
Uma sociedade semelhante já
existiu. É chamada Cristandade e predominou na Europa nos séculos V ao XV da
Era Cristã. Sim, haviam erros, pecados, mentiras e tantas outras misérias que
levam almas para o inferno. Mas haviam os heróis da fé. E havia especialmente um
ciclo cultural voltado para as coisas sublimes, para o bem, a verdade, o céu. E
havia ainda famílias bem ordenadas, que eram a base para essa sociedade.
Obviamente é possível reestabelecer
uma sociedade baseada na virtude e não nos bens materiais que alguém possui ou
que quer possuir a qualquer custo. Um dos caminhos é a cultura: se os
marqueteiros americanos souberam criar tantos heróis, não saberão os sábios e
virtuosos propagar a fé, assim como o soube Santo Inácio de Loyola? Se os engenheiros
sociais souberam, pacientemente, moldar um mundo anticristão, não saberão os
cristãos, a exemplo dos heróis da fé dos primeiros séculos da Era Cristã,
moldar uma sociedade semelhante à Cidade de Deus, como ensinava Santo
Agostinho?
Não há dúvidas de que é necessário –
heroicamente – a restauração da Igreja e das famílias. E antes disso, é
necessária a graça de Deus, que guiou seus santos no estabelecimento de um
ciclo cultural capaz de criar tantas pessoas capazes de amar a Deus até o
desprezo de si próprias. Esses são os heróis de que os tempos atuais precisam.
Não aqueles que lançam teias, escudos, que tem garras e são imortais, que são
telecinéticos, que controlam o metal ou que tem supervelocidade. Mas sim
aqueles que se revestem da armadura de Deus, que resistam a esses dias maus,
que se mantenham inabaláveis no cumprimento de seu dever, que sejam cingidos
com a verdade, vestidos com a couraça da justiça, que tenham o escudo da fé e
usem a espada da palavra de Deus.

E muitos heróis da fé estão disfarçados de homens comuns. Sacerdotes por caridade, voltem a usar a batina, ou pelo menos o clergyman.
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