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No cemitério marítimo de L'Herbaudière estão enterradas algumas vítimas do naufrágio do Saint-Philibert em 14 de junho de 1931 Imagens: franceinfo |
Em 14 de junho de 1931 Saint-Philibert, um barco a vapor com 32 metros de comprimento e 6,40 metros de largura e pesando 170 toneladas, partiu do píer de Pornic para Noirmoutier, uma ilha de maré no Oceano Atlântico e pertencente hoje ao departamento da Vendée, França, naufragou quando retornava a Pornic vitimando cerca de 400 pessoas, a maioria trabalhadores de Nantes.
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O barco a vapor Saint-Philibert Pertencia às Messageries de l'Ouest, uma subsidiária da Compagnie de l'Ouest. Imagem: La Chouette de Vendée |
Nantes, capital de Loire-Atlantique, situa a cerca de 50 km do Oceano Atlântico e possuía majestosas procissões na festa de Corpus Christi, sendo proibidas em 1903 pelos governos maçônicos, foram restabelecidas em 1921 e proibidas novamente em 1925. No ano de 1931 as procissões foram liberadas e haveria, não na quinta-feira, mas no domingo de 7 de junho, na França Corpus Christi não é feriado e naquele ano a festa do Corpo de Deus foi na quinta-feira dia 4 de junho. No domingo, sete, que dev eria haver a procissão, choveu muito forte em Nantes e o Bispo, S. E. Mons. Eugène de La Motte, suspendeu a procissão a remarcando para o domingo seguinte, 14 de junho, convocando os fiéis para comparecerem.
A reação dos maçons, zombando do bispo, foi imediata nos jornais do dia seguinte, falaram da chuva que interrompeu a procissão e, aproveitaram para convidar a população convocando os trabalhadores, para uma excursão para Noirmoutier no navio a vapor Saint-Philibert, dizendo que o tempo será perfeito e que ninguém poderia perder a excursão por conta de ir à Missa ou a procissão.
A "União dos Cooperadores de Nantes" em ligação com a Bourse du Travail, grupo de apoio a sindicatos, havia acabado de criar uma "Société des Loisirs", que oferecia aos seus membros e a uma população bastante modesta uma situação diferente, distrações ou passeios e pela primeira vez, decidiram se organizar um cruzeiro de excursão para a ilha de Noirmoutier em junho de 1931. E para isso, eles haviam feito contato com as Messageries de l'Ouest proprietária da embarcação, reservando o Saint-Philibert para domingo, 14 de junho.
A ideia foi muito bem recebida e apoiado pela Liga dos Direitos Humanos, pelo Partido Socialista SFIO e pelos sindicatos de trabalhadores. Sr. Le Pourriel, Presidente da União dos Cooperadores Insistiu em participar desse passeio na companhia de sua família, por isso ele chegou a sacrificar o banquete de outra associação da qual também era membro Presidente, por tanto a ideia de Monse. Eugène de La Motte em transferir a procissão para o dia 14 foi zombada pelos maçons que aclamavam que nada poderia os tirar “deste maravilhoso passeio”.
No dia 14, sim o dia amanheceu bom, ensolarado e a procissão ocorreu como antes, sem incidentes, com grande número de fiéis, menos aqueles que embarcaram no navio, mais de 400, alguns dizem que foram mais de quinhentos, outros que beirava os seiscentos.
A outra parte da história começa por volta das 6hrs daquela manhã que prometia um dia ensolarado, os passageiros embarcam na nau, sem preverem o que aconteceria, mais de 400 pessoas adultas a bordo, além de crianças que não foram contabilizadas, zarparam com destino a Noirmoutier, onde atracaram por volta das 13 horas. Alguns passageiros ocuparam com piqueniques na floresta do Chaize, localizado imediatamente em proximidade um refúgio agradável de paz, relaxante, outros preferiram caminhar.
As 16h30, a sirene do barco soa repetidamente para chamar os passageiros de volta, o mar havia subido mais cedo e mais rápido, o que sempre é sinal de mau tempo e o capitão da embarcação, ciente das más condições, não desejava em voltar ao mar nessas condições, mas alguns passageiros o teriam pressionado para que retornasse, já que muitos teriam que trabalhar no outro dia.
Ás 17 horas zarpou o barco, já com o mar agitado, uma hora após a partida ficou pior com ondas de até cinco metros e com o balançar da embarcação, os ocupantes buscaram refugiar do vento e dos respingos de água, correram todos a um lado, desequilibrando a nau, então uma grande onda fez o barco girar e em seguida outra maior o virou levando-o para o fundo em poucos segundos.
O vigia mestre Adrien de um farol, viu o desastre, era 18h30, imediatamente deu o alarme, mas o tempo era muito ruim, o primeiro barco não conseguiu chegar ao local após as 20h. Um rebocador resgatou um passageiro austríaco vivo agarrado a uma boia e três cadáveres. Outro barco salvou 7 jovens que sabiam nadar, essas oito pessoas seriam as únicas sobreviventes do naufrágio.
Reportagem no New York Times de 15 de junho de 1931
Tudo o que aqueles que responderam ao chamado de resgate encontraram na água foram, exceto um barco com alguns sobreviventes, alguns corpos flutuando e alguns detritos. A maioria dos passageiros e toda a tripulação deve ter sido levada para o fundo quando a embarcação afundou. Outro sobrevivente, Albert Berthy de Nantes, ao contar a história da catástrofe, apontou para seu relógio de pulso, que havia parado às 6h30, como a hora em que tudo aconteceu. "O vento soprava forte o dia todo em rajadas, e com violência de furacões às vezes", disse ele. "Depois das 4 horas piorou, e quando nos aproximamos do Banco Chatelier, onde a água é rasa, as ondas eram tão altas e ferozes que a maioria dos passageiros que não conseguiu se abrigar nas cabines foi para o lado de bombordo para se manter secos..., fiquei do lado de estibordo...quando sentimos o barco começar a virar com o peso das pessoas que haviam se amontoado ao lado bombordo...Uma onda enorme nos atingiu naquele instante. O navio virou e afundou imediatamente pela popa. Como escapei, eu não sei. Fui arrastado para o fundo da água”.
O resgate e os funerais
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| As primeiras vítimas chegando ao porto Imagem: La Chouette de Vendée |
Por volta das 21hrs a tempestade acalmou e começaram a chegar as primeiras 54 vítimas, no início da manhã 77 corpos foram depositados salão da empresa em Saint-Nazaire, 72 já haviam sido identificados.
No dia 18 ocorreu um grandioso funeral dos primeiros 77 corpos, ao longo da semana outros 200 foram devolvidos pelo mar, entre eles o do capitão com utros seis na praia de Porniche. Corpos foram aparecendo na ilha de Yeu, em La Rochelle, na Île de Ré e Rochefort-sur-Mer, no total 409, 100 não foram identificados e outros 50 permaneceram desaparecidos.
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Os corpos foram levados para a capela do Château des Ducs. Imagem: La Chouette de Vendée |
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Funeral em Nantes Imagem: La Chouette de Vendée |
Em cinco de agosto daquele ano, o Saint-Philibert foi retirado do fundo do mar e no seu interior localizado os últimos 33 corpos, pessoas que estavam nas cabines internas do barco. A embarcação foi recuperada e continuou a navegar transportando cargas, até 1979, sendo batizado com vários nomes e o último foi "Côte d'Amour", era usada para o transporte de areia.
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O resgate do Saint-Philibert. Imagem: La Chouette de Vendée |
Castigo ou aviso.
Alguns dizem que o naufrágio foi um castigo de Deus por não terem, as quase 500 vítimas, não participado na procissão da festa do Corpo de Deus, mas não poderia ser um aviso para que não fossem na excursão? A chuva que impediu a procissão, o chamado do bispo, a mudança do dia poderia ser um aviso para que, buscassem a Deus.
Fico com um ato de misericórdia de Deus e não como um castigo. Deus procura de toda forma resgatar as almas e leva-las para o céu e não poderia simplesmente desejar o mal, veja quantas naquele dia estavam em pecado mortal, quantas não confessaram, deixaram de ir à Missa naquele domingo.
Além das vítimas que embarcaram, na volta tivemos outros 46 que não embarcaram: 26 pessoas, que haviam sofrido de enjoo na ida, preferiram retorna de carruagem; 17 outros ficaram para dormir com suas famílias; 1 que foi fumar e perdeu o embarque e outros 2 jovens que voltaram posteriormente sem motivo aparente.
Deus através de seus Santos Anjos da Guarda nos avisa dos perigos, mas muitas vezes o orgulho nos impede de ouvir Sua voz.
Nossa Senhora da Piedade, rogai por nós!
- https://patrimonia.nantes.fr/home/decouvrir/themes-et-quartiers/saint-philibert.html
- https://www.nytimes.com/1931/06/15/archives/350-drowned-off-france-when-hurricane-capsizes-crowded-excursion.html
- https://francearchives.gouv.fr/fr/facomponent/b3c044b812fa1feee338dd52ef83993e5583df9a
- https://www.la-chouette-de-vendee.fr/blog/params/post/1456566/
- http://enenvor.fr/eeo_actu/maritime/le_drame_du_saint_philibert.html
- https://www.ceifadores.com.br/noticia/16604
- https://philippesaintmarc.wixsite.com/autrefois-nantes/fete-dieu-1921







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