O papa Francisco morreu no dia 21 de abril de 2025 por volta das 07:35, horário do Vaticano, e além da tristeza pelo ocorrido, começamos a buscar quem será seu sucessor, quais os mais indicados, os preferidos por um ou outro grupo ideológico, pelos fiéis, pela cúria, qual o perfil de cada cardeal apontado como possível papa e o que esperar dele pela Igreja?
![]() |
| Imagem: internet Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano |
![]() |
Cardeal Pietro Parolin e Kevin Joseph Farrell, Cardeal Camerlengo da Igreja, comunicando da morte do papa em trajes paisanos. |
- Ordenação de mulheres: opõe-se à ordenação de mulheres como sacerdotes, mas defende uma maior participação feminina na administração da Igreja Católica;
- Padres casados: manifestou uma visão mais aberta sobre o celibato sacerdotal, considerando-o como uma tradição eclesiástica e não um dogma, portanto, passível de discussão, “É preciso se interrogar sobre o celibato. O magistério não é um monólito imutável”, disse o cardeal;
- Casamento de mesmos sexos e benção: chegou a condenar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, rotulando como "uma derrota para a humanidade", mas defendeu a decisão do Papa Francisco de aprovar a bênção de casais homossexuais, dizendo: “É sempre bom. O importante é que avancemos de acordo com o que chamamos de ‘progresso na continuidade’. A Igreja sempre passou por mudanças: a Igreja de hoje não é a mesma de 2.000 anos atrás. Ela está aberta aos sinais dos tempos, atenta às necessidades emergentes”;
- Missa Tradicional: reafirmou que se opõe à liturgia tradicional, colaborou na elaboração de Traditionis custodes, o motu proprio de Francisco que restringiu a celebração da missa tridentina e pressionou por mais restrições tendo elaborado outro documento com tais restrições que não foi assinado pelo papa.
![]() |
| Imagem: Wikipédia Cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana |
![]() |
| Logo da Comunidade Santo Egídio |
Alguns importantes posicionamentos do cardeal Matteo Zuppi:
- Ordenação de mulheres: É contra. Teria dito: “Hoje eu diria que não (amanhã diria sim? Nota editor)”;
- Padres casados: Comentou que na Igreja Católica já tem padres casados, citando: “Se você vai à Ucrânia ou à Romênia, nas comunidades de rito bizantino unidas a Roma possuem padres casados, é uma disciplina que pode ser alterada”;
- Casamento de mesmos sexos e benção: Se posiciona contra as uniões entre mesmo sexo. Sobre as benções aos que se unem é favorável. Em 2018 escreveu o prefácio do livro do padre jesuíta James Martin (ativista do movimento homossexual) Construindo uma ponte, e em 2020 escreveu outro prefácio de um livro sobre o mesmo assunto chamado A Igreja e a Homossexualidade de Luciano Moia que defendia uma mudança da Igreja sobre o assunto. Foi acusado de encobrir bênçãos de um par gay em uma igreja de sua diocese;
- Missa Tradicional: Tem um posicionamento controverso, já celebrou a Missa Tradicional e ainda celebra, mas é favorável a aplicação do Traditionis Custodes. É considerado como um improvável aliado da Missa Tricentina.

Em 2008 foi nomeado Consultor na Comissão para as Relações com Judaísmo do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos; organizou a oração pela paz durante reunião entre o presidente israelense Shimon Peres e o líder palestino Mahmoud Abbas no Vaticano; criticou a construção de uma barreira entre a Cisjordânia e Jerusalém por Israel e criticou os líderes palestinos por culparem todos os problemas na ocupação israelense de Gaza e da Cisjordânia.
Em 2023, condenou as ações do Hamas chamando-as de bárbaras e se ofereceu como refém em troca de crianças israelenses mantidas em cativeiro em Gaza durante o conflito com Israel. Defendeu o fim da guerra e da ocupação israelense da Palestina; Pizzaballa foi signatário da "Declaração sobre a Escalada da Crise Humanitária em Gaza", que condenou os ataques a civis; pediu ajuda humanitária para entrar em Gaza. Sua declaração foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores de Israel; afirmou que deseja um pontificado em continuidade com o do Papa Francisco, abertura aos imigrantes e um papel maior para as mulheres na Igreja.
Alguns importantes posicionamentos do cardeal Pizzaballa:
- Ordenação de mulheres: não se manifestou diretamente sobre a ordenação de mulheres, mas defendeu a posição da Igreja de que o sacerdócio é um ministério exclusivamente masculino, baseado na fé, história e tradição. Reconhece a importância do papel das mulheres na Igreja; ele expressou o seu apoio ao Papa Francisco na sua procura por um papel mais significativo para as mulheres em cargos de liderança e no Vaticano;
- Padres casados: não há uma posição clara sobre a questão dos padres casados;
- Casamento de mesmos sexos e benção: se opõe à bênção de casais do mesmo sexo e à readmissão de divorciados aos sacramentos; sobre a união de pessoas do mesmo sexo não há uma opinião do cardeal, porém por sua oposição as bençãos cremos que é contrário também a união de pares do mesmo sexo;
- Missa Tradicional: não há nenhuma posição sobre Traditionis custodes, mas pessoas próximas dizem que “ele não tem problemas com a celebração da missa tridentina” por está cercado na grande diversidade de ritos dentro da Igreja Católica em Jerusalém.
![]() |
| Imagem: internet |
Cardeal Péter Erdő, nasceu em Budapeste, Hungria em 25 de junho de 1952 é o Primaz da Hungria; foi Presidente da Conferência Episcopal da Hungria, entre 2005 e 2015 e Presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, de 2006 a 2016; é membro dos dicasterios: Conselho para a II Seção da Secretaria de Estado da Santa Sé, Conselho para a Economia, Congregação para a Educação Católica, Congregação para as Igrejas Orientais, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e Pontifício Conselho para os Textos Legislativos; solicitou ao Gabinete do Procurador-Geral húngaro a reabilitação legal, moral e politicamente do cardeal József Mindszenty, que lutou contra o regime comunista da Hungria e foi preso pela ditadura stalinista do país, refugiando na embaixada americana em Budapeste de 1956 a 1971; participou dos Conclaves de 2005 e 2013.
Alguns importantes posicionamentos do cardeal Erdő:
- Ordenação de mulheres: É contra.
- Padres casados|: É contra, se opondo ao celibato opcional para padres;
- Casamento de mesmos sexos e benção aos pares homossexuais: Ele reiterou firmemente a posição da Igreja de que "não há absolutamente nenhuma base para considerar as uniões homossexuais de qualquer forma semelhantes ou até remotamente análogas ao plano de Deus para o casamento e a família", consequentemente é contra as bençãos dos pares e também é contra a comunhão para casais em situação irregular, defende a indissolubilidade do matrimônio sacramental;
- Missa Tradicional: não se manifestou publicamente contra ou a favor à Missa Tradicional bem como
ao documento que impôs restrições a sua celebração, motu proprio Traditionis Custodes.
![]() |
| Imagem Canção Nova |
![]() |
| Imagem: internet Papa Francisco e Cardeal Tagle na arena Mall of Asia em Manila, Filipinas, durante uma visita apostólica ao país asiático16 de janeiro de 2015 |
Alguns importantes posicionamentos do cardeal Tagle:
- Ordenação de mulheres: não fez declaração pública sobre a ordenação de mulheres. Ele serviu em um comitê do Vaticano para a criação de “um ministério de diaconisas”, ministério esse que não seria equivalente ao masculino;
- Casamento de mesmos sexos e benção aos pares homossexuais: É alinhado à doutrina católica sobre o chamado “casamento” homossexual, não apoia, defendendo a doutrina tradicional da Igreja Católica. É apontado ambíguo quando o tema é a benção aos pares homossexuais, fez declarações contrárias e a favor, não mostrando uma opinião clara sobre o tema. Quanto aos casais em segunda união, diz que “cada caso é um caso que deve ser analisado”;
- Padres casados: Quanto à questão do celibato para os padres não tem uma posição clara, segue a mesma opinião que diz sobre sobre os casais recasados, reconhece a individualidade de cada situação, já que, segundo Cardeal filipino, "uma regra geral pode não ser eficaz em todos os casos" e cada caso "deve ser analisado isoladamente";
- Missa Tradicional: embora não tenha feito declarações específicas sobre a missa tradicional, se é contra ou a favor, é considerado um cardeal progressista, leal ao magistério de Francisco, e membro do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. É possivelmente apoie as restrições à missa tridentina. Já declarou que os católicos devem abrir a mão do desejo de "testemunhar Cristo em algum passado idealizado que eles anseiam com nostalgia de não se apegar a um passado.
![]() |
| Imagem: print vídeo Youtube Cardeal Tagle cantando Imagine de John Lennon, vídeo disponível na internet |
Aos cinco acima, creio serem os mais cotados como possível sucessor de Francisco na Sé Romana, mas além desses há outros que não podemos descartar são eles: os africanos: Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, O.F.M.Cap. e Peter Turkson (83 anos); o mexicano Carlos Aguiar Retes, vejo aqui que, a oportunidade latino-americana iniciou e encerrou com Francisco, não acredito que tenhamos um papa latino-americano, enquanto o argentino for lembrado, assim também é minha opinião sobre um candidato brasileiro.
Dos Estados Unidos: Cardeal Michael Czerny, S.J. (Como a questão dos latinos-americanos, os jesuítas tiveram a sua oportunidade); Cardeal Joseph Tobin, C.Ss.R., muito Francisco, não creio que seja eleito; Cardeal Robert Francis Prevost, OSA, modernista, afastaria mais os americanos do que os aproximaria; Cardeal Raymond Leo Burke, apesar de ser o ideal para aproximar os católicos americanos e concentrar apoio de Trump, creio que, juntamente com Robert Sarah, não será eleito, uma eleição impossível.
Mais europeus: o Primaz dos Países Baixos Cardeal Willem Jacobus Eijk; de Marselhe, França Jean-Marc Aveline; da Suécia Cardeal Anders Arborélio, O.C.D.; de Portugal Cardeal José Tolentino de Mendonça e o maltês Cardeal Mario Grech.
Temos ainda Cardeal Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, do Sri Lanka; da Coreia do Sul Cardeal Lazarus You Heung-Sik, e Charles Maung Bo, S.D.B. de Mianmar.









Nenhum comentário:
Postar um comentário
Diga o que você realmente quer dizer, com sinceridade, mas não com maldade. Todo comentário é moderado.