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| Imagens: Dominus Est |
Santíssimo Padre,
Há mais de cinquenta anos, a Fraternidade São Pio X se esforça por expor à Santa Sé o seu caso de consciência diante dos erros que destroem a fé e a moral católicas. Infelizmente, todas as discussões iniciadas permaneceram sem resultado, e todas as preocupações expressas não receberam nenhuma resposta verdadeiramente satisfatória.
Há mais de cinquenta anos, a única solução realmente considerada pela Santa Sé parece ser a das sanções canônicas. Para nosso grande pesar, parece-nos que o direito canônico é utilizado não para confirmar na fé, mas para afastar dela.
Pelo texto que se segue, a Fraternidade São Pio X tem a alegria de expressar a Vossa Santidade, de modo filial e sincero, nas circunstâncias presentes, o seu apego à fé católica, sem nada ocultar, nem a Vossa Santidade, nem à Igreja universal.
A Fraternidade entrega esta simples Declaração de Fé em Vossas mãos. Ela nos parece corresponder ao mínimo indispensável para podermos estar em comunhão com a Igreja, dizer-nos verdadeiramente católicos e, por conseguinte, Vossos filhos.
Não temos outro desejo senão o de viver e ser confirmados na fé católica romana.
“Assim, permanecendo firmemente enraizados e estabelecidos na verdadeira fé católica, esforçai-vos por ser sempre dignos ministros do sacrifício divino e da Igreja de Deus, que é o Corpo de Cristo.
Pois, como diz o Apóstolo: “Tudo o que não procede da fé é pecado” [1], cismático e fora da unidade da Igreja [2].”
Declaração de Fé Católica
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sabedoria divina, Verbo encarnado, que quis uma única religião, que tornou a Antiga Aliança definitivamente caduca, que fundou uma única Igreja, que triunfou sobre Satanás, que venceu o mundo, que permanece conosco até ao fim dos tempos e que voltará para julgar os vivos e os mortos.
Ele, Imagem perfeita do Pai, Filho de Deus feito homem, foi constituído único Redentor e Salvador do mundo pela Encarnação e pela oferta voluntária do sacrifício da Cruz. Nosso Senhor satisfaz à justiça divina derramando o seu preciosíssimo Sangue, e é nesse Sangue que ele estabelece a Nova e Eterna Aliança, abolindo a Antiga. É, por conseguinte, o único Mediador entre Deus e os homens e o único caminho para chegar ao Pai. Somente quem o conhece o Pai.
Por decreto divino, a Santíssima Virgem Maria foi associada direta e intimamente a toda a obra da Redenção; por isso, negar essa associação — nos termos recebidos da Tradição — equivale a alterar a própria noção de Redenção tal como a Providência divina a quis.
Existe apenas uma única fé e uma única Igreja pelas quais podemos ser salvos. Fora da Igreja Católica Romana, e sem a profissão da fé que ela sempre ensinou, não há nem salvação nem remissão dos pecados.
Por conseguinte, todo homem deve ser membro da Igreja Católica para salvar sua alma, e existe apenas um único batismo como meio de nela ser incorporado. Esta necessidade diz respeito a toda a humanidade sem exceção e inclui indistintamente cristãos, judeus, muçulmanos, pagãos e ateus.
O mandato recebido pelos Apóstolos, de pregar o Evangelho a todo homem e de converter todo homem à fé católica, permanece válido até ao fim dos tempos e responde à necessidade mais absoluta e mais imperiosa que existe no mundo. “Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado” [3]. Portanto, renunciar a cumprir esse mandato constitui o mais grave dos crimes contra a humanidade.
A Igreja romana é a única a possuir simultaneamente as quatro notas que caracterizam a Igreja fundada por Jesus Cristo: a Unidade, a Santidade, a Catolicidade e a Apostolicidade.
A sua unidade decorre essencialmente da adesão de todos os seus membros à única verdadeira fé, fielmente conservada, ensinada e transmitida pela hierarquia católica ao longo dos séculos.
A negação de uma única verdade de fé destrói a fé ela mesma e torna radicalmente impossível qualquer comunhão com a Igreja Católica.
O único caminho possível para restabelecer a unidade entre cristãos de diferentes confissões consiste no apelo premente e caritativo dirigido aos não-católicos a professar a única verdadeira fé no seio da única verdadeira Igreja.
De modo algum a Igreja Católica pode ser considerada ou tratada em pé de igualdade com um culto falso ou uma falsa Igreja.
O Pontífice Romano, Vigário de Cristo, é o único sujeito detentor da autoridade suprema sobre toda a Igreja. É ele somente quem confere diretamente aos outros membros da hierarquia católica a jurisdição sobre as almas.
“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que fizessem conhecer, sob sua revelação, uma doutrina nova, mas para que, com sua assistência, guardassem santamente e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o depósito da fé” [4].
A uma fé única corresponde um culto único, expressão suprema, autêntica e perfeita dessa mesma fé.
A Santa Missa é a perpetuação no tempo do sacrifício da Cruz, oferecido por muitos e renovado no altar. Embora oferecido de modo incruento, o santo sacrifício da Missa é essencialmente expiatório e propiciatório. Nenhum outro culto proporciona a adoração perfeita. Nenhum outro culto que não esteja em relação com ele é agradável a Deus. Nenhum outro meio é suficiente para a santificação das almas.
Por conseguinte, o santo sacrifício da Missa não pode de modo algum ser reduzido a uma simples comemoração, a uma refeição espiritual, a uma assembleia sagrada celebrada pelo povo, à celebração do mistério pascal sem sacrifício, sem satisfação da justiça divina, sem expiação dos pecados, sem propiciação e sem Cruz.
O auxílio prestado às almas pelos sacramentos da Igreja Católica é suficiente em toda circunstância e em toda época para permitir aos fiéis viver em estado de graça.
A lei moral contida no Decálogo e aperfeiçoada no Sermão da Montanha é a única praticável para obter a salvação das almas. Qualquer outro código moral — por exemplo, fundado no respeito pela criação ou nos direitos da pessoa humana — é radicalmente insuficiente para santificar e salvar uma alma. De modo algum pode substituir a única verdadeira lei moral.
À exemplo de São João Batista, a verdadeira caridade nos obriga a advertir os pecadores e a nunca renunciar a tomar os meios necessários para salvar suas almas.
Quem come o Corpo de Nosso Senhor e bebe o seu Sangue em estado de pecado come e bebe a sua própria condenação, e nenhuma autoridade pode modificar essa lei contida no ensinamento de São Paulo e na Tradição.
O pecado impuro contra a natureza é de tal gravidade que clama sempre e em qualquer circunstância vingança diante de Deus, e é radicalmente incompatível com qualquer forma de amor autêntico e cristão. Portanto, tal “modo de vida” não pode de modo algum ser reconhecido como um dom de Deus. Um casal que pratica esse vício deve ser ajudado a libertar-se dele, e não pode de modo algum ser abençoado — formal ou informalmente — pelos ministros da Igreja.
A submissão das instituições e das nações enquanto tais à autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo decorre diretamente da Encarnação e da Redenção. Por isso, a laicidade das instituições e das nações constitui uma negação implícita da divindade e da realeza universal de Nosso Senhor.
A cristandade não é um simples fenômeno histórico, mas a única ordem querida por Deus entre os homens.
Não cabe à Igreja conformar-se ao mundo, mas ao mundo ser transformado pela Igreja.
É nesta fé e nestes princípios que pedimos ser instruídos e confirmados por Aquele que recebeu o carisma para fazê-lo.
Com a ajuda de Nosso Senhor, preferimos a morte a renunciar a eles.
É nesta fé imutável que desejamos viver e morrer, na esperança de que ela ceda lugar à visão direta da imutável Verdade eterna.
Notas
[1] Rm 14,23
[2] Cf. São Cipriano, De unitate Ecclesiae
[3] Mc 16,16
[4] Concílio Vaticano I, Pastor Aeternus, cap. IV

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