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| A princesa lvina Pallavicini e sua filha Maria Camilla no palácio Quirinale Imagem Instagram |
Foi a partir de 1976 que a princesa passou a ser vista como sinônimo de luta pela tradição, apoiou monsenhor Lefebvre ficando ao seu lado durante a triste perseguição vaticana contra o prelado.
Faleceu em 29 de agosto de 2004 em Cortina d'Ampezzo, norte da Itália, chamada de rainha negra ou primeira-dama da nobreza romana.
A nobreza negra
Quando em 1870 um exército liderado pela Casa de Saboia entrou em Roma para derrubar o papa Pio IX e apossar dos estados papais, terras que foram doadas por Pepino, o Breve em 756.
Com a ocupação de Roma, a tomada dos estados papais e o cativeiro do papa, algumas famílias romanas aliados ao pontífice, e além de outras que foram enobrecidas entre 1870 e 1929 ficaram conhecidas como nobreza negra e mantinham seus palácios e casas fechados em lamento ao confinamento do papa onde teria surgido o termo “nobreza negra”.
Muitas famílias que faziam parte da então nobreza negra, ocupavam cargos no Vaticano, sendo conhecido como Corte Papal, alguns tornaram papas, outros bispos, muitos membros pertenciam a Guarda Nobre ou a Palatina, e integravam a chamada corte. O último integrante de uma família da nobreza negra a tornar papa foi Eugenio Pacelli, Papa Pio XII.
Em 1968, Papa Paulo VI aboliu muitos cargos no Vaticano, atingindo principalmente aos relacionados na Corte Papal e que eram ocupados pela nobreza negra, além dos cargos extintos foi alterado o nome de Corte Papal para Casa Papal. Não parou por ai, outros locais em que haviam muitos membros da nobreza negra também foram encerrados, como a Guarda Nobre e a Palatina em 1971.
Dom Marcel Lefebvre e a conferência na casa da Princesa Elvina Pallavicini
Dom Marcel Lefebvre, após as ordenações sacerdotais de 29 de junho de 1976, fora suspenso a divinis em 22 de julho do mesmo ano, e entre os católicos haviam fortes dúvidas sobre a legitimidade da suspensão, não compreendendo o ato de Paulo VI, que censurava a quem professava permanecer fiel à Tradição da Igreja, enquanto que, como o Cardeal Marty (ver artigo: Saint-Nicolas-du-Chardonnet, a história de uma libertação), arcebispo de Paris, convidava todo herege anglicano, que estivesse visitando a França, para receber a Santa Comunhão nas igrejas Católicas, se não conseguissem recebê-la numa igreja anglicana e, ainda, permitiu a profanação da Catedral de Rheims por hippie e de uma celebração budista naquele local e de nada foi censurado, nenhuma suspensão a divinis, nada foi emitido contra o arcebispo.
No clamor dos acontecimentos em Roma, que ainda discutiam a legalidade da suspensão a mons. Lefebrvre, em abril de 1977, a princesa Elvina Pallavicini, convida monsenhor a seu palácio, no Quirinal, para que ele expusesse suas razões. Tinha, a nobre, entre seus conselheiros e amigos, o marquês Roberto Malvezzi Campeggi (1907-1979), coronel das Guardas Nobres pontifícias no momento da dissolução da guarda em 1971 por Paulo VI.
Com a notícia da presença de Dom Lefebvre no Palácio Pallavicini, ascendeu a luz vermelha no Vaticano, Paulo VI, a princípio, incumbiu Dom Sergio Pignedoli, seu amigo de longa data e Secretariado para os Não-Cristãos futuro Discastério para o Diálogo Inter-Religioso, a tarefa de persuadir a princesa em suspender o encontro, onde o purpurado teria sugerido que seria oportuno adiar, uma vez que D. Lefebvre “fez sofrer tanto ao Santo Padre, que se encontra muito sentido por esta iniciativa”, Dona Elvina respondeu ao cardeal que, “em minha casa creio poder receber quem desejar receber”.
O Vaticano não desistiu, foram solicitados a persuadir a princesa, o príncipe Aspreno Colonna, que ainda mantinha o cargo assistente ao Sólio pontifício, mons. Andrea Lanza Cordero di Montezemolo, arcebispo e núncio em Papua-Nova Guiné e como todos fracassaram, tentou um último golpe, buscando ao rei da Itália, no exílio em Cascais, Umberto II. Dona Elvina, surpresa pela intermediação do monarca deposto, teria respondido ao rei: “Surpreendo-me como o Rei se deixe intimidar pela Secretaria de Estado (do Vaticano), depois de tudo aquilo que fizeram contra a monarquia”. Durante o pontificado de Paulo VI extinguiu cargos ocupados pela nobreza e pôs fim a chamada Corte Papal.
Com todas as possibilidades frustradas, Roma mudou de tática, iniciou nos jornais italianos campanha injuriosas contra a princesa, ameaçando em privado que, se a conferência acontecesse ela seria excomungada.
Um dia antes da reunião na casa da princesa, o cardeal vigário de Roma, Ugo Poletti, fez uma declaração no Avvenire, atacando D. Lefebvre dizendo que seus “aberrantes seguidores” eram “grupos exíguos, prisioneiros nostálgicos de tradições antigas e ultrapassadas, exprimindo um estado de inconsciência profunda, insensibilidade, dor e sincera, mas firmíssima reprovação pela ofensa feita à Fé, à Igreja católica e ao seu Divino Chefe Jesus, tendo D. Lefebvre posto em dúvida, verdades fundamentais, especialmente acerca da infalibilidade da Igreja católica, fundada sobre Pedro e seus sucessores, em matéria de doutrina e de moral - Un esempio di resistenza cattolica: la principessa Pallavicini”.
O jornal Avvenire, um diário sediado em Milão fundado em 1968 pela fusão de dois jornais ditos católicos: L'Avvenire d'Italia e L'Italia, era o informativo dos modernistas pós-concílio e apoiado e incentivado por Paulo VI.
Quanto ao cardeal Ugo Poletti foi acusado de pertencer a maçonaria desde 1969 e no Bulletin de l'Occident Chrétien em julho de 1976 como um dos conspiradores da morte do Papa João Paulo I. Teria recebido mais de 1 bilhão de liras italianas, além de duras críticas, para autorizar o enterro do gangster Enrico De Pedis na cripta da Basílica de Santo Apolinário em Roma em 1990.
Enrico de Pedis foi um dos chefes da Banda della Magliana, máfia romana, associado ao desaparecimento de Emanuela Orlandi, cujo caso teria relação com o atentado contra o João Paulo II, foi morto em fevereiro de 1990 por ex-colegas. O seu sepultamento na Basílica de Santo Apolinário causou muita crítica ao cardeal Poletti, mas somente em 2012 o corpo do gangster foi retirado da cripta da Basílica e cremado.
Na presença dos convidados, muitos da nobreza negra, iniciou a palestra com uma oração e logo o Arcebispo disse no início que respeita a Santa Sé e Roma e estava ali por amar a Roma católica. Discorreu sobre o comunismo, a Igreja pós conciliar, a revolução litúrgica, a crise de Fé, as mudanças na Igreja.
“Concílio da mudança na verdade quer uma nova definição da Igreja. Para ser “aberta” e estar em comunhão com todas as religiões, todas as ideologias, todas as culturas”;
“Os sacramentos irão insistir na iniciação e na vida comunitária ao invés de afastar-se de Satanás e do pecado”;
“O fio condutor da mudança será o ecumenismo. A prática do espírito missionário desaparecerá. Será enunciado o princípio “todo homem é cristão e não o sabe”;
“As mudanças litúrgicas e ecumênicas farão com que as vocações religiosas desapareçam e os seminários fiquem desertos. O princípio da “liberdade religiosa” soa ultrajante para a Igreja e para Nosso Senhor Jesus Cristo, porque nada mais é do que “o direito à profissão pública de uma falsa religião sem ser perturbado por nenhuma autoridade humana”;
“Só os católicos fiéis correm o risco de serem expulsos das igrejas, perseguidos, condenados”;
“Estou suspenso a divinis porque continuo a formar sacerdotes como eram formados antes”;
“Hoje, o compromisso mais sério de um católico é manter a Fé. Não é lícito obedecer a quem trabalha para reduzi-la ou fazê-la desaparecer. Com o batismo, pedimos Fé à Igreja, porque a Fé nos conduz à vida eterna. Continuaremos a pedir à Igreja por esta Fé até o último suspiro”;
“Eu não quero formar grupo de nenhum tipo, não quero desobedecer ao Papa, mas ele não tem de me pedir para ser protestante”.
Termino com um trecho de Roberto de Mattei: “A Princesa Pallavicini saiu vencedora desse "desafio". Ela não só não foi excomungada, como, nos anos seguintes, seu palácio tornou-se ponto de referência para muitos cardeais, bispos e intelectuais católicos. Ela e seus amigos romanos não eram "fantasmas do passado", como o Corriere della Sera os definiu em 7 de junho 1977, mas testemunhas da Fé Católica que estavam preparando o futuro. Como anos depois, a história provou que estavam certos”.

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