(Santo Agostinho de Hipona; Tratado sobre o Evangelho de São João 115,2-5 [CCL 36,644-646]).
“Meu reino não é deste mundo”: o Seu reino finca
raízes aqui, mas apenas até o fim do mundo. Com efeito, a ceifa é o fim do
mundo, quando virão os ceifadores, isto é, os anjos, e arrancarão do Seu reino
todos os corruptos e ímpios, o que não seria possível se o Seu reino não
estivesse aqui. E, ainda assim, [o Seu reino] não é daqui, pois encontra-se no
mundo como peregrino. Por isso, diz em seu reino: “Não sois do mundo, pois Eu
vos escolhi retirando-vos do mundo”.
Assim, eram do mundo enquanto não eram do Seu reino; logo, pertenciam ao príncipe do mundo. Portanto, é do mundo tudo o que no homem foi criado, sim, pelo Deus verdadeiro, mas que foi gerado da estirpe
viciada e condenada de Adão; e já foi convertido no reino, não mais deste mundo, tudo o que a partir de então foi regenerado em Cristo. Desta forma, Deus nos tirou do domínio das trevas e nos trasladou ao reino do Seu Filho amado. Deste reino diz: “Meu reino não é deste mundo”; ou: “Meu reino não é daqui”.
Pilatos disse-lhe: “Então tu és rei?”; Jesus respondeu-lhe: “Tu o dizes: sou rei”. A seguir, acrescentou: “Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para ser testemunha da verdade”. Deduz-se claramente que se refere aqui ao seu nascimento no tempo, quando encarnado veio ao mundo; não [se refere] àquele outro sem princípio no qual era Deus e por meio do qual o Pai criou o mundo. “Para isto” diz ter nascido, ou seja, esta é a razão do seu nascimento; e “para isto” veio ao mundo – nascendo certamente de uma virgem: para ser “testemunha da verdade”. Entretanto, como a fé não está em todos, acrescentou e disse: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
“Escuta a minha voz”, porém com os ouvidos interiores, isto é, “obedece a minha voz”, o que equivale dizer: “Crê em mim”. Sendo, pois, Cristo testemunha da verdade, realmente dá testemunho de Si mesmo. É efetivamente sua esta afirmação: “Eu sou a verdade”; e em outro lugar diz também: “Eu dou testemunho de Mim mesmo”. Ao acrescentar: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”, alude à graça com que chama os predestinados.
Pilatos disse-lhe: “E o que é a verdade?” E não esperou para ouvir a resposta; tendo dito isto, saiu outra vez para onde estavam os judeus e disse-lhes: “Não encontro nele culpa alguma”. Suponho que quando Pilatos perguntou: “O que é a verdade?”, lhe veio imediatamente à mente o costume dos judeus de que por ocasião da Páscoa um preso era colocado em liberdade; por isso, não deu tempo para que Jesus lhe respondesse o que é a verdade, para que não perdesse tempo, tendo lembrado do costume que poderia ser um álibi para colocá-Lo em liberdade por ocasião da Páscoa. Não há dúvida de que [Pilatos] desejava isso ardentemente. Porém, não conseguiu afastar o seu pensamento da idéia de que Jesus era o rei dos judeus, como se ali – como também escreveu no título da Cruz – a própria Verdade o tivesse encravado, essa mesma verdade que ele havia perguntado o que era.
Assim, eram do mundo enquanto não eram do Seu reino; logo, pertenciam ao príncipe do mundo. Portanto, é do mundo tudo o que no homem foi criado, sim, pelo Deus verdadeiro, mas que foi gerado da estirpe
viciada e condenada de Adão; e já foi convertido no reino, não mais deste mundo, tudo o que a partir de então foi regenerado em Cristo. Desta forma, Deus nos tirou do domínio das trevas e nos trasladou ao reino do Seu Filho amado. Deste reino diz: “Meu reino não é deste mundo”; ou: “Meu reino não é daqui”.
Pilatos disse-lhe: “Então tu és rei?”; Jesus respondeu-lhe: “Tu o dizes: sou rei”. A seguir, acrescentou: “Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para ser testemunha da verdade”. Deduz-se claramente que se refere aqui ao seu nascimento no tempo, quando encarnado veio ao mundo; não [se refere] àquele outro sem princípio no qual era Deus e por meio do qual o Pai criou o mundo. “Para isto” diz ter nascido, ou seja, esta é a razão do seu nascimento; e “para isto” veio ao mundo – nascendo certamente de uma virgem: para ser “testemunha da verdade”. Entretanto, como a fé não está em todos, acrescentou e disse: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
“Escuta a minha voz”, porém com os ouvidos interiores, isto é, “obedece a minha voz”, o que equivale dizer: “Crê em mim”. Sendo, pois, Cristo testemunha da verdade, realmente dá testemunho de Si mesmo. É efetivamente sua esta afirmação: “Eu sou a verdade”; e em outro lugar diz também: “Eu dou testemunho de Mim mesmo”. Ao acrescentar: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”, alude à graça com que chama os predestinados.
Pilatos disse-lhe: “E o que é a verdade?” E não esperou para ouvir a resposta; tendo dito isto, saiu outra vez para onde estavam os judeus e disse-lhes: “Não encontro nele culpa alguma”. Suponho que quando Pilatos perguntou: “O que é a verdade?”, lhe veio imediatamente à mente o costume dos judeus de que por ocasião da Páscoa um preso era colocado em liberdade; por isso, não deu tempo para que Jesus lhe respondesse o que é a verdade, para que não perdesse tempo, tendo lembrado do costume que poderia ser um álibi para colocá-Lo em liberdade por ocasião da Páscoa. Não há dúvida de que [Pilatos] desejava isso ardentemente. Porém, não conseguiu afastar o seu pensamento da idéia de que Jesus era o rei dos judeus, como se ali – como também escreveu no título da Cruz – a própria Verdade o tivesse encravado, essa mesma verdade que ele havia perguntado o que era.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Antes de postar seu comentário sobre a postagem leia: Todo comentário é moderado e deverá ter o nome do comentador. Caso não tenha a identificação do autor (anônimo) ou sua origem via link não seja identificada e mesmo que não tenha o nome do emitente no corpo do texto, bem como qualquer tipo de identificação, poderá ser publicado se julgarmos pertinente ou interessante ao assunto, como também poderá não ser publicado, mesmo com as devidas identificações do autor se julgarmos o assunto impertinente ou irrelevante. Todo e qualquer comentário só será publicado se não ferir nenhuma das diretrizes do blog, o qual reservamos o direito de publicar ou não, bem como de excluí-los futuramente. Comentários ofensivos contra a Santa Madre Igreja não serão aceitos; de hereges, de pessoas que se dizem ateus, infiéis, de comunistas só serão aceitos se estiverem buscando a conversão e a fuga do erro. De indivíduos que defendem doutrinas contra a Verdade revelada, contra a moral católica, de apoio a grupos ou ideias que, contrários aos ensinamentos da Igreja, ao catecismo do Concílio de Trento, ferem, denigrem, agridem, cometem sacrilégios a Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, a Mãe de Deus, seus Anjos, Santos, ao Papa, ao clero, as instituições católicas, a Tradição da Igreja, também não serão aceitos. Apoio a indivíduos contrários a tudo isso, incluindo ao clero modernista, só será publicado se tiver uma coerência e não for qualificado como ofensivo, propagador do modernismo, do sedevacantismo, do protestantismo, das ideologias socialistas, comunistas e modernistas, da maçonaria e do maçonismo, bem como qualquer outro tópico julgado impróprio, inoportuno, imoral, etc. Alguns comentários podem ser respondidos via e-mail, postagem de resposta no blog, resposta no próprio comentário ou simplesmente não respondido. Reservo o direito de publicar, não publicar e excluir os comentários que julgar pertinente. Para mensagens particulares, dúvidas, sugestões, inclusive de publicações, elogios e reclamações, pode ser usado o quadro CONTATO no corpo superior do blog versão web. Obrigado! Adm do blog.