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Anjo, em latim angelus e no grego ángelos (ἄγγελος), significa mensageiro. São seres celestiais e espirituais, sinônimo de toda criatura celeste, não possuem forma ou figura alguma sensível, por serem puro espírito, criados para subsistir sem estar unido a corpo algum e criados por Deus à sua imagem, capazes de conhecê-Lo e amá-Lo, são livres para fazer o bem e o mal¹.
Essas criaturas são absolutamente incorpóreas, não havendo nenhuma composição de forma e matéria, porém existe ato e potência.
São numerosos, em quantidade que, “elevados ao quadrado, e multiplicados, nos indicam que é infinito o número das hierarquias celestes. Tão numerosos, de fato, são os exércitos bem aventurados dos seres-inteligência, que ultrapassam o deficiente e limitado campo de nossos números físicos”².
Entre os anjos, “ainda que da mesma ordem, possuem seu conjunto de primeiras, médias e últimos poderes”³. É impossível haver dois anjos da mesma espécie, cada um é único, “são, por natureza, incorruptíveis” e naturalmente não estão unidos a corpos4.
É reportado por muitos que já viram anjos, que assumiram corpos. No Antigo Testamentos há relatos de aparições, materializando, conversando, acompanhando pessoas e outros tantas. “Foi visto por Abraão e por toda a sua família, por Lote e pelos habitantes de Sodoma, bem como por Tobias”5.
O fato dos anjos assumirem corpos, como demonstrado no Antigo Testamento, era um indício de que Nosso Senhor assumiria um corpo humano, um indicativo da Encarnação do Verbo Divino. Os anjos assume corpos aéreo, por condensação, por virtude divina quando for necessário6.
Alguns podem supor, já que cada anjo é de sua espécie, que há uma só ordem dessas inteligências divinas? A resposta é não. Assim como Deus ordenou a criação sensível, assim também ordenou os seres celestiais, em hierarquias, onde há nove nomes desses seres. Dentro de cada hierarquia há uma função específica onde são classificados, sendo em três as hierarquias com três ordens cada uma7.
A primeira hierarquia, aquela que está mais próxima a Deus, unido a Ele, é formado por Serafins, que significa inflamado ou incandescente; depois os Querubins, plenitude de conhecimento e finalizando os Tronos, indicando que estão muito acima de toda deficiência terrena8.
A segunda hierarquia é formada em primeiro pelas Denominações, que são elevados livres de tendências terrenas; as Virtudes, fortaleza, viril, inquebrantável em toda obra e em terceiro as Potestades, ficam sempre prontas para receber os dons de Deus, indicam a natureza ordenada do poder celestial e intelectual9.
A terceira e última hierarquia é composta pelos Principados celestes, que exercem a imitação de Deus; pelos Arcanjos, que estando entre os principados e os anjos, comunica a ordem dos anjos com os principados, essa união da graça é passanda pelas iluminações recebidas de Deus. A última ordem é a dos Anjos, ou mensageiros, é a mais próxima a nós. Nesta hierarquia
Então temos, nove coros divididos em três hierarquias e cada hierarquia com três ordens:
1ª Hierarquia: Serafins, Querubins e Tronos;
2ª Hierarquia: Denominações, Virtudes e Potestades
3ª Hierarquia: Principados, Arcanjos e Anjos.
De toda multidão de anjos, apenas de três sabemos os nomes, o Arcanjos Gabriel, Miguel e Rafael.
Na última hierarquia há os anjos, os mensageiros, que são atarefados com as mais variadas missões, são eles que levam nossas orações a Deus, e trazem as suas mensagens. Executa as Suas ordens, sempre está subindo e descendo, em um trânsito incansável, assim como viu Jacó: "Viu (então) em sonhos uma escada posta sobre a terra, cujo cimo tocava o céu, e os anjos de Deus subindo e descendo por ela", Gen 28, 12.
Um anjo em especial nos é reservado, ele foi encarregado por Deus para nos vigiar, proteger-nos e defender-nos, pôr-nos ao abrigo das ciladas dos demônios e dos inimigos das almas iluminando a mente para melhor compreender-nos as verdades, inspirando-nos santos e bons conselhos, oferecendo nossas orações a Deus, assistindo-nos na hora da morte, conduzindo a alma ao juízo, ao Paraíso ou visitando no purgatório, como também o conduz as portas dos infernos.
Deus confiou a cada homem um anjo, que começa o seu ofício desde o nascimento e a cumpre até a sua morte. Da concepção até o nascimento o anjo da guarda da mamãe tem uma dupla missão, além da guarda dela também acompanha a pequena criatura até que nasça, quando é assumida por seu anjo exclusivo.
Cada um de nos tem seu anjo, assim como uma nação, uma diocese, uma cidade, uma ordem, cada um tem seu anjo protetor, enviado por Deus e que é exclusivo a cada um.
Assim, conforme nos ensina Santo Tomas de Aquino na Suma Teológica, toda criatura humana como as naturais é regido por algo superior, mesmo os anjos de uma hierarquia inferior são conduzidos pela superior, o homem é presidido por um superior, que é o anjo.
O Anjo, ainda segundo Santo Tomas, pode de certa forma iluminar os homens, fazendo-os ver as verdades, os milagres, levando as revelações das coisas divinas.
O mesmo santo sentencia que, para cada homem é delegado um anjo da guarda, essa guarda é uma execução da divina Providência, a cada homem é delegado um anjo que o guardará do nascimento a morte e esse anjo é exclusivo de cada alma, não os abandonando.
Alguns acham que quando pecamos os anjos entristecem, não é verdade. Os anjos são perfeitamente felizes, eles têm o gozo da visão beatífica, veem a Deus face a face e eles não entristecem pelos nossos pecados nem com as penas dos homens, pois, conforme Santo Tomas de Aquino, a tristeza e a dor procedem do oposto da vontade e nada acontece no mundo contrário à vontade dos anjos e dos santos.
Temos o dever de gratidão para com o nosso Anjo da Guarda e o reconhecimento da contínua assistência para conosco, o dever de escutar com fidelidade suas inspirações, de não lhe ofender a presença com o pecado e de nutrir devoção e confiança para com ele, em qualquer necessidade espiritual ou corporal.
Rezemos ao nosso Anjo da guarda durante o dia: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador; se ti lhe confiou a Piedade divina, sempre nos guarde, rege, governe e ilumina, amém!”
Ao deitar: “Santo Anjo da Guarda, meu poderoso protetor, guardai-me sempre na paz de vosso amor. Dos perigos, livrai-me; do mal, libertai-me; e nos momentos de angústia, consolai-me! Durante o sono, velai sobre o meu descanso, não deixeis o mal de mim se aproximar. Sob as asas do seu amor, possa meus sonhos habitar! Nesta noite de luz, afugentai as trevas do medo, afastai também as tentações, para que minha alma tranquila descanse sem aflições. E que no alvorecer de um novo dia, eu acorde feliz e restaurado, e seja para o mundo testemunha de ser sempre por vós amado!”
Ao levantar: “Santo Anjo do Senhor minha doce companhia, me guardou durante a noite, protegei durante dia!”
¹ Conf. Catecismo Maior de São Pio X, Primeira Parte, Dos Anjos,
² A hierarquia celeste, livro XIV
³ A hierarquia celeste, livro X cap. III
4 Suma Teológica Ia Pars Q.50, a.4; a.5; Q51, a1.
5 e 6 Conf. Suma Teológica Ia Pars Q.51, a.2
7; 8; 9; 10 A hierarquia celeste, livro VI cap. II; livro VII cap. IV; livro VIII; livro IX.

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