Seja por sempre e em todas partes conhecido, adorado, bendito, amado, servido e glorificado o diviníssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

Pax Domini sit semper tecum

Item 4º do Juramento Anti-modernista São PIO X: "Eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente" - JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

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Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI”. - Declaração do Pe. Camel.

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Ao negar a celebração da Missa Tradicional ou ao obstruir e a discriminar, comportam-se como um administrador infiel e caprichoso que, contrariamente às instruções do pai da casa - tem a despensa trancada ou como uma madrasta má que dá às crianças uma dose deficiente. É possível que esses clérigos tenham medo do grande poder da verdade que irradia da celebração da Missa Tradicional. Pode comparar-se a Missa Tradicional a um leão: soltem-no e ele defender-se-á sozinho”. - D. Athanasius Schneider

"Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa (desde que não se falte à verdade), sendo obra de caridade gritar: Eis o lobo!, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado".- São Francisco de Sales

“E eu lhes digo que o protestantismo não é cristianismo puro, nem cristianismo de espécie alguma; é pseudocristianismo, um cristianismo falso. Nem sequer tem os protestantes direito de se chamarem cristãos”. - Padre Amando Adriano Lochu

"MALDITOS os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável SALVADOR seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteão de falsos deuses". - Padre Emmanuel

30/08/2014

São Simão de Trento, Mártir


“24 de março: Em Trento, dia de S. Siméão menino, o qual foi morto pelos judeos com grande crueldade, e depois resplandeceo com muitos milagres.” Martirológio Romano

29/08/2014

János Hunyadi e São João de Capistrano - o cerco de Belgrado

 

János Hunyadi, comandante dos cruzados libertou Belgrado do assédio turco
János Hunyadi, comandante dos cruzados
libertou Belgrado do assédio turco
Esse extraordinário herói húngaro e São João de Capistrano, derrotando o sultão Maomé II em Belgrado, sustaram avassaladora investida muçulmana na Europa

28/08/2014

As Sete Meditações sugeridas por São João Bosco


Desejo, meus filhos, que tenhais diariamente um pouco de meditação.Por isso, aqui ofereço alguns curtos pensamentos para cada dia da semana, e espero que os lereis com atenção, caso não tenhais outro livro mais apropriado.

Depois de vos terdes ajoelhado, dizei:

"Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração por Vos ter ofendido; peço-vos a graça de compreender as verdades que vou meditar e de inflamar-me de amor por Vós. Virgem Santíssima, Mãe de Jesus, rogai por mim".

25/08/2014

São Pio X


Há um século subia ao Trono pontifício um Papa santo. Em 4 de agosto de 1903, o Cardeal Giuseppe Sarto foi eleito para o Sumo Pontificado, como sucessor de São Pedro, sendo coroado a 9 do mesmo mês. São Pio X, um dos maiores Pontífices de todos os tempos, foi o único Papa canonizado no século XX.
Nos primórdios do século XX, no mundo inteiro pipocavam revoluções de cunho anarquista, visando abalar as últimas colunas que restavam da Civilização Cristã.
E na Santa Igreja a situação não era menos grave. Verdadeiras heresias, infiltradas nos meios católicos, minavam os fundamentos da Igreja duas vezes milenar. Compelida a combater os inimigos externos, a Igreja estava sendo corroída também por inimigos internos, principalmente pela conspiração organizada pelo movimento então denominado modernista — precursor do progressismo católico de nossos dias.
Nessa terrificante encruzilhada, morre o Papa Leão XIII, a 20 de julho de 1903.
Urgia, em vista desse quadro, o aparecimento de um providencial defensor da Igreja e da Cristandade. A Divina Providência suscitou então um Papa Santo, dotado de extraordinária grandeza de alma.

23/08/2014

São Pedro de Alcântara Padroeiro do Brasil

“Conheci um religioso chamado Frei Pedro de Alcântara -- que julgo um santo, já que sua vida e seus atos não deixam disso dúvida --, que passava muitas vezes por louco extravagante junto dos que o ouviam falar”; dizia desse santo, modelo de penitência e grande reformador a incomparável Santa Teresa de Jesus

Plinio Maria Solimeo

22/08/2014

O Menino Jesus de Praga



Plinio Maria Solimeo


A imagem do Menino Jesus de Praga, a mais famosa do Divino Infante, tornou-se objeto de veneração universal, com réplicas disseminadas em todo o orbe, inclusive no Brasil.

O “Pequeno Rei”


Embora muitos tenham ouvido falar do Menino Jesus de Praga, poucos conhecem dados concretos a respeito dessa devoção à divina infância do Salvador do mundo1. Transcorrendo neste mês a comemoração do nascimento do Divino Redentor — a data máxima da Cristandade — julgamos oportuno apresentar a nossos leitores o admirável histórico dessa devoção ao Deus-menino.

Desde tempos imemoriais, os justos do Antigo Testamento ansiavam pela vinda do Prometido das Nações, que viria endireitar os caminhos tortuosos, aplainar os montes, encher os vales. Numa palavra, abrir o Céu para a humanidade pecadora. O Profeta por excelência desses futuros acontecimentos, Isaías, sete séculos antes da vinda do Divino Redentor, anunciou que Ele nasceria de uma Virgem.

 


Nos primeiros séculos da era cristã, muitos foram os santos que abordaram o tema do Deus Menino e seu nascimento, especialmente o Papa São Leão Magno2.

Coube à Idade Média a glória de corporificar e expandir essa devoção. Vários santos foram então chamados pela graça divina a manifestar especial enlevo pela divina infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual se chega por meio de Nossa Senhora. São Francisco de Assis, ao meditar enternecido a respeito do grande Deus que se tornou frágil Menino numa manjedoura, montou o primeiro presépio para representar esse divino mistério. Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa), seguindo o exemplo de seu mestre e fundador, encantava-se com o Deus-Menino, e mereceu recebê-Lo várias vezes milagrosamente em seus braços. E é desse modo que o grande santo franciscano é comumente representado. Outros santos tiveram a mesma graça.

Entretanto, foi na Espanha da Contra-Reforma, durante o chamado “século de ouro”, que o divino Menino Jesus passou a ser venerado em imagens em que aparece de pé, manifestando um ou outro de seus atributos.

A grande Santa Teresa de Ávila introduziu essa devoção em seus conventos, e a partir deles espraiou-se por toda a Espanha e depois pelo mundo. Seu discípulo e co-fundador do ramo carmelita masculino reformado, o sublime São João da Cruz, entusiasmava-se tanto com esse mistério de um Deus feito homem, que, durante o período de Natal, levava a imagem do Menino Jesus em procissão, e bailava com ela ao colo. Compôs também tocantes poesias sobre a Natividade.

Assim, surgiram nos conventos carmelitas várias invocações do Menino Jesus, como El Peregrinito, El Lloroncito, El Fundador, El Tornerito e El Salvador.

Mas tal devoção não se limitava aos claustros. Já Fernão de Magalhães, quando descobriu as Filipinas, levava consigo uma dessas imagens de Jesus Menino, e lá a deixou, sendo ela venerada até hoje na ilha de Cebu.

Carmelita Venerável: confidente do Divino Infante

Coube porém a uma filha de Santa Teresa ser a confidente do Menino Jesus e a propagadora da sua devoção. Trata-se da Venerável Margarida do Santíssimo Sacramento (1619-1648), carmelita do convento de Beaune, na França. Esta freira, falecida aos 29 anos, entrou para o convento aos 11 anos como pensionista. Tinha grande familiaridade com os Anjos e Santos e o privilégio de participar de todos os grandes mistérios da Vida do Salvador, como seu Nascimento, Transfiguração e Paixão. Entretanto, recebeu a missão especial de venerar e propagar especialmente a devoção à divina infância de Cristo.

“Eu te escolhi para honrar e tornar visível em ti minha infância e minha inocência, quando eu jazia no presépio”, disse-lhe o Menino-Deus, quando ela rezava diante de uma imagem sua existente no convento, conhecida como O Rei da Glória. A Irmã Margarida do Santíssimo Sacramento recebia muitas graças extraordinárias, mediante as quais o Menino Jesus fazia-lhe compreender de um modo mais profundo esse mistério3.

Ela fundou a Família do Menino Jesus, convidando todos os que dela quisessem participar a celebrarem com fervor os dias 25 de cada mês, em lembrança da Santa Natividade, e a rezarem a Coroinha do Menino Jesus (três Padre-Nossos e 12 Ave-Marias) em honra dos 12 primeiros anos de sua vida.

Dois séculos mais tarde, outra carmelita, Santa Teresinha do Menino Jesus (+ 1897), honrou de modo especial o Deus-Menino, não só ao escolhê-Lo para seu nome em religião, mas iniciando a via da “Infância Espiritual”. Foi numa noite de Natal, a de 1886, que ela recebeu a maior graça de sua vida, segundo disse, isto é, a de sair da imaturidade da infância para entrar na grande via dos santos.

Ela se abandonava ao Deus-Menino com toda docilidade, como uma bola nas mãos de uma criança. Quando recebeu o encargo de adornar uma imagenzinha do Menino Jesus que havia no claustro, ela o fazia com grande devoção. Além disso, mantinha prolongados colóquios com o Deus-Menino diante da imagem do Menino Jesus de Praga que se encontrava no coro do noviciado.

Maravilha de Praga: o Pequeno Rei

 

Santuário de Nossa Senhora da Vitória, em Praga

Praga, capital da atual República Checa, é considerada, a justo título, uma das mais belas capitais da Europa. O visitante não se cansa de a percorrer, sempre descobrindo coisas novas e maravilhas não suspeitadas. Sua topografia concorre muito para sua beleza, e o rio Moldava, que a corta, tornou-se quase legendário. A arquitetura de Praga reflete os vários períodos de sua história. Nela se vêem desde fundações românicas, belíssimos exemplos do gótico religioso e civil, edifícios renascentistas, barrocos e clássicos. E até um exemplo da chamada “arte” moderna, como infeliz concessão ao espírito do tempo.

Entre os inúmeros prédios dignos de menção nessa cidade privilegiada, figura a igreja de Nossa Senhora das Vitórias, primeiro santuário barroco local, erigido de 1613 a 1644. Pertencente aos carmelitas descalços, nela está a grande maravilha de Praga: a encantadora imagem do Pequeno Rei, como é conhecido o Menino Jesus de Praga.

Raízes de uma devoção providencial

No século XVII, no primeiro período da sangrenta Guerra dos Trinta Anos, o Geral dos Carmelitas Descalços, Venerável Frei Domingos de Jesus Maria, havia se destacado, exortando os exércitos católicos na vitória do imperador alemão contra o príncipe eleitor do Palatinado, o calvinista Frederico. Em sinal de gratidão a ele, em 1624 o Imperador Fernando II chamou os carmelitas a Praga — então capital do Sacro Império Romano Alemão — e concedeu-lhes a igreja rebatizada com o nome de Santa Maria da Vitória, pela ajuda concedida pela Mãe de Deus ao exército católico naquela batalha.

No ano de 1628, Frei João Luís da Assunção, então Prior dos carmelitas descalços da cidade, comunicou a seus religiosos que havia sentido uma moção interior no sentido de que venerassem de um modo especial o Deus-Menino, para que Ele protegesse a comunidade, e a fim de que os noviços aprendessem com Ele a ser pequeninos para entrarem no reino dos Céus.

Quase simultaneamente a Providência inspirou a Princesa Polyxena de Lobkowicz — que então enviuvara e ia se retirar para seu castelo de Roudinice nad Labem — a doar ao convento carmelita uma imagem de cera do Menino Jesus, que possuía. Ele era representado de pé, portando trajes reais, com o Globo na mão esquerda e a direita em atitude de abençoar. Tal imagem era querida recordação de família, pois sua mãe, Da. Maria Manrique de Lara, a recebera como presente de núpcias quando se casou com Vratislav de Pernstein, e a dera à filha também como presente de bodas.

A Princesa Polyxena disse ao prior, ao entregar-lhe a imagem: “Eu vos ofereço, querido padre, o que mais quero no mundo. Honrai este Menino Jesus e assegurai-vos de que, enquanto O venerardes, nada vos faltará”.

Frei João Luís agradeceu o presente, que vinha tão milagrosamente ao encontro do seu desejo, e ordenou que a imagem fosse colocada no altar do oratório do noviciado. Ali os carmelitas se reuniriam todos os dias para louvar o Divino Infante e recomendar-Lhe suas necessidades.

Depois de um primeiro momento de prosperidade em Praga, os carmelitas ficaram reduzidos quase à miséria. O prior e seus súditos recorreram ao Menino Jesus, pedindo-Lhe que lhes fosse propício. Essa confiança não foi infundada. O Imperador Fernando II, Rei da Boêmia e da Hungria, conhecendo as necessidades pelas quais passava a comunidade carmelita, concedeu-lhe uma renda anual de mil florins e um auxílio sobre as rendas imperiais.

Ao mesmo tempo, sucedeu outro fato extraordinário que comprovava o quanto o Menino Jesus de Praga não deixava de socorrer aqueles que a Ele recorressem. Existia no convento uma vinha, a qual havia tempos estava completamente estéril. De repente, da forma mais imprevista, começou a florescer e a frutificar, sendo seus frutos mais doces e esplêndidos do que se podia imaginar.

Frei Cirilo: de miraculado a apóstolo do Menino Jesus

 

Dona Plyxena de Lobkowicz entregando a imagem do Menino Jesus aos Carmelitas de Praga

Habitava esse convento um jovem sacerdote, Frei Cirilo da Mãe de Deus, que, tendo deixado o ramo carmelita mitigado, abraçara a reforma de Santa Teresa. Porém, em vez de encontrar a paz que tanto esperava, sentia-se como um réprobo, sofrendo as penas do inferno. Nada o consolava ou apaziguava.

O prior, notando-o macambúzio e abatido, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Frei Cirilo abriu-lhe o coração, contando todas as suas penas. “Uma vez que o Natal se aproxima, disse-lhe o prior, por que não se põe aos pés do Santo Menino e lhe confia todas as suas penas? Verá como Ele o ajudará”.

Obedecendo, Frei Cirilo dirigiu-se à imagem do Menino Jesus: “Querido Menino, olhai minhas lágrimas! Estou a vossos pés, tende piedade de mim!” No mesmo instante, sentiu como que um raio de luz penetrar em sua alma, fazendo desaparecer todas as angústias, dúvidas e sofrimentos.

Comovido e sumamente agradecido, Frei Cirilo tornou-se um verdadeiro apóstolo do Divino Infante.

Ataque sacrílego de protestantes

Entretanto, os protestantes se reagruparam em novembro de 1631, sob o comando do príncipe eleitor da Saxônia, e assediaram novamente Praga. Houve pânico entre os imperiais e a angústia dominou os habitantes da cidade. Muitos fugiram.

Frei João Maria, por prudência, mandou seus frades para Munique, permanecendo ele na cidade para custodiar o convento com apenas mais um religioso.

Praga capitulou. Os soldados protestantes invadiram igrejas e conventos, profanando e destruindo os objetos do culto católico. Puseram na prisão os dois frades carmelitas e começaram a depredar o convento. Vendo no oratório dos noviços a imagem do Menino Jesus, começaram a rir e a zombar dela. Um dos soldados, desejoso de mostrar-se diante dos outros, com a espada decepou as mãozinhas da imagem sob os aplausos dos companheiros. Depois, empurrou-a para o meio dos escombros a que ficara reduzido o altar.

Ali o Menino Jesus ficou esquecido.

Assinada a paz em 1634, os carmelitas puderam regressar a seu convento. Frei Cirilo não voltou com os outros, e ninguém mais se lembrou da imagem do Menino Jesus. Três anos mais tarde chegou Frei Cirilo e logo deu pela falta. Procurou a preciosa imagem, mas não a encontrou. Não havia o que fazer.

A paz, entretanto, não fora duradoura. Os suecos, rompendo os acordos, sitiaram outra vez Praga, queimando em seu caminho castelos e povoações.

O prior recomendou a seus frades que rezassem, pois só a oração podia salvá-los desta vez. Então Frei Cirilo sugeriu que se recomendassem ao Pequeno Rei, e pôs-se a procurar novamente a imagem. Depois de muito trabalho, encontrou-a finalmente atrás do altar, coberta de pó e sujeira. Por incrível que pareça, ninguém havia mexido naquele local durante aqueles atribulados tempos. Com alegria, levou-a ao prior. Diante da imagem com as mãos decepadas, os frades oraram fervorosamente pela salvação da cidade, o que realmente se deu. Os suecos levantaram o cerco.

Milagrosa restauração da imagem

Quando a imagem foi de novo entronizada no oratório dos noviços, os benfeitores do convento, que durante esses difíceis anos haviam também sumido, voltaram a trazer sua ajuda.

Certo dia Frei Cirilo estava em oração diante do Menino Deus, pedindo pela comunidade, quando Este lhe disse tristemente: “Tende piedade de mim, e eu terei piedade de vós. Restituí-me as mãos que me cortaram os hereges. Quanto mais me honrardes, mais vos favorecerei”.

Por motivos ignorados, o frade até então, não tinha se empenhado em restaurar a imagenzinha. Apressou-se a narrar ao prior o sucedido. Mas este parece não lhe ter dado muito crédito. E por causa da indigência em que se encontrava o convento, disse que era necessário esperar dias melhores, pois havia necessidades mais prementes.

Profundamente aflito, Frei Cirilo pediu a Deus que lhe desse os meios de restaurar a imagem, e a ajuda veio de maneira inesperada. Um nobre estrangeiro pediu àquele religioso para se confessar, e depois disse-lhe: “Reverendo Padre, estou convencido de que o bom Deus me conduziu a Praga para me preparar para a morte e fazer-vos um pouco de bem”. E entregou-lhe uma esmola de cem florins.

O frade procurou o prior, entregando-lhe a importância e pedindo pelo menos um florim para restaurar a imagem. Mas o prior, apesar desse pequeno milagre, disse que isso não era tão premente e podia esperar. Pior: mandou que Frei Cirilo tirasse a imagenzinha do oratório e a levasse para sua cela até que pudesse ser restaurada. Com lágrimas nos olhos, o frade obedeceu, pedindo ao Pequeno Rei perdão por sua incompreensão.

Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem e o fez compreender que o Menino Jesus deveria ser restaurado o quanto antes, e ser exposto à veneração dos fiéis em uma capela a Ele dedicada. É sempre Nossa Senhora quem conduz a Jesus!

Uma circunstância propícia surgiu quando foi eleito novo prior, pouco tempo depois. Frei Cirilo fez-lhe o mesmo pedido, e este respondeu: “Se o Menino nos der antes sua bênção, então farei reparar a imagem”. Bateram à porta, e uma senhora desconhecida entregou a Frei Cirilo um bom donativo. O prior, entretanto, deu-lhe só meio florim para a restauração, dizendo-lhe que tinha que bastar. À insignificante importância somou-se logo generoso donativo de Daniel Wolf, funcionário da corte agraciado pelo Menino Jesus.

A imagenzinha foi assim restaurada e colocada dentro de uma urna de cristal próxima à sacristia. Cumpria-se assim o desejo expresso por Nossa Senhora a Frei Cirilo, de que o Menino fosse exposto à veneração pública.

Cura miraculosa e aumento do culto

 

Dona Plyxena, pequena, junto à sua mãe DonaMaria Manrique de Lara (Sanchez Coelho, séc. XVI

Um fato inesperado iria ter muita influência no culto ao Pequeno Rei. Certo dia, em 1639, Frei Cirilo, tido já por muitos como um santo, foi procurado pelo Conde de Kolowrat, Enrique Liebsteinski, cuja esposa estava gravemente doente. O Conde pediu ao carmelita que levasse a imagem do Menino Jesus à cabeceira da enferma, alegando que esta era prima da Princesa Polyxena, que havia doado a imagem ao Convento. Como vários médicos já a haviam desenganado, a única esperança que restava era o Santo Menino.

Frei Cirilo não podia deixar de atender tão justo pedido. Chegando ao quarto da moribunda, disse-lhe o marido: “Querida, abre os olhos. Vê, aqui está o Menino Jesus para curar-te”. Com muito esforço a enferma abriu os olhos, seu rosto iluminou-se, e ela exclamou: “Oh! O Menino está aqui no meu quarto!” E ergueu os braços para ele, a fim de osculá-lo. Vendo isso, o marido exclamou exultante: “Milagre! Milagre! Minha mulher está salva!”

A alegria foi geral. Apenas restabelecida, a condessa foi ao convento e ofereceu ao Menino uma coroa de ouro e objetos preciosos em sinal de gratidão. Este foi um dos milagres mais célebres atribuídos ao Pequeno Rei.

Tornado conhecido esse prodígio, é natural que sua fama começasse a disseminar-se não só na corte, mas também entre o povo da cidade e redondezas. E diante do altar do Menino Deus começaram a afluir, cada vez em maior número, peregrinos de todas as partes.

Isso fez com que uma rica dama da corte, levada por devoção indiscreta, furtasse a imagem. Mas esse sacrilégio foi castigado por Deus, e o Pequeno Rei retornou aos carmelitas.

As muitas doações em dinheiro e em espécie, com as quais os fiéis agradeciam graças recebidas do Divino Infante, tornaram possível construir a capela destinada à milagrosa imagem. Para sua solene consagração, em 1648, foi convidado o Arcebispo de Praga, Cardeal Ernesto Adalberto de Harrach, que concedeu aos frades a mais ampla faculdade de celebrar missa nessa ermida do Santo Menino Jesus. Com essa solene confirmação do Arcebispo, a capela do Pequeno Rei da Paz converteu-se num lugar de culto oficial e muito freqüentado.

Novas provações, altar definitivo

Novamente em 1648, em outra batalha durante a Guerra dos Trinta Anos, as tropas dos protestantes suecos invadiram a cidade e transformaram o convento carmelita em hospital de campo. Mas nenhum dos 160 soldados feridos ali tratados atreveu-se a escarnecer do Santo Menino. Pelo contrário, o próprio comandante dos invasores, o General Konigsmark, durante uma inspeção, prostrou-se diante da milagrosa imagem, dizendo: “Ó Menino Jesus! Não sou católico, mas também creio em tua infância e estou impressionado ao ver a fé das pessoas e os milagres que fazes em seu favor. Eu te prometo que, no que me for possível, farei levantar o aquartelamento do convento”. E entregou aos frades um donativo de 30 ducados.

Pouco depois os suecos levantaram o assédio de Praga, e todos atribuíram a libertação à proteção do Pequeno Rei.

Confirmação e expansão do culto

 

A imagenzinha do Menino Jesus sem os trajes com que habitualmente é adornada

Com a volta à normalidade, chegou a Praga em 1651 o Superior Geral dos Carmelitas, Frei Francisco do Santíssimo Sacramento, que aprovou a devoção do Divino Infante, recomendando aos frades que a difundissem pelos outros conventos austríacos e entre os fiéis. Deixou escrita uma carta, reconhecendo a legitimidade do culto à sagrada imagenzinha, que foi afixada na porta da capela do Menino Jesus.

Em 1655, graças à contribuição do Barão de Tallembert, a milagrosa imagem foi colocada em magnífico altar na igreja de Santa Maria da Vitória e solenemente coroada pelo Arcebispo de Praga, D. José de Corti. Ainda hoje se celebra uma festa solene no dia da Ascensão, em lembrança dessa coroação.

No ano de 1675, Frei Cirilo da Mãe de Deus entregou sua alma a Deus em odor de santidade, aos 85 anos de idade.

A devoção ao Divino Menino continuou alastrando-se por todas as camadas sociais. A grande imperatriz do Império Austro-Húngaro, Maria Teresa, quis confeccionar em 1743, com suas próprias mãos, uma rica veste para o Pequeno Rei.

Imagem preservada durante tiranias nazista e comunista

Em 1744, mais uma vez as tropas dos protestantes, agora prussianos, cercavam Praga. As autoridades da cidade acorreram ao convento dos carmelitas, pedindo ao prior que o Pequeno Rei fosse levado em procissão solene pela cidade, a fim de a livrar da destruição dos hereges.E realmente chegou-se a uma capitulação honrosa, sem batalhas; poucos meses depois os prussianos deixaram Praga, e todos seus comovidos habitantes acorreram à igreja de Nossa Senhora da Vitória para agradecer ao Menino Jesus mais essa graça.

Entretanto, outro perigo maior ameaçava a devoção ao Divino Infante. Em 1784, o ímpio Imperador José II suprimiu o convento dos carmelitas e confiou a igreja de Nossa Senhora da Vitória à Ordem de Malta. E assim, sem a assistência contínua dos carmelitas, o culto ao Menino Jesus decaiu.

Já no século XX, durante a II Guerra Mundial, houve a ocupação de Praga pelos nazistas, e depois o flagelo comunista abateu-se sobre o país durante quase 50 anos. Mas nem um nem outro inimigo da fé católica atentou contra a milagrosa imagem, que continuou em seu trono na igreja de Nossa Senhora da Vitória.

De Praga, o culto ao Menino Jesus já se havia estendido por toda a Europa, e daí para a América Latina (inclusive Brasil), Índia e Estados Unidos. Neste país, isso se deu graças à devoção de Santa Francisca Xavier Cabrini, que ordenou a entronização, em cada uma das casas do instituto por ela fundado, de uma imagem do Pequeno Rei.

Devoção expande-se a Arenzano

 

Coroa do Menino Jesus de Praga

Em 1895, os carmelitas de Milão pediram ao Cardeal Ferrari licença para introduzir a devoção ao Menino Jesus de Praga em sua igreja de Corpus Domini. O Cardeal não só autorizou a entronização, mas quis ele mesmo fazê-la em presença de três mil fiéis. Na ocasião, consagrou todas as crianças de Milão ao Menino Jesus de Praga.

A partir de então, essa devoção conquistou o coração dos italianos.

No convento carmelita de Arenzano, fundado em 1889 pelo irmão do fundador de Corpus Domini, surgiu a idéia de se expor um quadro representando o Menino Jesus de Praga na igreja do convento. Os habitantes da cidade logo se mostraram muito sensíveis ao novo culto, e o Pequeno Rei atendeu suas orações e pedidos com muitas graças e bênçãos.

No ano de 1902, para substituir o quadro, a Marquesa Delfina Gavotti, de Savona, presenteou os frades com uma imagenzinha do Menino, cópia exata da de Praga. A enorme afluência dos fiéis ante o altar do Menino Jesus convenceu os frades a construírem um santuário expressamente dedicado a Ele. A primeira pedra foi colocada em outubro de 1904, e quatro anos mais tarde o templo era solenemente consagrado.

O cronista do convento carmelita anotou então: “Para todos foi claro que só o culto à infância divina, venerada com o título do Santo Menino Jesus de Praga, deu origem, desenvolvimento e feliz final à nossa empresa de construir esta igreja, para que fosse para os fiéis de toda Itália o centro propulsor desta devoção”.

No dia 7 de setembro de 1924, Sua Santidade o Papa Pio XI enviou especialmente o Cardeal Merry del Val para coroar solenemente a sagrada imagem. Assim, a devoção ao Menino Jesus de Praga recebia a aprovação oficial da Igreja.

Em Praga: proibição do culto pelos comunistas

Enquanto em Arenzano florescia a devoção, em Praga, transformada em capital da então Checoslováquia, o regime comunista impedia o livre exercício de culto, propugnando o ateísmo do Estado. Em 1968, uma tentativa de livrar-se do regime ímpio foi sufocada com sangue na chamada Primavera de Praga.

A devoção ao Menino Jesus continuava restrita aos que freqüentavam a igreja onde estava exposto, e também ao fruto do apostolado das monjas carmelitas que, deportadas para longe de Praga, pintavam estampas com o Santo Menino e as enviavam clandestinamente a outros conventos europeus.

Finalmente, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, e depois, com a Revolução do Veludo, cessou a ditadura comunista na Checoslováquia, que se transformou na República Checa, independente e soberana. Foi restabelecida a liberdade civil e religiosa, e o novo Arcebispo de Praga, que fora também vítima da repressão comunista, quis que reflorescesse a devoção ao Menino Jesus. A convite dele, dois frades carmelitas, justamente de Arenzano, foram para Praga reabrir o convento e estimular a devoção ao Divino Menino Jesus.


Notas:

1.Este artigo foi baseado na excelente obra El Pequeño Rey, de Sorella Giovanna della Croce, C.S.C, tradução do italiano para o castelhano pelo Pe. Juan Montero Aparício, AGAM, Madonna dell’Olmo, Cuneo, Italia.

2.Vide, por exemplo, suas Homilías sobre el año litúrgico, BAC, Madrid, 1969, pp. 99 ss.

3.Cfr. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo 15, p. 379.


FONTE:  http://www.lepanto.com.br/catolicismo/devocoes-catolicas/o-menino-jesus-de-praga/#sthash.L3pXC7F3.dpuf


21/08/2014

São Francisco de Assis e o Direito da Cruzada. ‒ o equilíbrio entre a mansidão e a força


Do livro “Les Templiers”, do mundialmente reputado historiador francês Georges Bordonove:
Entre a 4ª e 5ª cruzada houve algumas expedições militares contra os infiéis. De uma delas, que aportou no Egito, participou São Francisco de Assis.

Ele, (São Francisco) teve a audácia de se fazer conduzir à presença do sultão, tendo somente sua fé por salvaguarda. O sultão o escutou com a maior atenção, como que subjugado.

20/08/2014

Milagres de São Domingos com o terço

São Domingos de Gusmão recebe o rosário de Nossa Senhor. DuquesneUniversity, EUA.
São Domingos de Gusmão recebe o rosário de Nossa Senhor. DuquesneUniversity, EUA.



Milagres obtidos por meio do Santíssimo Rosário, transcritos por São Luís Maria Grignion de Montfort.

19/08/2014

São Bernardo: “a penitência de vossos pecados é defender a Terra Santa!”

São Bernardo, Biblioteca Apostólica Vaticana
São Bernardo de Claraval (1091–1153) foi delegado pelo Papa para pregar a Segunda Cruzada. Por volta de 1145 ele pronunciou um sermão reproduzido, embora parcialmente, por Joseph-François Michaud  na sua obra de referência “Histoire des Croisades”  e que tiramos de: Bartleby.com, Great books online:

Vós não podeis ignorar que vivemos num período de castigo e ruína. O inimigo da humanidade soprou um bafo de corrupção que paira sobre todas as regiões. 

18/08/2014

ESTARIA O «QUARTO SEGREDO DE FÁTIMA» NAS MEMÓRIAS DA IRMÃ LÚCIA? – Descoberta de Antonio Socci

Arai Daniele

A questão do enevoado Segredo de Fátima deve a este jornalista italiano muito da sua visibilidade mediática. Antes com seu conhecido livro «Il Quarto Segreto di Fatima», 2006, Rizzoli. Agora com o artigo: “Il quarto segreto di Fatima c’è: lo prova la biografia della veggente”, Da “Libero”, 17 agosto 2014.
Diz o Autor: “Devido a muitos elementos, podia-se intuir que não era tudo. Eu, como outros autores, em 2006 publiquei o livro, “Il quarto segreto di Fatima”,onde mostrava que faltava a parte, escrita e enviada sucessivamente, com as palavras de Nossa Senhora que explicavam a mesma visão. O mesmo secretário de João XXIII, monsenhor Capovilla, que havia vivido tudo em primeira pessoa, numa conversação com Solideo Paolini acentuou justamente a existência daquele misterioso “anexo”. De parte eclesiástica desmentiu-se oficialmente que exista e que nele haja profecia concernente os tempos hodiernos.”

Meu comentário: O que Socci deu então por demonstrado, ao ponto de acusar o cardeal Bertone de mentiroso, não foi antes nem será agora demonstrado, primeiro porque o que vamos ler na biografia da Irmã em questão não o diz, segundo porque nem o infeliz e implícito «testemunho» do monsenhor Capovilla o confirmou. Aliás o que foi dito foi depois dado por não dito, porque sem prova que se tratava de dois «segredos». Desse monsenhor era só de esperar que dissesse honestamente se o que foi publicado em 2000 correspondia fielmente ao que ele ouvira, mais de uma vez, desde agosto de 1959. Mas como ali se perseguia um «scoop» estão o Sodileo Paolini pôs todo o seu talento em fazer de Capovilla uma grande testemunha da nova verdade, coisa deveras difícil.
Continua Socci com a sua «prova RATZINGER 2010»: “uma clamorosa confirmação implícita veio do mesmo Bento XVI que durante uma imprevista peregrinação a Fátima, no 13 de maio de 2010, afirmou: “Ilude-se que pensa que a missão profética de Fátima esteja concluída”. Acrescentando: “são indicadas realidades do futuro da Igreja que na medida em que evolvem e se mostram… e portanto são sofrimentos da Igreja que se anunciam”… “O homem pode desencadear um ciclo de morte e de terror, mas não consegue interrompe-lo”. E depois: “A fé em amplas regiões da terra, arrisca de apagar como uma chama que não é mais alimentada”.
Observo que não é preciso ser depositário de nenhum grande segredo, nem ser um douto oráculo para dizer no ano 2010 o que já é uma velha realidade, a qual aliás se conhece há tempo mesmo sem aludir às suas causas religiosas e conciliares quanto à Fé. O mesmo Ratzinger, pelo menos desde 1984, na entrevista a Vittorio Messori, já falava de coisas semelhantes. O que diz então Socci agora seria nada mais que uma agravante da ação de ocultação dessa realidade desastrosa da parte dos «chefes conciliares». De fato, se é possível “intuir das palavras de Bento 16 que há deveras algo mais no Terceiro Segredo e é dramático para o mundo e para a Igreja!” como pensam continuar a dissociar o Segredo da realidade presente? Socci adianta que “Justamente à essa visita do papa é talvez devida a saída deste livro que deixa filtrar um outro pedacinho de verdade.” Porque: “Este volume baseia-se nas cartas da Irmã Lúcia e no Diário inédito intitulado “O meu caminho”. Impressionante, entre os inéditos, é a história de como a Irmã Lúcia superou o terror que a impedia de escrever o Terceiro Segredo.”
Vamos então ao livro original: «Um Caminho sob o Olhar de Maria», Biografia da Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, publicado pelo Carmelo de Coimbra. com imprimatur de 23 de Agosto de 2013. Já há meses tenho esse livro do Carmelo, onde está grande parte da documentação da Irmã com alguns inéditos e a sua correspondência. Isto sei porque algo da minha com a Irmã Lúcia é citada com meu nome em nota (p. 201) e digo isto porque nessa mesma carta há algo que vai interessar bastante.
Vejamos o que foi publicado por Socci, que está no livro e que nos interessa aqui porque relata a dificuldade da Vidente de Fátima em escrever a terceira parte do «Segredo» como lhe foi ordenado pelo seu Bispo.
«Embora com repugnância e algum receio de, mais uma vez, não conseguir, o que a deixava deveras perplexa, tentou novamente [escreve-lo]e não foi capaz! Vejamos como nos narra esse drama (p. 266):
- Enquanto que esperava a resposta, no dia 3-1-1944, ajoelhei-me junto da cama que, por vezes, me serve de mesa para escrevei) e de novo fiz a experiência, sem nada conseguir o que mais me impressionava, era que no mesmo momento escrevia sem dificuldade qualquer outra coisa. Pedi então a Nossa Senhora que me fizesse conhecer qual era a Vontade de Deus. E dirigi-me para a capela, eram as 4h da tarde, hora a que costumava ir fazer a visita ao Santíssimo, por ser a hora a que ordinariamente está mais só, e não sei porquê, mas gosto de me encontrar a sós com Jesus no Sacrário.
Aí ajoelhei-me no meio, junto ao degrau da mesa da Comunhão e pedi a Jesus que me fizesse conhecer qual era a Sua Vontade. Habituada como estava, a crer que as ordens dos Superiores são a expressão certa da Vontade de Deus, não podia crer que esta o não fosse. E perplexa, meio absorta, sob o peso duma nuvem escura que parecia pairar sobremim, com o rosto entre as mãos, esperava, sem saber como, uma resposta. Senti então, que uma mão amiga, carinhosa e maternal me toca no ombro, levanto olhar e vejo a querida Mãe do Céu.
«Não temas, quis Deus provar a tua obediência, Fé e humildade, está em paz e escreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado. Depois de escrito, encerra-o num envelope, fecha-o e lacra-o e escreve por fora, que só pode ser aberto em 1960, pelo Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa ou pelo Sr. Bispo de Leiria». E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi,
A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que não se pode contar) é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. O ódio, a ambição provocam aguerra destruidora! Depois senti no palpitar acelerado do coração e no meu espírito o eco duma voz suave que dizia: – No tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu!
Esta palavra Céu encheu a minha alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem me dar conta, fiquei repetindo por muito tempo: – O Céu! O Céu! Apenas passou a maior força do sobrenatural, fui escrever e fi-lo sem dificuldade, no dia 3 de Janeiro de 1944, de joelhos apoiada sobre a cama que me serviu de mesa. (O Meu Caminho, I, p. 158 – 160.)
Este texto guardado é deveras interessante, Tanto pelo seu conteúdo, como pelo relato da dificuldade encontrada pela Irmã para escrever o Segredo, como pela confirmação que foi Nossa Senhora a estabelecer a data de 1960 para a sua abertura.
Mas Socci vai além: deduz que “o Terceiro segredo é composto por duas partes: uma, a visão, escrita e enviada antes, enquanto a outra – aquela que nas palavras de Nossa Senhora é “o significado” da visão mesma – foi escrita e enviada sucessivamente.”
Segundo Socci, tratar-se-ia do “famoso e misterioso «anexo» a que acenou Capovilla… seria o texto, ainda não publicado, onde presumidamente está a parte que mais assustou a Irmã Lúcia. A mesma parte que assuntou João XXIII (mas também, antes dele, Pio XII) e que Roncalli decidiu não fazê-la conhecer porque – na sua opinião – podia ser só um pensamento da Irmã e não ter origem sobrenatural. É uma parte tão explosiva que continuam ainda a negar-lhe existência oficialmente. E a abertura de Bento XVI em 2010, que levou também a publicação deste volume, hoje voltou a fechar-se. A demonstrá-lo está o que aconteceu com Solideo Paolini, o maior estudioso italiano de Fátima que, em vista das páginas deste licro que lhe enviei, escreveu ao Carmelo de Coimbra pedindo de poder consultar as duas obras inéditas mencionadas no volume, considerando que ali haja ulteriores detalhes sobre a parte secreta.”
A este ponto, a total ausência de resposta ao pedido do «maior estudioso italiano de Fátima», significa para ele e Socci um «sim», porque «quem cala consente»! Eis um modo avançado de deduzir uma ideia que se quer confirmada como verdade!
Evidentemente a resposta era «sim», mas não se pode dar, porque seria explosiva…
Todavia a visão que eu apenas citei indica dois elementos que presumivelmente estão contidos no texto inédito do Segredo: a profecia de uma imensa desgraça para o mundo e uma grande apostasia e crise da Igreja; uma prova apocalíptica no fim da qual – Nossa Senhora o disse em Fátima – «o meu Coração Imaculado triunfará»… significa que hoje, em 2014 já entramos nessa espantosa prova? De fato basta ler as notícias…
A este ponto, depois de reconhecer que Socci tem sido útil para a difusão do «Segredo» e ainda mais pelo trabalho que fez sobre o Cristianismo como Religião mais perseguida da Terra, devemos voltar à realidade de Fátima, que não é nenhuma Medjugorge, tanto louvada por esse Autor. Minha análise sobre o Segredo è uma leitura da visão simbólica publicada no ano 2000, mas censurada e encampada pelos occupante do Vaticano. Isto sim è uma realidade macroscópica que não se quer reconhecer porque dizem o que a visão representa: que o Papa católico foi morto com seu inteiro séquito fiel a tiros e «setas», para que seja claro quanto esta visão è símbolo do atentado atual, não só aos que eram fiéis, mas à Fé e Igreja que eles representam. Não se quer ver isto como a verdadeira catástrofe que já era mais clara em 1960, quando foi eleito Roncalli, clérigo modernista e filo-maçom que operou para maçonizar a Igreja, como aconteceu? Esse desastre já estava numa entrevista da Irmã Lúcia ao Padre Fuentes, que foi censurada.
A enormidade da ruína se conheceu pela manipulação da verdade na sua mesma Sede terrena, a Santa Sé a que foi constituída para confirmar a Verdade, mas a corrompeu com o Vaticano 2; a que detinha a Mensagem de Fátima para chamar o mundo à conversão e penitência, mas censurou-a como profecia de desgraças. Mas porque não se citam os documentos reais que indicam o atentado à Fé e a Igreja, que são amplamente atestados por autoridades católicas há décadas? Quanto à Fátima, temos neste texto, de novo, a prova que foi manipulada sua datação de 1960, como a mesma Vidente.
Esta foi levada a dizer que esta data era posta ali de sua intuição e iniciativa. Porque? Pois é sobre isto que ela me respondeu, justamente nessa carta (24 de Junho de 1987) assinalada por esta nova biografia documentada da Irmã Lúcia (p. 201).
Na carta de 24.6.87 que recebi da Irmã Lúcia, esta responde à minha questão, repetindo-a: “O ano 1960, crucial na vida da Igreja e do mundo, por muitos factos ainda invisíveis, era previsto como momento para o conhecimento do Segredo, mas como a Misericórdia divina deu a conhecer a Irmã Lúcia esta data? A Irmã responde: “O como tive conhecimento desta data não estou autorizada a esplicá-lo aqui, mas tenhamos presente que, a autorização dada para que a Igreja podesse abrir a minha carta, não foi uma ordem para que a públicasse.”
Parece impossível conciliar aqui as duas coisas. Se foi a mesma Lúcia que estabeleceu o ano 1960 para a abertura da terceira parte do Segredo, como pode ela referir-se aqui à uma autorização à si mesma e depois à uma outra autorização e possível ordem dada para a Igreja ? Mistério ! E pretendem que hoje se acredite que o véu desta data, que manteve suspensa a atenção da Cristandade e do mundo por mais de meio século, não seja indicação do mesmo segredo, mas de uma intuição da Vidente?
De todo modo, não é possível mudar os fatos da história desse período. Na Igreja tudo mudou e não há dúvida que essas mutações no mundo católico causaram uma radical mudança na sociedade humana, degradação que foi constatada em todo o mundo.
Trata-se da mutação silenciosa que abriu as portas da sociedade à uma revolução social de enormes proporções, que mudou o modo de pensar e de viver do nosso tempo. E como é sempre o mundo espiritual a guiar o social, há que responder à questão de qual teria sido este evento para a Igreja? Compete pois a quem nega a importância desta data explicar a clamorosa coincidência pela qual justamente então iniciou a descristianização do mundo e a apostasia universal. Como escreve um teólogo: “Pode-se afirmar sem dar provas que a causa de toda a crise da Igreja é o próprio Vaticano 2 (convocado então). Quem deve fornecer as provas é quem nega essa causa eficiente do desastre eclesial. Mas para ser credível deverá revelar qual outro evento superou o Vaticano 2 em tão nefastas conseqüências, mais claras em 1960, como previsto para o Terceiro Segredo. O único evento devastador que o precedeu nesse período e que arruinou o mundo cristão, foi a negativa de João XXIII de publicar o Segredo da Mãe celeste para a salvação de seus filhos.”
Como se pode concluir, se a terceira parte da mensagem de Fátima ficasse privada da referência de uma data, a sua natureza profética ficaria, se fosse possível, neutralizada para prevenir perigos para a Fé. Como acreditar pois que 1960 foi um ano inventado pela Irmã Lúcia? Se assim fosse, como é possível que em 1959 o Bispo de Leiria-Fatima, Mons. Venancio, tenha se dirigido a todos os bispos do mundo, para propor a preparação ao evento da publicação da Terceira parte do Segredo com uma universal novena de oração. O apostolado de Fátima, feito de oração e penitência para obter a ajuda divina, concordava plenamente com a ortopraxis católica para os momentos difíceis, que quer os fieis atentos aos sinais divinos através da palavra do Chefe da Igreja. Mas no Vaticano a posição – ainda velada – era contrária às conversões e portato oposta à de Fátima.
Isto sim apoia-se em fatos de enorme gravidade que serviram à degradação ecumenista do mundo e só podem evocar castigos como foi o do dilúvio universal. Basta dizer que o mundo católico recebeu o sinal que o Vigário de Cristo, o Representante de Deus no mundo foi «liquidado» junto ao seu inteiro séquito fiel, mas até hoje não quer ligar a visão profética à realidade presente. Preferem aceitar como papa os que corrompem a santa Doutrina e acusar os católicos, assim chamados «sedevacantistas», que vêem o resultado dessa morte virtual. Mas afinal quem ama realmente o Pontífice Romano: quem vê no seu lugar um desviado da Palavra de Cristo, ou quem sabe que essa Sede não pode ser conspurcada por simulacros ecumenistas que não confessam – no tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu! ? É a questão crucial explicada pela Mãe de Deus e nossa: não há maior ruína do que a apostasia dessa Verdade – pela qual Jesus Cristo sofreu a Sua Paixão – pregada em nome da Sua mesma Igreja.
Eis a magna abominação espiritual à qual corresponde a maior desolação final.

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in Italiano: Autenticità del «Segreto» pubblicato nel 2000: http://wp.me/pWrdv-Ml





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FONTE: WWW.CLERUS.ORG

TRADUZIDO POR RODRIGO SANTANA

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