"A implantação de chips em seres humanos pode marcar a consolidação de uma nova humanidade, formada por pessoas híbridas"
Imagem sem créditos na internet.
Paulo Roberto Oliveira dos Santos
Corre pela internet a notícia de que a empresa Neuralink em breve testará o implante de chips no cérebro humano. Há informações de que os chips já foram testados em porcos e em macacos, mas a comunidade científica parece apreensiva com testes em seres humanos.
A implantação de chips em seres humanos pode marcar a consolidação de uma nova humanidade, formada por pessoas híbridas, meio máquina meio robô. Pode-se argumentar que o chip pode vir a melhorar a saúde e talvez a qualidade de vida de muitas pessoas. Algo semelhante tem sido dito quando se fala da bioimpressão 3D e diferentes produtos de terapia avançada. Entretanto, a ideologia que supunha resolver os problemas da humanidade a partir de avanços técnico-científicos não é novidade e já foi frustrada.
Ademais, poderíamos especular sobre eventuais custos de uma implantação de chips em seres humanos. Primeiramente, estamos diante de um vir-a-ser, e como tal, pode ou não se efetivar. E caso ocorra, possivelmente será após muitos testes, o que supõe muitas vidas de cobaias perdidas. Em segundo lugar, o sucesso da implantação de um chip no interior de uma pessoa, inicialmente com alegadas boas intenções, pode abrir uma porta gigantesca para a inserção de chips com qualquer outra coisa dentro. Obviamente, isso seria um risco e uma dúvida constantes. E como se sabe, tempos de crise sugerem imposição de inserção de substâncias em nosso corpo, sob pretexto de que é o melhor para nossa saúde individual ou coletiva, ainda que contra nossa vontade.
De qualquer maneira, o que se evidencia é a expectativa de que as condições materiais de vida esgotem as possibilidades de realização do ser humano, ideologia reafirmada veementemente por uma eventual implantação de chips em seres humanos.
E falando em ideologia, a utilização da técnica para cometer abusos contra o reto ordenamento da natureza é algo possível na atualidade porque há 3 elementos que expressam um paradigma cultural propício: o materialismo, o cientificismo e o antropocentrismo. Essas 3 ideologias são diferentes expressões da oposição à Cristandade e atualizam a tentação original da serpente, que disse: “Sereis como deuses”.
Ora, como o homem poderia avançar no seu colocar-se no lugar de Deus a partir da implantação de chips? Não satisfeito em participar da geração de novas vidas humanas de forma natural, conforme pensado por Deus, o ser humano agora poderá ser gerado um novo tipo de humanidade, o qual lhe possibilitará equiparar-se a Deus enquanto criador.
É certo que, desde o início de sua jornada na Terra, o ser humano sempre inovou, buscou novas tecnologias para melhorar suas condições de vida, e algumas das tecnologias desenvolvidas mudaram radicalmente a forma como o ser humano vive e indicou diversas outras possibilidades de avanços. E não há dúvidas de que, nos últimos séculos, várias das tecnologias estão no campo da saúde, e tem permitido maior longevidade e melhores condições de vida a várias pessoas.
Ainda assim, é necessário reafirmar que o ser humano é unidade substancial de corpo e alma, e esta possui aspirações elevadas que também precisam ser satisfeitas. Por esta razão, evidencia-se que toda longevidade e qualidade de vida material precisa ser acompanhada de um aspecto contemplativo para que o ser humano possa se aproximar de seu fim pleno. É ilícito que terapias, técnicas, inovações tecnológicas ou qualquer outra coisa cause desordens na vida humana. Quando isso ocorre, o ser humano está se colocando contra Deus, ou pior, está se colocando no lugar d’Ele.

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