Seja por sempre e em todas partes conhecido, adorado, bendito, amado, servido e glorificado o diviníssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

Nota do blog Salve Regina: “Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram.” Mons. Marcel Lefebvre

Pax Domini sit semper tecum

Item 4º do Juramento Anti-modernista São PIO X: "Eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente" - JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

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Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI”. - Declaração do Pe. Camel.

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Ao negar a celebração da Missa Tradicional ou ao obstruir e a discriminar, comportam-se como um administrador infiel e caprichoso que, contrariamente às instruções do pai da casa - tem a despensa trancada ou como uma madrasta má que dá às crianças uma dose deficiente. É possível que esses clérigos tenham medo do grande poder da verdade que irradia da celebração da Missa Tradicional. Pode comparar-se a Missa Tradicional a um leão: soltem-no e ele defender-se-á sozinho”. - D. Athanasius Schneider

"Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa (desde que não se falte à verdade), sendo obra de caridade gritar: Eis o lobo!, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado".- São Francisco de Sales

“E eu lhes digo que o protestantismo não é cristianismo puro, nem cristianismo de espécie alguma; é pseudocristianismo, um cristianismo falso. Nem sequer tem os protestantes direito de se chamarem cristãos”. - Padre Amando Adriano Lochu

"MALDITOS os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável SALVADOR seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteão de falsos deuses". - Padre Emmanuel

“O conteúdo das publicações são de inteira responsabilidade de seus autores indicados nas matérias ou nas citações das referidas fontes de origem, não significando, pelos administradores do blog, a inteira adesão das ideias expressas.”

22/08/2012

Carta Encíclica MIRARI VOS - Papa Gregório XVI


 Carta Encíclica
MIRARI VOS
a todos os Patriarcas, Primazes, Arcebispos e Bispos
do Orbe Católico,
sobre os principais erros.

Veneráveis irmãos,
Saúde e Bênção Apostólica.

A Rebelião dos ímpios, causa de seu silêncio
1. Creio-vos admirados, porque desde que sobre Nós pesa o cuidado da Igreja universal, ainda não vos dirigimos Nossas cartas, como o costume arraigado da Igreja e Nossa benevolência para convosco o reclamam. Mui veemente era, em verdade, o desejo de abrir-vos Nosso coração e, ao comunicar-vos Nossa palavra, fazer-vos ouvir aquela mesma voz, pela qual Nos foi ordenado, na pessoa de Pedro, confirmar nossos irmãos (Lc 22,23). Mas bem sabeis que a procela de males e aflições que nos combateu desde os primeiros momentos de Nosso pontificado, ergueu-se, subitamente, qual vagalhão tão impetuoso que, se não Nos deplorais qual náufrago da terrível conspiração dos ímpios é mercê de um esforço da onipotência divina. Com o coração alanceado pela tristíssima consideração de tantos males, não se tem ânimo para relembrar tamanha amargura; preferimos, pois, bendizer ao Pai de toda consolação que, humilhando os perversos, Nos livro do presente perigo e, acalmando a turbulenta tempestade, Nos permitiu respirar. Então Nos propusemos a dar-vos conselhos para pensar as chagas de Israel, mas o grande número de cuidados que pesou sobre Nós, enquanto conciliávamos o restabelecimento da ordem pública, foi causa de mais tardança. A insolência dos ímpios que tentaram, de novo, arvorar a bandeira da rebelião, foi novo motivo de Nosso silêncio. E Nós, ainda que com tristeza indizível, vimo-Nos obrigado a reprimir, com pulso firme, (1 Cor 4,21), a contumácia daqueles homens, cujo furor se exaltava de mais a mais, longe de se abrandar pela constante impunidade e pela Nossa clemência. E desde então podeis muito bem deduzir que Nossos cuidados se tornaram mais constantes.
Mas, havendo já tomado posse do pontificado na Basílica de Latrão, consoante costume estabelecido por Nossos maiores, e que fora retardada pelas causas supraditas, sem dar azo a mais delongas, damo-Nos pressa em dirigir-vos a presente carta, testemunho de Nosso afeto para convosco, neste dia gratíssimo, em que celebramos a solene festa da gloriosa Assunção da Santíssima Virgem, a fim de que aquela que Nos foi protetora e salvadora em gravíssimas calamidades, Nos seja propícia, iluminando-Nos o intelecto com celeste inspiração, para dar-vos os conselhos mais conducentes à santificação da grei cristã.

Lamentação dos males atuais
2. Em verdade, triste e com o coração dolorido, dirigimo-Nos a vós, a quem vemos cheios de angústia, ao considerar a crueldade dos tempos que fluem para com a religião que tanto estremeceis. Na verdade, poderíamos dizer que esta é a hora do poder das trevas para joeirar como o trigo, os filhos de escol (Lc 22,53); "a terra ficou infeccionada pelos seus habitantes, porque transgrediram as leis, mudaram o direito, romperam a aliança eterna" (Is 24,5). Referimo-Nos, Veneráveis Irmãos, aos fatos que vedes com vossos próprios olhos e todos choramos com as mesmas lágrimas. A maldade rejubila alegre, a ciência se levanta atrevida, a dissolução é infrene. Menospreza-se a santidade das coisas sagradas, e o culto divino, que tanta necessidade encerra, não é somente desprezado, mas também vilipendiado e escarnecido. Por esses meios é que se corrompe a santa doutrina e se disseminam, com audácia, erros de todo gênero. Nem as leis divinas, nem os direitos, nem as instituições, nem os mais santos ensinamentos estão ao abrigo dos mestres da impiedade.
Combate-se tenazmente a Sé de Pedro, na qual pôs Cristo o fundamento de sua Igreja; forçam-se e rompem-se, momentaneamente, os vínculos da unidade. Impugna-se a autoridade divina da Igreja e, espezinhados os seus direitos, é submetida a razões terrenas; com suma injúria, fazem-na objeto do ódio dos povos, reduzindo-a a torpe servidão. O clamoroso estrondo de opiniões novas ressoa nas academias e liceus, que contestam abertamente a fé católica, não já ocultamente e por circunlóquios, mas com guerra cura e nefária; e, corrompidos os corações dos jovens pelos ensinamentos e exemplo dos mestres, cresceram desproporcionadamente o prejuízo da religião e a depravação dos costumes. Por isso, rompido o freio da religião santíssima, somente em virtude da qual subsistem os reinos e se confirma o vigor de toda potestade, vemos campear a ruína da ordem pública, a desonra dos governantes e a perversão de toda autoridade legítima; e a origem de tantas calamidades devemos buscá-la na ação simultânea daquelas sociedades, nas quais se depositou, como em sentina imensa, quanto de sacrilégio, subversivo e blasfemo acumularam a heresia e a impiedade em todos os tempos.

Para corrigi-los, os Bispos devem trabalhar unidos à Cátedra de Pedro
3. Estas coisas, Veneráveis Irmãos, e outras muitas, talvez de maior gravidade, que seria prolixo referi-las e que vós conheceis perfeitamente, Nos obrigam a experimentar dor amarga e constante, pois, constituído na Cátedra do Príncipe do Apóstolos, é mister que o zelo pela casa de Deus Nos consuma. E sabedores, em razão de Nosso múnus, de que não é suficiente deplorarem-se tantos males, mas que se faz necessário remediá-los com todas as nossas forças, recorremos à vossa fé e imploramos a vossa solicitude pela grei católica, Veneráveis Irmãos, porque a vós cabe a virtude e a religião, a singular prudência e constância, que Nos encorajam e consolam em meio a tantas desgraças.
A Nós toca o dever de levantar a voz e envidar todos os esforços, para que o javali não destrua a vinha e o lobo não destroce o rebanho; devemos dar-lhes pábulo tão salutar, que nem de leve sequer sejam suspeitos. Longe de Nós, e mui longe, que os pastores faltem ao seu dever, abandonando covardemente as ovelhas, quando tantos males nos afligem e tantos perigos nos cercam, e que, sem cuidar da grei, se manchem com o ócio e a negligência. Façamos, pois, causa comum, digo melhor, a de Deus e, de espírito uno, porfiemos contra o inimigo comum, com uma só intenção com um só esforço.
4. Tudo isto cumprireis plenamente, se, segundo vosso dever, cuidardes de vós mesmos e da doutrina, tendo sempre presente que a Igreja universal repele toda novidade (S. Caelest. PP., ep. 21 ad episc. Galliar.) e que, conforme conselho do Pontífice Santo Agatão, nada se deve tirar daquelas coisas que hão sido definidas, nada mudar, nada acrescentar, mas que se devem conservar puras, quanto à palavra e quanto ao sentido (Ep. ad imp. apud Labb. Tomo II, p. 235, Ed. Mansi). Daqui surgirá a firmeza da unidade, que se radica, em seu fundamento, na Cátedra de Pedro, a fim de que todos encontrem baluarte, segurança, porto bonançoso e tesouro de inumeráveis bens, justamente onde as Igrejas possuem a fonte de seus direitos (S. Innocent. Papa, ep. II, apud Constat.). Para reprimir, portanto, a audácia dos que ora intentam infringir os direitos desta Sé, somente na qual se apoiam e recebem vigor, preciso é incular um profundo sentimento de fidelidade e veneração para com ela, clamando, a exemplo de São Cipriano, que em vão protesta estar na Igreja o que abandonou a Cátedra de Pedro, sobre a qual está fundada (S. Cypr., De unitate eccles.).
5. Deveis, pois, trabalhar e vigiar assiduamente, para guardar o depósito da fé, apesar das tentativas dos ímpios, que se esforçam por dissimulá-lo e desvirtuá-lo. Tenham todos presente que o julgar da sã doutrina, que os povos têm de crer, e o regime e o governo da Igreja universal é da alçada do Romano Pontífice, a quem foi dado por Cristo pleno poder, para apascentar, reger e governar a Igreja universal, segundo os ensinamentos legados pelos Padres do Concílio de Florença (Sess. 25, in definit. apud Labb., tom. 18, col. 527. Edit. Venet.). Portanto, todo Bispo deve aderir fielmente à Cátedra de Pedro, guardar o depósito da fé santa e apascentar religiosamente o rebanho de Deus que lhe foi confiado. Os presbíteros estejam sujeitos aos Bispos, considerando-os, segundo aconselha São Jerônimo, como pais da alma (Ep. 2 ad Nepot., a. 1, 24); e jamais esqueçam que os cânones mais antigos lhes vedam o desempenho de qualquer ministério, o ensino e a pregação sem licença do Bispo, a cujo cuidado foi condiado o povo e de quem se hão de pedir contas das almas (Ex can., app 33 apud Labb., tomo I, p. 38, edt. Mansi.). Por fim, tenha-se por certo e estável que, quantos intentarem contra esta ordem estabelecida, enquanto depender de sua parte, perturbam o estado da Igreja.

Imutabilidade da doutrina e disciplina da Igreja
6. Reprovável seria, na verdade, e muito alheio à veneração com que se devem acolher as leis da Igreja, condenar, somente por néscio capricho de opinião, a doutrina que foi por ela sancionado, na qual estão contidas a administração das coisas sagradas, a regra dos costumes e dos direitos da Igreja, a ordem e a razão dos seus ministros, ou então acoimá-la de oposicionista a certos princípios de direito natural, julgando-a deficiente e imperfeita, ou ainda sujeitando-a à autoridade civil.
Constando, com efeito, como reza o testemunho dos Padres do Concílio de Trento (Sess. 13, dec. de Eucharistia in proœm.), que a Igreja recebeu sua doutrina de Jesus Cristo e dos seus Apóstolos, e que o Espírito Santo a está continuamente assistindo, ensinando-lhe toda a verdade, é por demais absurdo e altamente injurioso dizer que se faz necessária uma certa restauração ou regeneração, para fazê-la voltar à sua primitiva incolumidade, dando-lhe novo vigor, como se fosse de crer que a Igreja é passível de defeito, ignorância ou outra qualquer das imperfeições humanas; com tudo isto pretendem os ímpios que, constituída de novo a Igreja sobre fundamentos de instituição humana, venha a dar-se o que São Cipriano tanto detestou: que a Igreja, coisa divina, se torne coisa humana (Ep. 52, edit. Baluz.). Pensem, pois, os que tal supõem, que somente ao Romano Pontífice como atesta São Leão, tem sido confiada a constituição dos cânones; e que somente a ele, que não a outro, compete julgar dos antigos decretos dos cânones, medir os preceitos dos seus antecessores para moderar, após diligente consideração, aquelas coisas, cuja modificação é exigida pela necessidade dos tempos (Ep. ad. episc. Lucaniae).

Defesa do celibato clerical
7. Reclamamos, aqui, também a vossa invicta constância para combater a torpíssima conspiração que se tem tramado contra o celibato clerical, a qual, como sabeis, cresce de momento para outro, porque com os falsos filósofos do nosso século fazem coro alguns eclesiásticos que, esquecidos da sua dignidade e estado, e aliciados pela voluptuosidade, chegaram a licenciosidade tal, a ponto de em alguns lugares se atreverem a pedir publicamente faculdade aos príncipes para infringir tão santa disciplina. Mas causa-nos rubor falar extensamente de intentos tão torpes e, confiado em vossa piedade, pedimo-vos que, com todas as forças e apoiados nas prescrições dos sagrados cânones, custodieis, defendais, e vindiqueis, em toda sua integridade, aquela lei de tamanha gravidade, contra a qual os inimigos assestam seus dardos.

Caracteres do matrimônio cristão
8. Reclama também nosso especial cuidado aquela união santa dos cristãos, chamada pelo Apóstolo sacramento grande em Cristo e na Igreja (Ef 5,33; Heb 13,4), para que não se diga e nem se tente dizer algo quer contra a santidade quer contra a força indissolúvel deste vínculo. O mesmo Nos recordara Nosso antecessor Pio VIII, de santa memória, com não pouca insistência; mão obstante, seus esforços não foram bastantes para sustar todo o mal. Devemos, pois, ensinar aos povos que o matrimônio, legitimamente contraído, já não pode ser dissolvido, e que os unidos pelo matrimônio forma, por vontade de Deus, sociedade perpétua com vínculos tão íntimos que só a morte os pode dissolver. Tenham presente que o matrimônio pertence às coisas sagradas, e está sujeito à Igreja; tenham-se presentes as leis que sobre ele há ditado a Igreja; obedeçam-lhe santa e escrupulosamente, pois dela dependem a eficácia, força e justiça da união. Não admitam, de forma alguma, algo que esteja em oposição aos sagrados cânones ou aos decretos dos concílios, pois não desconhecem o mau resultado que necessariamente hão de acarretar as uniões que se fazem contra a disciplina da Igreja, sem implorar a proteção de Deus, somente por leviandade, sem pensar no sacramento e nem nos mistérios que nele são significados.

Condenação do indiferentismo religioso
9. Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda parte, graças aos enganos dos ímpios, e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis, com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef 4, 5): entendam, portanto, os que pensam poder-se ir de todas as partes ao porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo (Lc 11,23), e os que não colhem com Cristo dispersam miseramente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha (Simbol. Sancti Athanasii); ouçam S. Jerônimo, do qual se diz que quanto alguém tentara atraí-lo para a sua causa, dizia sempre com firmeza: O que está unido à Cátedra de Pedro é o meu (S. Hier., ep. 57). E nem alimentem ilusões porque estão batizados; a isto calha a resposta de Santo Agostinho que diz não perder o sarmento sua forma quando está amputado da vide; porém, de que lhe serve, se não tira sua vida da raiz? (In Ps. contra part. Donat.).

Delírio da liberdade de consciência
10. Dessa fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e defende a liberdade de consciência. Este erro corrupto abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estendo por toda parte, chegando a imprudência de alguém se asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma, do que a liberdade do erro! dizia Santo Agostinho (Ep. 166). Certamente, roto o freio que mantém os homens nos caminhos da verdade, e inclinando-se precipitadamente ao mal pela natureza corrompida, consideramos já escancarado aquele abismo (Apoc 9,3) do qual, segundo foi dado ver a São João, subia fumaça que entenebrecia o sol e arrojava gafanhotos que devastavam a terra. Daqui provém a efervescência de ânimo, a corrupção da juventude, o desprezo das coisas sagradas e profanas no meio do povo; em uma palavra, a maior e mais poderosa peste da república, porque, segundo a experiência que remonta aos tempos primitivos, as cidade que mais floresceram por sua opulência, extensão e poderio sucumbiram, somente pelo mal da desbragada liberdade de opiniões, liberdade de ensino e ânsia de inovações.

Monstruosidade da liberdade de imprensa
11. Devemos tratar também neste lugar da liberdade de imprensa, nunca condenada suficientemente, se por ela se entende o direito de trazer-se à baila toda espécie de escritos, liberdade que é por muitos desejada e promovida. Horroriza-Nos, Veneráveis Irmãos, o considerar que doutrinas monstruosas, digo melhor, que um sem-número de erros nos assediam, disseminando-se por todas as partes, em inumeráveis livros, folhetos e artigos que, se insignificantes pela sua extensão, não o são certamente pela malícia que encerram, e de todos eles provém a maldição que com profundo pesar vemos espalhar-se por toda a terra. Há, entretanto, oh que dor! quem leve a ousadia a tal requinte, a ponto de afirmar intrepidamente que essa aluvião de erros que se está espalhando por toda parte é compensada por um ou outro livro que, entre tantos erros, se publica para defender a causa da religião. É por toda forma ilícito e condenado por todo direito fazer um mal certo e maior, com pleno conhecimento, só porque há esperança de um pequeno bem que daí resulte. Porventura dirá alguém que se podem e devem espalhar livremente venenos ativos, vendê-los publicamente e dá-los a tomar, porque pode acontecer que, quem os use, não seja arrebatado pela morte?
12. Foi sempre inteiramente distinta a disciplina da Igreja em perseguir a publicação de livros maus, desde o tempo dos Apóstolos, dos quais sabemos terem queimado publicamente muitos deles. Basta ler as leis que a respeito deu o V. Concílio de Latrão e a constituição que ao depois foi dada a público por Leão X, de feliz recordação, para que o que foi inventado para o progresso da fé e a propagação das belas artes não sirva de entrave e obstáculo aos Fiéis em Cristo (Act. Concílio Lateran. V, ses. 10; e Constituição Alexand. VI "Inter multiplices").O mesmo procuraram os Padres de Trento que, para trazer remédio a tanto mal, publicaram um salubérrimo decreto para compor um índice de todos aqueles livros que, por sua má doutrina, deviam ser proibidos (Conc. Trid. sess. 18 e 25). Há que se lutar valentemente, disse Nosso predecessor Clemente XIII, de piedosa memória; há que se lutar com todas as nossas forças, segundo o exige a gravidade do assunto, para exterminar a mortífera praga de tais livros, pois o erro sempre procurará onde se fomentar, enquanto não perecerem no fogo esses instrumentos de maldade (Encíclica "Christianae", 25 nov. 1776, sobre livros proibidos). Da constante solicitude que esta Sé Apostólica sempre revelou em condenar os livros suspeitos e daninhos, arrancando-os às suas mãos, deduzam, portanto, quão falsa, temerária e injuriosa à Santa Sé e fecunda em males gravíssimos para o povo cristão é aquela doutrina que, não contente com rechaçar tal censura de livros como demasiado grave e onerosa, chega até ao cúmulo de afirmar que se opõe aos princípios da reta justiça e que não está na alçada da Igreja decretá-la.

Condenação da rebeldia contra as legítimas autoridades
13. Mas, tendo sido divulgadas, em escritos que correm por todas as partes, certas doutrinas que lançam por terra a fidelidade e submissão que se devem aos príncipes, com o que se alenta o fogo da rebelião, deve-se vigiar atentamente para que os povos, enganados, não se afastem do caminho do bem. Saibam todos que, como disse o apóstolo, toda autoridade vem de Deus e todas as que existem foram ordenadas por Deus. Aquele, pois, que resiste à autoridade, resiste à ordem de Deus e se condena a si mesmo (Rom 13, 2). Portanto, os que com torpes maquinações de rebelião se subtraem à fidelidade que devem aos príncipes, querendo tirar-lhes a autoridade que possuem, ouçam como contra eles clamam todos os direitos divinos e humanos.
14. Não era este, certamente, o proceder dos primeiros cristãos, os quais, para obviar a tão grave falta, mesmo que em meio das terríveis perseguições suscitadas contra eles, se distinguiram por seu zelo em obedecer aos imperadores e em lutar pela integridade do império, como provaram, quer no pronto cumprimento de quanto lhes era ordenado (sempre que não se opusesse à sua fé de cristãos), quer vertendo seu sangue nas batalhas, pelejando contra os inimigos do império. Os soldados cristãos, diz Santo Agostinho, serviram fielmente aos imperadores infiéis, mas quando se tratava da causa de Cristo, outro imperador não reconheceram que o dos céus. Distinguiam o Senhor eterno do senhor temporal; e não obstante, pelo primeiro obedeciam ao segundo (In Ps. 124. n. 7.). Assim o entendia certamente o glorioso mártir S. Maurício, invicto chefe da legião Tebana, quando, segundo refere Euquério, disse ao seu imperador: Somos, ó imperador, teus soldados, mas também servos que com liberdade confessamos a Deus; vamos morrer, e não nos rebelamos; nas mãos temos nossas armas, e não resistimos porque antes de nos rebelarmos preferimos morrer (S. Eucher. apud Ruinart, Act. ss. mm. de Ss Maurit. et Soc., n. 4). E esta conduta dos primeiros cristão brilha com esplêndidos fulgores; pois é de se notar que, além da razão, não faltava aos cristãos, nem a força do número nem o esforço da valentia, se quisessem lutar contra seus inimigos. Somos de ontem, diz Tertuliano, e já ocupamos todas as vossas casas, cidades, ilhas, municípios, os mesmos acampamentos com suas tribos e decúrias, os palácios, o senado, o fórum... De que luta não seremos capazes, mesmo com forças inferiores, os que morremos tão alegremente, só porque em nossa disciplina é mais lícito morrer do que matar? Se, negando-vos a cooperação de nossas forças, nos retirássemos a um lugar distante da terra, a perda de tantos e tais cidadãos teria enfraquecido vosso domínio, digo melhor, quiçá o houvésseis perdido; não há duvidar que vos espantareis com vossa própria solidão... não encontrareis a quem comandar, teríeis mais inimigos que cidadãos; mas agora, ao contrário, deveis ao grande número dos cristãos o terdes menos inimigos (In apologet., cap. 37).
15. Estes exemplos preclaros de inquebrantável sujeição aos príncipes, baseados nos santíssimos preceitos da religião cristã, condenam a insolência e a gravidade dos que, instigados por torpe desejo de liberdade sem freios, outra coisa não se propõem do que calcar os direitos dos príncipes e reduzir os povos a mísera escravidão, enganando-os com aparências de liberdade. Este foi o objetivo dos valdenses, dos begardos, dos wiclefitas e de outros filhos de Belial que foram a desonra do gênero humano, tantas vezes anatematizados pela Sé Apostólica. Sem outro motivo senão o de se congratularem com Lutero por haver rompido todo vínculo de dependência, esses inovadores se esforçam audazmente por perpetrar as maiores maldades.

Males da separação da Igreja e do Estado
16. Mais grato não é também à religião e ao principado civil o que se pode esperar do desejo dos que procuram separar a Igreja e o Estado, e romper a mútua concórdia do sacerdócio e do império. Sabe-se, com efeito, que os amadores da falsa liberdade temeram ante a concórdia, que sempre produziu resultados magníficos, nas coisas sagradas e civis.

Liberdade do mal que certas associações apregoam
17. A muitas outras coisas de não pouca importância, que Nos trazem preocupado e enchem de dor, devem-se acrescer certas associações ou assembléias, as quais, confederando-se com sectários de qualquer religião, simulando sentimentos de piedade e afeto para com a religião, mas na verdade possuídas inteiramente do desejo de novidades e de promover sedições em toda parte, pregam liberdades de tal jaez, suscitam perturbações nas coisas sagradas e civis, desprezando qualquer autoridade, por mais santa que seja.

O remédio desses males está na palavra de Deus
18. Com o coração, pois, transido de tristeza, mas confiante inteiramente n’Aquele que manda aos ventos e acalma as tempestades, escrevemos estas coisas, Veneráveis Irmãos, para que, armados da couraça da fé, combatais galhardamente os combates do Senhor. É dever vosso manter dentro dos limites todo aquele que se levanta contra a ciência do Senhor. Pregai a palavra de Deus, para que tenham pasto saudável os que desejam a justiça; pois fostes eleitos para serdes cultivadores diligentes da vinha do Senhor; trabalhai, todos unidos, com empenho, para arrancar as más raízes do campo que vos foi confiado e para que, reprimido todo germe de vício, ali mesmo floresça copiosa a messe das virtudes. Abraçai, de modo especial, e com afeto paternal, aos que se dedicam à ciência sagrada e à filosofia, exortando-os e guiando-os a fim de que não aconteça que, estribando-se imprudentemente em suas forças, se afastem do caminho da verdade, para seguir as sendas dos ímpios. Entendam que Deus é Senhor da sabedoria e emendador dos sábios (Sab. 7, 15) e que é impossível compreender a Deus sem Deus (S. Irineu, lib. 14, cap. 10); Deus, que pelo Verbo ensina aos homens a conhecer Deus. É próprio de homens soberbos ou antes néscios querer sujeitar ao critério humano os mistérios da fé, que ultrapassam a capacidade humana, confiando unicamente em nossa razão, que por natureza é débil e fraca.

Os governantes devem auxiliar a Igreja
19. Finalmente, secundem os príncipes estes nossos santos desejos de feliz êxito das coisas sagradas e profanas com seu poder e autoridade, pois não a receberam somente para o governo temporal, mas também para a defesa e guarda da Igreja. Saibam que, quanto se faz em favor da Igreja, destina-se, ao mesmo tempo, ao bem-estar e à paz do império; convençam-se sempre mais que devem maior estima à causa da fé que à do reino, e que serão maiores se, segundo S. Leão, à sua coroa de reis se ajuntar a da fé. Já que tem sido constituídos como pais e tutores dos povos, proporcionar-lhes-ão verdadeira felicidade e tranqüilidade, se dirigirem seus cuidados especialmente para conservar incólume a religião daquele Senhor, cujo poder está expressado naquela passagem do salmo: Rei dos reis e Senhor dos que dominam.

Esperança em Maria
20. E ara que todos estes desejos se realizem propícia e felizmente, elevemos nossos olhares e mãos à Santíssima Virgem Maria, a única que destruiu todas as heresias e constitui a nossa maior esperança (S. Bernardo, sem. De nativitate B. M. V., 57). Peça Ela mesma, com sua intercessão poderosa, para que nossos desejos, conselhos e ações sejam coroados do êxito mais feliz, nesta grande necessidade do povo cristão. Peçamos humildemente aos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo o dom de permanecermos firmes e constantes em não permitir e nem querer outro fundamento que aquele sobre o qual estamos cimentados. Apoiado nesta doce esperança, esperamos que o autor e consumador da fé, Cristo Jesus, nos consolará nestas grandes tribulações, e, em penhor do divino auxílio, damo-vos, Veneráveis Irmãos, e às ovelhas que vos foram confiadas, a Benção Apostólica.

- Dada em Roma, em Santa Maria Maior, dia da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria, 14 de Agosto do ano do Senhor de 1832, segundo de Nosso Pontificado.
Gregório XVI, Papa.

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa - A doutrina da Igreja sobre o diálogo inter-religioso




Em nossos dias é comum ouvir falar de diálogo inter-religioso, como se fosse um imperativo do Evangelho a Igreja abrir-se ao mundo para entrar em contato com todas as religiões e correntes ideológicas, sempre com o propósito de servir a humanidade e tornar a vida aqui na terra menos dura.
Dizem os adeptos do diálogo inter-religioso que entre os sérios problemas da atualidade que a Igreja poderia ajudar a resolver irmanada com as várias “religiões e filosofias da humanidade” estão o problema da paz, da “discriminação”, da “intolerância” e da “exclusão das minorias”.
Como se vê, é uma visão completamente humanista, antropocêntrica, utópica, que sonha com um paraíso na terra, que não vê a religião como uma virtude moral que tem por objeto o culto devido a Deus. É uma visão que, por princípio, desvirtua a religião, desligando-a do problema da salvação da alma.
Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica, na primeira questão do tratado da virtude da religião, pergunta se a religião ordena o homem exclusivamente a Deus e é categórico, taxativo, na resposta afirmativa. E respondendo à objeção baseada na epístola de São Tiago (a religião pura e imaculada aos olhos de Deus Pai é visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e conservar-se incorrupto neste século), diz que  a religião tem duas espécies de atos: uns são atos próprios e imediatos pelos quais o homem se ordena só a Deus, tais como sacrifícios, adoração etc; outros atos da religião são praticados mediante outras virtudes sobre os quais a virtude da religião impera ordenando-os ao serviço divino. (Cf. Suma Teológica, IIª IIªe. q.81, a. 1)
Para São Tomás, portanto, a verdadeira virtude da religião é incompatível com uma visão humanista em que o homem esteja no centro de tudo. Para ele, é inadmissível uma frase muito em voga “o homem é a estrada da Igreja”, como se a Igreja devesse ouvir sempre as aspirações e caprichos do homem que quer ser a sua própria lei ou transformar a religião numa espécie de terapia em que o culto divino se converteria em sessão de cura dos males da mente e do corpo, em que o pecado seria reduzido a mera doença que aflige apenas o homem mas não ofende a Deus. Enfim, uma religião que consola o homem mas se esquece de Deus. Para Santo Tomás, mediante a virtude da religião, todas as atividades humanas, por mais seculares que sejam, de alguma forma se ordenam à glória de Deus e à salvação das almas. É inconcebível uma ação filantrópica que faça abstração do fim último. É inconcebível que a Igreja trabalhe para o bem do mundo, como a ONU, relegando a segundo plano sua missão própria.
Aliás, na exposição da virtude da religião, São Tomás simplesmente desenvolve com argumentos filosóficos e teológicos aquilo que o simples bom senso diz e já tinha sido explanado pelos clássicos e pelos padres da Igreja. Por exemplo, Santo Agostinho diz: o homem bom usa das coisas da terra para gozar de Deus, o iníquo serve-se de Deus para gozar dos bens da terra.
Por isso, o propalado diálogo inter-religioso só pode ser legítimo e justificado se se subordinar à missão específica da Igreja, i. e., a salvação da alma. A Igreja tem de ser corajosa aos olhos de todo o mundo ao afirmar-se solenemente como único e exclusivo meio de salvação disposto por Deus para todos o homens. Tem de ser corajosa e formular um juízo negativo sobre todas as religiões falsas, que, como tais, são antes um obstáculo para a salvação do que um meio para chegar à verdade, não obstante a boa fé e a ignorância invencível de muitos dos seus sequazes. A verdade é intolerante. O bem é exclusivista. Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu, diz Santo Tomás. Não basta dizer que, apesar de deficientes, as grandes religiões da humanidade contêm elementos de verdade, defendem valores da ordem moral natural ou que há pontos de união entre a Igreja e as religiões falsas. O mal não pede a exclusão do bem, pede um lugar ao seu lado, dizia o pe. Dulac. Hoje, o mundo relativista e maçônico da ONU pede à Igreja que aceite a seu lado todas as religiões para construir um novo mundo, um mundo em que o homem ocupe o lugar de Deus ou invente um deus a serviço do Homem.
Por essa razão, com clarividência, o grande papa Gregório XVI, na encíclica Mirari vos (1832), diz: “Nosso Senhor Jesus Cristo enviou seus apóstolos para pregar e ensinar a todas as nações, ou seja, derrubar todas as religiões existentes, a fim de então estabelecer em toda a terra a única religião cristã e assim substituir todas as crenças dos diferentes povos pela unidade do dogma católico expresso na pregação Dele próprio. E prevendo, na sua presciência, os movimentos e divisões que sua doutrina iria incitar, Ele não se deteve e não permitiu concessões, mas declarou que tinha vindo ao mundo para trazer não a paz, mas a espada, a fim de separar o bem do mal e a verdade da mentira.”
A conclusão só pode ser uma: um suposto diálogo inter-religioso honesto, sério, franco, útil não pode esconder a verdade fundamental: a Igreja trabalha para a conversão de todos os homens à única religião verdadeira, que é ela mesma, pois que fundada pelo Verbo Encarnado. Outro diálogo inter-religioso só pode ser um sofisma ou artifício da maçonaria para implantar a religião do Homem-deus.

21/08/2012

Magnificat

















Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen.



A minh'alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador
Pois Ele me contemplou na humildade da sua serva
Pois desde agora e para sempre me considerarão bem-aventurada
Pois o Poderoso me fez grandes coisas
Santo é Seu nome!
A Sua misericórdia se estende a toda a geração daqueles que o temem
Com o Seu braço agiu mui valorosamente
Dispersou os que no coração tem pensamentos soberbos
Derrubou dos seus tronos os poderosos
Exaltou os humildes, encheu de bens os famintos
despediu vazios os ricos
Amparou a Israel Seu servo para lembrar-se da Sua misericórdia
A favor de Abraão e sua descendência
Como havia falado a nossos pais.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

1º CONCÍLIO DE NICÉIA - CARTA SINODAL À IGREJA DE ALEXANDRIA


CARTA SINODAL À IGREJA DE ALEXANDRIA
Fontes: Gelásio ("História do Concílio de Nicéia" 23), Sócrates ("História da Igreja" I,6) e Teodoro ("História da Igreja" 9)

À Igreja de Alexandria, pela graça de Deus, Santo e Poderoso; e a todos nossos muito queridos irmãos, o Clero Ortodoxo e o Laicato do Egito, Pentápolis e Líbia, e a cada nação sob o céu, o grande e santo Sínodo de Bispos reunidos em Nicéia, deseja a salvação no Senhor.
Pois que, como o grande e santo Sínodo que se reuniu em Nicéia, pela graça de Cristo, e com ajuda de nosso muito religioso soberano Constantino, que nos trouxe de nossas várias Províncias e cidades, tratou de assuntos que concernem à fé de Cristo, pareceu-nos necessário que certas coisas fossem por nós comunicadas a vós, por escrito, de maneira que pudésseis tomar conhecimento do que foi debatido e investigado, e, também, do que foi decretado e confirmado.
Antes de tudo, na presença de nosso tão religioso soberano Constantino, foi feita uma investigação de matérias relativas à impiedade e à transgressão de Ário e seus adeptos; e foi unanimemente decretado que ele e seu ímpio modo de pensar deveriam ser anatemizados, juntamente com as palavras blasfematórias e as especulações às quais se entregou, ultrajando o Filho de Deus, afirmando que Ele pertence às criaturas que não existiam, que antes de ter sido gerado, não existia, que houve um tempo em que não existia, e que o Filho de Deus é por sua livre vontade capaz de pecado e virtude, afirmando também que Ele é uma criatura.
Todas essas coisas o Santo Sínodo anatemizou, nem mesmo suportando ouvir sua doutrina ímpia e palavras loucas e blasfemas. E sobre as penalidades contra ele e os resultados que tiveram, nós sequer quisemos ouvir, nem quisemos ouvir os pormenores, pois nos pareceu que estaríamos oprimindo um homem que recebeu, verdadeiramente, um completo castigo por seu próprio pecado. Tão longe, de fato, foi a sua impiedade, que ele mesmo levou a destruição Theonas de Marmorica e Secundes de Ptolomaica; de modo que eles também receberam a mesma sentença como os demais.
Mas quando a graça de Deus livrou o Egito dessa heresia e blasfêmia e de pessoas que ousaram fazer perturbações e divisões entre o povo até então em paz, ainda nos restou o assunto da insolência de Melécio e daqueles que foram ordenados por ele.
Quanto ao nosso trabalho, nós agora, queridos irmãos, vimos informar-vos os decretos do Sínodo. O Sínodo, pois, estando disposto a tratar gentilmente com Melécio (porque por justiça estrita, ele não merecia leniência), decretou que ele possa permanecer em sua própria cidade, mas não terá autoridade nem para ordenar, nem para administrar os ofícios ou fazer inscrições; e que ele não deve aparecer no país ou em alguma cidade com este propósito, mas gozará apenas o título de sua classe. Para aqueles que foram congregados por ele, depois foram confirmados pela santíssima imposição das mãos, serão nessas condições admitidos à comunhão: eles se manterão tanto na sua classe como no direito de oficiar, mas ficarão como inferiores àqueles que estão inscritos em alguma igreja ou paróquia e foram inscritos por nosso muito digno irmão Alexandre. De modo que aqueles homens não tenham autoridade para fazer registros de pessoas que sejam de seu agrado, nem sugerir nomes, nem fazer nada que seja, sem o consentimento dos bispos da Igreja Católica e Apostólica, que estão servindo sob o governo do santo colega Alexandre. Ao mesmo tempo aqueles que, pela graça de Deus e através de preces, não se encontravam entre os cismáticos, mas, pelo contrário, estavam sem mancha na Igreja Católica Apostólica devem ter autoridade de fazer registros e nomeações de pessoas dignas entre o clero, e, em resumo, fazer todas as coisas de acordo com a lei e ordenação da Igreja. Mas se acontecer que alguns do clero que estão agora na Igreja venham a morrer , então aqueles que foram os últimos recebidos serão sucessores do oficio dos que morreram; sempre se providenciado que eles sejam dignos, que o povo os eleja e que o bispo de Alexandria concorde com a eleição e a ratifique. Esta concessão foi feita a todos os restantes. Mas por causa de sua conduta desordenada e da ousadia e precipitação do seu caráter, o mesmo decreto não será aplicado a Melécio. Já que ele se mostrou um homem capaz de cometer de novo as mesmas desordens, não lhe será concedida nem autoridade nem privilégio.
Estes são os pormenores que são de especial interesse do Egito e da santíssima Igreja de Alexandria. Assim, se na presença de nosso digníssimo senhor, nosso colega e irmão Alexandre nada mais foi decretada pelo Cânon ou por outro decreto, ele mesmo levará a vós tudo com maiores detalhes, pois foi um guia e companheiro de trabalho no que fizemos. Nós, por fim, vos anunciamos as boas novas dos acordos relativos à Santa Páscoa, porque este pormenor também foi através de nossas preces corretamente firmado, de modo que todos nossos irmãos no Oriente, que anteriormente seguiam o costume dos judeus, doravante, celebrarão a sacratíssima festa da Páscoa simultaneamente com os romanos, convosco e com todos aqueles que observam a Páscoa desde o início.
Portanto, alegrando-nos com todos esses resultados e em nossa paz e harmonia usuais, tendo cortado toda heresia, recebam vós, com a maior honra e com aumentado amor, nosso colega, vosso Bispo Alexandre, que nos alegrou com sua presença e que, em idade tão avançada, sofreu tão grande fadiga.
Que a paz seja restabelecida entre vós e entre todos nós. Rezai por nós todos para que as decisões que foram consideradas acertadas possam ser resolvidas rapidamente, porque elas foram feitas, acreditamos, segundo o beneplácito do Deus Todo-Poderoso, de seu único Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Santo Espírito, ao qual seja dada glória para sempre. Amém.

EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA - PARTES XV; XVI E XVII


EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA
Autor: pe. Martinho de Cochem (1630-1712)
Fonte: Lista "Tradição Católica"
Digitalização: Carlos Melo

XV. A SANTA MISSA É O MAIS PODEROSO SACRIFÍCIO DE RECONCILIAÇÃO
Depois de seus filhos se terem banqueteado, Jó, levantando-se de madrugada, ofereceu um sacrifício por cada um deles, dizendo: "Talvez meus filhos tivessem ofendido a Deus no coração" (Jó, 1, 5).
Este proceder mostra que a razão natural basta para reconhecer a necessidade do sacrifício expiatório. Já era usado entre os antigos Patriarcas, antes de tornar-se uma lei no tempo de Moisés. "Se alguém pecou, tome do rebanho uma ovelhinha ou uma cabra e a ofereça, e o sacerdote reze por ele e pelo seu pecado. Se não tiver os meios para oferecer uma ovelhinha ou uma cabra, que ofereça duas rolas ou dois pombinhos: um pelo pecado e outro pelo holocausto. O sacerdote ore por este homem e por seu pecado, e este ser-lhe-á perdoado" (Lev. 5, 6).
Possuindo o Antigo Testamento tal sacrifício, a santa Igreja devia ter o seu; sacrifício tanto mais elevado, acima do primeiro, quanto o cristianismo é superior ao judaísmo. Este sacrifício expiatório é, evidentemente, o sacrifício sanguinolento da Cruz, pelo qual o mundo foi reconciliado com a Justiça divina.
Diz, pois, com muita razão, um grande mestre da vida espiritual, Marchant: "Como Nosso Senhor Jesus Cristo, sofrendo, tomou sobre si os pecados do mundo para lavá-los com o seu Sangue, assim colocamos, no altar, sobre ele, as nossas faltas como sobre uma vítima conduzida à imolação, para que as expie em nosso lugar" (Candel. myst. Tract. 4. 15, prop. d). É por isso que o sacerdote se inclina profundamente, ao pé do altar, pois representa a vítima carregada de nossas iniqüidades que se apresenta, humildemente, perante o Senhor, para obter o perdão para todos. Prostrado assim, lembra ainda Jesus Cristo no jardim das oliveiras, onde o peso de nossos crimes o prostrou, banhado em suor de sangue, e lhe arrancou o mais comovente clamor de perdão. Como ele, em seu lugar, o sacerdote intercede pelos pecados do mundo inteiro.
Belas e consoladoras palavras para o coração arrependido, e muito próprias para nos estimular o zelo em assistir à santa Missa, onde se opera o benefício de nossa reconciliação!
Na liturgia de São Tiago, lê-se: "Nós vos oferecemos, Senhor, este Sacrifício incruento pelos pecados que cometemos por ignorância". É certo que cometemos muitas faltas, das quais não nos apercebemos, que não confessamos, de que, porém, havemos de dar contas a Deus. O rei David pensava nestas faltas ignoradas, quando exclamou: "Senhor, não vos lembreis dos pecados de minha juventude e de minhas ignorâncias" (Sl. 24) e "Quem conhece seus desvios? perdoai-me os que ignoro" (Sl. 18).
Por conseguinte, se não quisermos comparecer diante de Deus cobertos destes pecados de ignorância e malícia, como de uma veste abominável, aproveitemo-nos da santa Missa que serve de expiação por nossos pecados que não conhecemos, apesar de um sincero exame de consciência.
"Pela oblação do santo Sacrifício, diz o santo Papa Alexandre I, o Senhor reconcilia-se conosco e perdoa a multidão de nossos pecados".
Deveríamos muito alongar-nos, se quiséssemos lembrar todos os textos dos santos Padres sobre este assunto. Citaremos somente a doutrina da Santa Igreja, declarada no Concílio de Trento: "O Sacrifício da Missa é, verdadeiramente, o sacrifício propiciatório, por meio do qual, se nos apresentarmos a Deus com coração reto e fé sincera, com temor e respeito, com contrição e arrependimento, obteremos misericórdia e receberemos os socorros de que temos necessidade" (Sess. 22, c. 2).
Perguntará, talvez, o piedoso leitor: Para que um sacrifício de reconciliação, visto que podemos reconciliar-nos com Deus por sincera contrição? Certamente, a contrição "perfeita" nos põe em graça, porém, onde o pecador achará esta contrição? Sentí-la por si mesmo, lhe é tão impossível quanto ao morto ressuscitar por própria vontade. Com efeito, se cada um pudesse, pelas próprias forças, provocar, em si sentimentos de penitência e arrependimento, o inferno não estaria tão povoad
o, porque cada um aplicar-se-ia a isto, na hora da morte, e morreria no estado de graça. E, se alguma vez acontecer que se achem pecadores comovidos e penetrados de compunção, durante um sermão ou uma leitura piedosa, ficai certos que tal efeito é de uma graça particular da parte de Deus, e que não a concede, ordinariamente, sem ser pelo menos solicitado. Ora, para abrir o tesouro das graças divinas, não há chave mais segura do que o santo Sacrifício do Altar. A justiça severa do Pai celestial muda-se em amor, em compaixão, em misericórdia. De que ternura para os pobres pecadores não se sente comovido, durante sua imolação, Nosso Senhor Jesus Cristo, a divina Vítima! Suas palavras a Santa Gertrudes, meditadas atentamente, serão para nós de grande consolação. Foi, numa quinta-feira santa, no momento em que se cantavam, no coro, as palavras: "Foi oferecido porque quis", que Nosso Senhor disse à Santa: "Se acreditas que ofereci a Deus, meu Pai, somente porque quis me oferecer, crê também que desejo agora oferecer-me por cada pecador a Deus, meu Pai, tão prontamente como me ofereci então pela salvação de todos os homens em geral. Assim não há ninguém, por carregado de pecados que esteja, que não possa esperar o perdão, oferecendo a minha Paixão e Morte, contanto que acredite poder, efetivamente, obter o fruto e o dom da graça. Deve persuadir-se de que a memória de meus sofrimentos unida a uma fé viva e verdadeira penitência é o mais poderoso remédio contra o pecado" (Livro 4, c. 25).
Em outra ocasião, disse o divino Mestre: "Minha filha, venho à Missa com tal mansidão que não há, entre os assistentes, pecador tão pervertido que não suporte, perdoando-lhe com alegria, se o desejar" (Lib. Revel. c. 18).
Oh!, admirável Sacrifício do altar, quão grande é tua força! Quantos pecadores não convertestes da morte eterna! Que gratidão não devemos a Jesus Cristo, que nos torna tão fácil a reconciliação com Deus! Que loucura, pois, a de não aproveitar este grande Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo!
"O homem, diz ele, perdoa a injúria que recebeu, se o ofensor lhe oferece um presente equivalente ou lhe presta um relevante serviço. Da mesma forma, Deus nos perdoa pela honra que lhe rendemos, assistindo, piedosamente, à santa Missa, e pelo dom sublime que lhe fazemos da oblação do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo".
Se, na santa Missa, oferecermos a Deus tão justamente irritado contra nós, as virtudes, os méritos, a Paixão e a Morte de seu dileto Filho, mudamos-lhe os sentimentos a nosso respeito, mais depressa do que Jacó mudou o coração de Esaú, visto que os nossos dons são mais preciosos aos olhos de nosso Deus. "Toda a cólera e indignação de Deus, diz Alberto Magno, dissipa-se diante desta oferta".
Convém fazer aqui uma pergunta: Pela virtude da santa Missa um pecador "impenitente" será reconciliado com Deus? Em outros termos, uma pessoa em estado de pecado mortal que assistir à santa Missa, que a fizer celebrar, ou pela qual alguém a mandasse celebrar, recobraria a graça por este simples fato? Não, porque a graça somente se recupera por uma sincera contrição.
Então, perguntará alguém, que fruto tira o pecador do Sacrifício? É-lhe muito útil, respondemos, tanto para o temporal como para o espiritual. Preserva-o de muitas desgraças e atrai-lhe bênçãos, porque Deus nunca "deixa o menor bem sem recompensa. Certamente a recompensa da santa Missa é, antes de tudo, espiritual, porém, não sendo o pecador susceptível desta graça superior, Deus, na infinita bondade, concedeu-lhe, em primeiro lugar, o bem inferior dos favores temporais. Não obstante, na ordem espiritual, a vantagem fica ainda mais preciosa. Ensinam os Santos que a Santa Missa atrai, sobre a alma, a graça necessária, para reconhecer e detestar os pecados mortais, dispondo-a para o arrependimento e a confissão. Esta graça não opera, em todos, com a mesma eficácia. Este converter-se-á logo, aquele não voltará senão lentamente, conforme a docilidade do coração, para deixar agir as influências divinas".
A fim de tornar ainda mais clara esta doutrina, dizemos: Na Missa, Nosso Senhor derrama uma bálsamo salutar sobre o coração ulcerado do pecador. Este bálsamo Jesus o compôs, sobre a Cruz, de seus sofrimentos, de suas lágrimas, de seu Sangue. Se o pecador deixar agir este remédio precioso, a cura é certa; se em sua malícia infernal, arrancá-lo da chaga, a morte eterna também é certa. A malícia humana não tira ao santo Sacrifício o caráter de reconciliação, tem, porém, o terrível poder de recusar esta reconciliação que Deus lhe oferece.
Entre os pecadores que se achavam ao pé da Cruz, alguns somente se converteram batendo no peito e dizendo: "Na verdade, este era Filho de Deus" (Mt. 27, 54). Os outros, obstinados na malícia, repeliram o raio de luz e misericórdia que brotava do Coração traspassado de Jesus. Entretanto, no dia de Pentecostes, a palavra de São Pedro achou o terreno preparado, e três mil pessoas tornaram-se, pelo seu convite, discípulos do divino Mestre.
Diz ainda Marchant: "A santa Missa excita-nos ao arrependimento ou faz-lhe nascer o desejo. Isto acontece, às vezes, durante a celebração do santo Sacrifício, outras vezes, mais tarde. Muitos pecadores converteram-se por graça especial, sem pensar que a devem à virtude da santa Missa, outros permaneciam impenitentes, porque rejeitam a graça ou abusam dela" (Candel. myst. tract. lect. 15, prop. 4).
A alma, porém, que suspira por ver-se livre de seus pecados, obterá, pela santa Missa, a graça de reconciliar-se com Deus por uma sincera contrição e confissão, porque a santa Igreja ensina: "Se assistirmos à santa Missa com sentimentos ou desejos de contrição, Deus reconcilia-se conosco, concede-nos a graça da penitência e perdoa-nos os crimes, por abomináveis que sejam" (Concílio de Trento, Sess. 22).
Que palavras consoladoras para todos os pecadores e almas desanimadas! Digam, pois, todos, na santa Missa, a Deus: "Senhor, por este augusto Sacrifício, deixai-Vos aplacar e atraí, para Vós, a minha vontade rebelde". Deus escutará esta oração, e, pelo amor de seu Filho imolado sobre o altar, inundará vossa pobre alma com uma chuva de graças.
Objetar-nos-á alguém com a Sagrada Escritura: "A própria oração de quem não cumpre a lei será execrável aos ouvidos de Deus" (Prov. 21, 14). A isto responde São Tomás de Aquino: "Ainda que a Sagrada Escritura nos diga, em várias passagens, que a oração de uma alma, em estado de pecado mortal, não agrada ao Senhor, Deus não rejeita a que sai de um coração sincero".
Supondo mesmo que Deus despreza a oração do pecador, quando este lhe oferece o Sacrifício da Missa, não pode deixar de aceitá-lo com prazer. Repara bem: não dizemos que a oração do pecador, durante a santa Missa, é agradável a Deus, mas, sim, o próprio Sacrifício da Missa que o pecador oferece à divina Majestade. Se te achasses em extrema necessidade, e se um inimigo te mandasse dez mil reais por intermédio de seu servo, sem dúvida alguma, aceitarias este presente, dizendo contigo: Apesar de vir de meu pior inimigo, muito me servirá. - Da mesma maneira Deus, em presença do Corpo e do Sangue de seu Filho, oferecido por um pecador, estremecerá de emoção e dirá: Ainda que este presente me venha de um inimigo de quem tenho horror, não posso deixar de estimá-lo e aceitá-lo. E, como o pecador, por esta oferta, me dá grande honra, quero recompensá-lo com a oferta de minha graça; se aceitá-la, esquecerei todas as suas injúrias e dar-lhe-ei minha amizade.
Coragem, pois, oh pecador desanimado! tua salvação não é impossível; vê Jesus quebrar as cadeias de teus maus costumes enquanto assistes ao santo Sacrifício; segue-lhe as divinas inspirações e tua alma tornar-se-á mais branca do que a neve.
Talvez pergunte o benévolo leitor: Se uma pessoa piedosa assiste à Missa e a oferece em louvor de um pecador, que fruto lucra este?
Santa Gertrudes no-lo ensina. Um dia ela pediu a Deus, durante a santa Missa, que comovesse os pecadores com sua divina graça, para que se convertessem mais cedo, mas não ousou rezar pelos que morrem na impenitência. Nosso Senhor, porém, repreendeu-a, dizendo: "A dignidade e a presença de meu Corpo Imaculado e de meu Sangue precioso não merecem conduzir à vida melhor aqueles que estão no caminho da perdição?". Animada por estas palavras, a Santa pediu logo: "Suplico a Vossa divina Majestade, disse, conceder o estado de graça também às pessoas que vivem em pecado e estão em perigo de perecer". A estas palavras Nosso Senhor, cheio de bondade, respondeu: "A confiança pode facilmente obter tudo" e, em seguida, assegurou-lhe ter tirado diversas almas do caminho da perdição (Lib. III, c. 9).
Pais cristãos, não esmoreçais jamais, se vossas exortações, vossos bons exemplos ficam, aparentemente, sem resultado para as almas que vos são confiadas; recorrei à santa Missa e oferecei-a pelos que vos são caros, e a hora do triunfo virá, tanto mais depressa quanto mais completa for a vossa confiança.
Outro bem inestimável que recolhemos do santo Sacrifício da Missa é a expiação dos pecados veniais, que ofendem a Deus muito mais do que se pensa.
São Basílio torna saliente a malícia deste pecado em uma parábola: "Que se diria, pergunta ele, de um filho que racionasse assim: Acautelar-me-ei para não trair meu pai ou cometer contra ele um atentado qualquer que o obrigue a deserdar-me; fora disso farei como me agradar, quer meu procedimento lhe agrade quer não!"
Eis a nossa atitude para Deus, quando cometemos o pecado venial de caso pensado. É como se disséssemos: Sei perfeitamente, que dependo, inteiramente, de Deus, que tudo lhe devo, que me cumula de benefícios todos os dias; também não quero ofende-lo gravemente, porém, enquanto se trata de pequenas imperfeições, deve suportá-las. Minha vaidade lhe desagrada, entretanto não estou disposto a renunciá-la; meus movimentos de cólera lhe são desagradáveis, não quero, porém, aplicar-me a domá-los; contrário à sua vontade, sei muito bem, é perder horas inteiras na ociosidade, falar a torto e a direito, rezar com indolência, apegar tão estreitamente meu coração às coisas mundanas, perder as ocasiões de fazer o bem, contudo não tenho vontade de combater estes defeitos.
Oh Deus, que terrível seria o nosso julgamento, se não tivéssemos para apaziguar Vossa indignação, em face de um tal procedimento, um sacrifício de reconciliação, "a fim de que, por sua virtude, nos obtenha a remissão das faltas quotidianas" (Concílio de Trento, sess. 22. c. 1). Estas faltas quotidianas são, evidentemente, os pecados veniais.
Diz um escritor, eclesiástico muito explícito a respeito deste assunto: "O santo Sacrifício se renova cada dia, porque pecamos cada dia e cometemos faltas inerentes à fraqueza humana". Nosso Senhor, é verdade, deu-nos outros meios para reparar essas faltas diárias, como a oração, o jejum, a esmola; nenhuma, entretanto, é tão eficaz como a santa Missa.
Teologicamente falando, também o pecado venial não obtém perdão sem a contrição. Mas é certo que, assistindo à santa Missa, para obtermos a expiação de nossos pecados, aí trazemos, pelo menos implicitamente, a contrição e o desejo de sermos purificados. Segundo o padre Gobat, os que assistem à santa Missa obtêm o perdão dos pecados veniais, mesmo quando a contrição é imperfeita.
Soares é da mesma opinião: "Jesus Cristo instituiu, escreve ele, o santo Sacrifício da Missa e lhe apropriou os méritos de sua morte, para que, em virtude de seus merecimentos, os pecados quotidianos nos sejam perdoados" (Tom. 3 dist. 79, sect. 5).
São João Damasco escreve: "O Sacrifício imaculado da Missa é a reparação de todo o dano, e a purificação de todas as manchas" (Lib. 4 c. 14). Isto Nosso Senhor o prometera pelo profeta Ezequiel: "Derramarei sobre vós água pura e sereis purificados de todas as vossas culpas" (Ez. 36, 25). Esta água purificadora brotou do Sagrado Coração de Jesus, donde jorra, sob o golpe da lança do soldado, segundo estas palavras proféticas: "Neste dia haverá uma fonte aberta na cada de David, para lavar as manchas do pecador" (Ez. 12, 7). Desta fonte sagrada, irrompe, na santa Missa em borbotões, o precioso Sangue, a água simbólica, da qual todos podem aproximar-se e purificar-se. Sua abundância é inesgotável. Nunca a sua entrada está vedada.
Oh, quantos pecadores já vieram e beberam, com alegria, das águas da salvação! A todos convida São João, dizendo: "O que tem sede venha; e o que quiser receba, gratuitamente, a água da vida" (Ap. 22, 17).
Poderias ficar afastado de uma fonte tão maravilhosa, cujo movimento salutar se faz sentir em cada Missa? De hora em diante, não te apressarás em chegar ao pé do altar, animado dum ardente desejo de reaver, para tua alma, as vestes brilhantes da pureza batismal?

XVI. A SANTA MISSA É O MAIS DIGNO SACRIFÍCIO DE SATISFAÇÃO
Bem que o sacrifício de satisfação esteja compreendido no sacrifício de conciliação, existe, entretanto, uma notável diferença entre os dois: o sacrifício de reconciliação torna Deus favorável ao pecador, ao passo que, pelo sacrifício de satisfação, resgatamos as penas temporais. Parece, pois, conveniente tratar de cada um em capítulo particular.
O pecado produz um duplo mal: o da "culpa" e o da "pena". A "culpa" faz-nos perder o favor de Deus e é perdoada pelo sacramento da Penitência. A "pena" poderia ser também remida, inteiramente, pela Confissão, mas, em geral, por causa da imperfeição com a qual se recebe este Sacramento e, talvez, devido a certas circunstâncias produzidas por nossos pecados, é somente remida em parte.
Ora, tudo o que fica da pena devida ao pecado, podemos expiar, neste mundo, pela oração, por vigílias, jejuns, esmolas, peregrinações, recepção freqüente dos santos Sacramentos, e sobretudo, ganhando indulgências. Se morremos sem ter, completamente, satisfeito nossa dívida, iremos expiá-la no purgatório.
As penitências da vida presente custam muito à pobre natureza, e a lembrança do purgatório nos aterra com razão. Não haverá pois, um meio de satisfazer, inteiramente, neste mundo, e não podemos evitar o purgatório, ou pelo menos, abreviar-lhe a duração e diminuir a intensidade de suas chamas?
Sim, existe um meio, - e esse meio de pagar toda a dívida é fácil: oferecendo o santo Sacrifício da Missa, o divino Criador ficará satisfeito. Lembra-te, porém, quando assistes ao santo Sacrifício da Missa, que é tua propriedade, conforme a vontade de Deus. É o que afirma o sacerdote em cada santa Missa, quando, voltando-se para os assistentes, lhes diz: "Orai, meus irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício seja agradável a Deus, o Pai onipotente".
Compenetrado, pois, do valor do tesouro que se acha em teu poder, dize ao teu Criador: "Quanto vos devo, Senhor? cem? mil? dez mil talentos? Reconheço minha grande dívida e estou pronto a satisfazê-la, não por mim, mas pelos ricos méritos de vosso divino Filho, presente aqui sobre o altar. Ofereço-vos este tesouro, tirai daí quanto for preciso para satisfazer minha dívida".
Que todos se apliquem a fazer valer este tesouro, e os pobres pecadores se apressem, logo que caírem, a assistir à santa Missa, a oferecer este santo Sacrifício em expiação de sua falta! Deus lhes ajudará a fazer uma boa Confissão, apagando-lhes as penas temporais e preservando-os das reincidências.
A compreensão e meditação das verdades que acabamos de expor, despertará, sem dúvida, em teu espírito, legítima curiosidade de saber em que medida as penas temporais nos são perdoadas pela piedosa audição da santa Missa.
Não podemos responder melhor a esta pergunta do que lembrando, novamente, o infinito valor do Sacrifício de nossos altares. Escuta o que diz o Padre Lancício: "O valor do santo Sacrifício da Missa é infinito pela própria virtude. Apesar de ser agora oferecido pelas mãos dos sacerdotes, o preço lhe é tão elevado como quando, a última ceia, Jesus Cristo em pessoa o oferecia a seu Pai, visto que ele fica sendo Sacrificador e Vítima. Este primeiro Sacrifício, como todas as obras que Jesus Cristo praticou sobre a terra, eram de um valor infinito em virtude da dignidade de sua divina Pessoa. Segue-se daí que o santo Sacrifício da Missa é ainda e será sempre de um valor infinito" (Lib. II de Missa, n. 294).
O Padre Lancício demonstra, em seguida, como, apesar desse valor infinito da santa Missa, seu mérito não se aplica aos fiéis de maneira infinita. Não fosse assim, uma única Missa seria suficiente para obter-nos a remissão de tudo quanto devemos à eterna justiça e toda penitência tornar-se-ia desnecessária. Concorda isto com o ensino da santa Igreja afirmando que, pela virtude do santo Sacrifício, muitas das penas podem ser remidas e até todas, se nossa devoção for muito grande.
Entretanto, não se deve interpretar falsamente estas explicações e dizer: Visto que a santa Missa é de valor infinito e constitui o meio mais fácil de ficar quite com a divina Justiça, ouvi-la-ei da melhor forma possível, dispensando-me de fazer penitência: isto seria querer enganar-se a si próprio, visto que as penas temporais não são remidas senão quando nos tornamos dignos da remissão, por um coração contrito e humilhado; ora, a contrição, o arrependimento sincero do pecado levar-te-á sempre às diversas práticas da penitência.
A santa Missa não torna, pois, inúteis as outras boas obras, antes nos obriga a fazê-las, para nos tornar mais dignos de obter, pelo santo Sacrifício do Altar, a remissão de uma grande parte de nossas penas. Por isso, diz o venerável Luis de Argentina: "As obras de penitência não são supérfluas. Pelo contrário, são muito necessárias, pois contribuem para a correção dos defeitos e a emenda da vida". Sim, as penitências afastam-nos do pecado, pondo um freio às nossas paixões, tornam-nos mais prudentes e mais vigilantes, fazem desaparecer os maus costumes pelos atos das virtudes contrárias.
Aqui te ouvimos perguntar: "Qual é, pois, a eficácia da santa Missa pelo alívio das almas do purgatório?". Caro leitor, Deus não julgou necessário revelá-lo à sua Igreja, como também não revelou a extensão da pena aplicada a este ou aquele pecado. Mas, quando consideramos que nada de impuro entra no céu e que o purgatório é um cárcere donde ninguém sai sem ter pago até o último ceitil, e se, de outro lado, rememoramos o caráter e a duração das penas impostas outrora pela santa Igreja, devemos concluir que a demora das almas no purgatório é prolongada. A incerteza neste ponto estabeleceu o uso dos aniversários, cerimônias que podem ser mantidas durante séculos. O que sabemos infalivelmente é que podemos socorrer às almas do purgatório pela oração e, sobretudo, pelo santo Sacrifício da Missa. Logo, se amamos estas almas, - e quem não as amaria? - façamos celebrar por elas a santa Missa, ou assistamo-la em sua intenção.
Os teólogos acreditam, comumente, que as almas do purgatório tiram tanto mais fruto do santo Sacrifício quanto maior lhe foi o zelo em assistí-lo sobre a terra. Sê, pois, esperto, caro leitor, e diminui à tua alma, quanto for possível, a duração das chamas do purgatório. Supõe que, tendo cometido um grande crime, te condenassem a ficar estendido meia hora sobre uma grelha em brasa, ou a ouvir uma santa Missa. Sem dúvida, precipitar-te-ias para a igreja, para aí ouvir não uma, mas diversas missas, a fim de não incorreres no suplício do fogo.
Ora, não é provável que, na tua morte, tua alma vá diretamente para as alegrias do céu; é quase certo que, antes de chegar ao gozo eterno, deverás purificar-te pelas penas do purgatório. Que leviandade, pois, descuidares-te da santa Missa que diminui, suaviza e apaga, tão eficazmente, as chamas do purgatório.
Se insistires ainda para saber qual a eficácia de uma Missa que fazes celebrar por tua alma, responderemos: Quem faz celebrar o santo Sacrifício obtém, naturalmente, mais graça para expiação de suas penas temporais do que o que se limita a assistí-lo, porque os frutos do santo Sacrifício lhe pertencem, em grande parte, por direito, quer da parte de Deus, quer da parte do sacerdote. A soma exata, porém, que se lhe concede, Deus não a revelou. Quem, não contente de mandar celebrar a santa Missa, também a vai assistir, receberá lucro aumentado, porque, ainda que obtenha ausente, a parte de graças que o sacerdote lhe aplica, ficará privado da vantagem que lhe seria atribuída se a assistisse.
Segue-se uma conseqüência geralmente ignorada. Quando mandares celebrar uma Missa, seja para honrar um Santo, seja para obter uma graça, sem determinar a quem as graças "satisfatórias" deverão ser aplicadas, estas voltarão ao tesouro da Igreja, salvo se Deus, por compaixão pela ignorância, muitas vezes involuntária, dispõe delas em teu favor. Seja, portanto, bem determinada tua intenção, e dize a Nosso Senhor: Desejo mandar celebrar esta Missa em honra de tal Santo... para obter a graça ... e vos peço que apliqueis as graças satisfatórias do santo Sacrifício a mim ou a tal alma... Desta maneira teu proveito será duplo, pois honras o Santo de tua devoção e favoreces a própria alma, pagando as dívidas das penas temporais, como também qualquer outra, em cujo favor aplicares a virtude satisfatória da santa Missa.
Estas considerações são muito próprias para inflamar nosso amor pela santa Missa: sendo possível, ouçamo-la todos os dias. Tenhamos, nos domingos e dias santos, a devoção de, além da Missa de obrigação, assistir ainda a outras.
Deus não esquece nenhuma das nossas faltas, portanto hás de escolher: "aut poenitendum aut ardendum - ou expiar ou queimar". Não será melhor satisfazer aqui, do que cair, carregado de dívidas, nas mãos da divina Justiça? Se, pois, as mortificações das almas heróicas te espantam, procura supri-las pelo meio agradável e fácil da piedosa assistência à santa Missa.

XVII. A SANTA MISSA É A OBRA MAIS EXCELENTE DO ESPÍRITO SANTO
Quase em cada página deste livro, entrevimos alguma relação da santa Missa com Deus Pai e Deus Filho. Estudemos agora a parte que toma a terceira Pessoa divina no santo Sacrifício.
Os dons e graças, com que o Espírito Santo cumula a Igreja e a alma cristã, são inumeráveis: não há língua que possa especificá-los. O Espírito Santo é amor e misericórdia: aplica-se, continuadamente, em acalmar a Justiça divina e em preservar os pecadores da condenação eterna. É quem começou e há de acabar a obra de nossa santificação. Começou-a, quando, por sua operação, o Verbo divino se fez carne no seio imaculado de Maria Santíssima, que a alma de Jesus Cristo uniu a seu corpo, a divindade à humanidade. Terminou-a, comunicando-se, no dia de Pentecostes, aos apóstolos e discípulos, e pela conversão das almas que ficaram insensíveis ao espetáculo de Cristo moribundo. Hoje, este mesmo Espírito habita no coração dos verdadeiros fiéis. Não abandona, inteiramente, aqueles que o ofendem, mas fica-lhes à porta do coração e esforça-se para reconquistá-los.
Esta operação à redenção, quem não chamará uma obra grande e magnífica? Não obstante mantemos o título do presente capítulo e dizemos: a santa Missa é a obra mais excelente do Espírito Santo.
Todos os teólogos consideram o mistério da Encarnação, isto é, a união da divindade com a humanidade em uma pessoa, como a maior das maravilhas. Esta maravilha, como todas as obras exteriores de Deus, é comum às três Pessoas divinas. A santa Igreja, porém, e o ensino dos santos Padres, atribuem-na, com especialidade, ao divino Espírito Santo, a quem se deve atribuir, com maioria de razão, a obra prima do amor.
Apesar disso, o milagre que se efetua sobre o altar ultrapassa o primeiro, porque o Homem-Deus aí se aniquila até ocultar-se na menor partícula da Hóstia sagrada. Ora, na liturgia de São Tiago, lê-se, expressamente, antes da fórmula da consagração: "Mandai, Senhor, sobre estes dons, o Verificador, o Divino, o Eterno, que, um convosco, Deus Pai, e com o vosso Filho único, reina, a fim de que, por sua santa, salutar e gloriosa presença, este pão seja santificado e transubstanciado no Corpo, e este vinho, no Sangue precioso do vosso Cristo".
Oração semelhante encontra-se na liturgia de São João Crisóstomo: "Abençoai, Senhor, este pão, mudai-o no Corpo adorável do vosso Cristo. Abençoai o santo cálice e transformai, pelo Espírito Santo, o que contém, no precioso Sangue de Cristo".
Nos primeiros missais, a transubstanciação é sempre atribuída ao Espírito Santo, que se invoca, que se chama para efetuar esta obra, como efetuou a obra da Encarnação, segundo a palavra do Anjo Gabriel dirigida a Maria Santíssima: "O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá de sua sombra" (Lc. 1, 35). O sacerdote indica esta participação da terceira Pessoa divina, quando, erguendo os braços, suplica-lhe que desça do céu, dizendo: "Vinde, Santificador onipotente, Deus eterno, e abençoai este sacrifício preparado em honra de vosso santo nome" (Missal Romano: Ofertório).
Santo Ambrósio ora da mesma maneira antes da Missa: "Fazei, Senhor, que a invisível Majestade de vosso Santo Espírito desça sobre ele, como desceu, outrora, sobre as vítimas dos nossos antepassados". Esta descida do Espírito Santo é claramente descrita por Santa Hildegardes: "Enquanto o sacerdote, diz ela, ornado de vestes sacerdotais, caminhava para o altar, vi descer do céu uma claridade deslumbrante que cercou o altar, durante a celebração da Missa. Ao "Sanctus" uma chama muito forte caiu sobre o pão e o vinho, penetrando-os como os raios do sol penetram o vidro. Entretanto, elevou as duas espécies ao céu para trazê-las em breve; não houve mais então senão a Carne e o Sangue de Jesus Cristo, se bem que permanecessem, aparentemente, o pão e o vinho. Enquanto considerava as santas espécies, vi passar, diante de meus olhos, tais quais se cumpriram na terra, a Encarnação, o Nascimento, a Paixão e Morte do Filho de Deus.
O antigo Testamento possuía duas belas figuras deste mistério; uma, o sacrifício de Arão: "A glória do Senhor, diz a Sagrada Escritura, apareceu a toda a assembléia do povo e um fogo que saiu, devorou o holocausto e as gorduras que estavam sobre o altar, e o povo, vendo-o, louvou ao Senhor, prostrando-se com o rosto em terra" (Lev. 1, 23).
A outra se realizou na consagração do templo: "Salomão, ao acabar a prece, viu o fogo descer do céu e consumir os holocaustos e as vítimas, e a Majestade de Deus encheu toda a casa. Os filhos de Israel, vendo descer o fogo e a glória do Senhor, sobre esse Templo, prostravam-se, a face em terra, adorando e louvando o Altíssimo, e diziam: "Quanto é bom o Senhor! sua misericórdia é eterna" (II Paralip. 7, 1 e 3).
Compreendes bem, agora, a infinita bondade do Espírito Santo? Não é uma prece que dirige por nós a Deus Padre, são gemidos inenarráveis. Confia, pois, em um amigo tão fiel, retribuindo-lhe, e visto que ora por ti, sobretudo na santa Missa, assiste-a, algumas vezes, também em sua honra e em ação de graças por seus benefícios.


20/08/2012

DECLARAÇÃO A MAÇONARIA


DECLARAÇÃO DA
CONFERÊNCIA EPISCOPAL DAS FILIPINAS
SOBRE A MAÇONARIA

Transmissão: Gercione Lima

Apesar das muitas e repetidas sentenças de condenação da Maçonaria lançadas pela Santa Sé, parece que ainda há dúvidas se Católicos podem ou não se filiar à Maçonaria. Frequentemente se alega que várias sociedades maçônicas aqui nas Filipinas são organizações não- sectárias às quais Católicos podem aderir sem nenhum prejuízo à Fé Católica. Isto é falso e Nós queremos reafirmar nos mais fortes e solenes termos a regra emitida pela Santa Sé, a qual decreta que qualquer Católico que conscientemente e deliberadamente adere à Maçonaria automaticamente incorre em excomunhão e não pode receber os Sacramentos da Igreja e nem ser enterrado em cemitério Católico.
Uma pequena reflexão é suficiente para mostrar a justiça e a racionalidade dessa proibição, não obstante todas as alegações em contrário. A Maçonaria é hoje aquilo que ela sempre foi. Uma seita naturalista que ignora ou nega muitas das verdades contidas nas Sagradas Escrituras e definidas pela Igreja Católica como necessárias para a Salvação. Por exemplo, a doutrina oficial da Maçonaria nega, explicitamente ou por implicação, que Jesus Cristo é o Filho de Deus no sentido exato. De acordo com o ensinamento maçônico, Cristo não passou de um simples homem, certamente um homem sábio, todavia apenas um homem; portanto se Ele é chamado "Filho de Deus", isso só pode ser tomado no sentido figurativo ou metafórico. Consequentemente, aderir à doutrina oficial da Maçonaria através da adesão como membro dessa organização, em efeito significa negar ou duvidar de pelo menos uma das verdades essenciais da Fé Católica.
É verdade que os Maçons acreditam numa espécie de divindade suprema à qual eles chamam "o Arquiteto do Universo"; mas essa divindade descrita nos livros oficiais da Maçonaria está muito longe de ser o Deus Todo Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, uma só natureza em três pessoas divinas, O qual os Católicos reconhecem e adoram. De fato, o termo "Arquiteto do Universo" tem sido interpretado pelos maçons de vários modos, alguns dos quais nem podemos chamar de cristão. Além do mais, essa relatividade no que toca à natureza de Deus e nosso relacionamento com Ele, é por si só um grande perigo para a religião já que isso funciona como uma poderosa indução ao indiferentismo religioso, o qual por sua vez conduz ao ceticismo e por fim ao ateísmo.
Mas não é apenas no terreno doutrinal que a Maçonaria é inaceitável para Católicos. As condições de filiação a essa sociedade e suas práticas bem conhecidas, estão em direta violação não apenas da moralidade cristã como também da Lei Natural.
Todos os maçons, por exemplo, são obrigados a fazer um juramento solene comprometendo-se a manter segredo absoluto do que quer que seja ensinado a respeito de sua doutrina e deveres, sob a pena de sofrerem severas punições às quais incluem até mesmo a morte. Existem muitas objeções a tal juramento. Em primeiro lugar; é claramente errado jurar manter segredo de algo que não deveria ser mantido em segredo. Em segundo, as graves consequencias de se violar tal juramento, as quais incluem tortura, mutilação das mãos de outros membros da fraternidade, quer sejam seriamente consideradas ou não, invocando a suprema majestade de Deus como testemunha de um procedimento trivial e ridículo, no mínimo faz parte da natureza do sacrilégio. Mas consideremos então que tais ameaças sejam levadas a sério, nesse caso é atribuído à sociedade maçônica o poder da pena capital, o qual Deus outorgou apenas ao Estado e sob severíssimas limitações. Finalmente, a absoluta e irrestrita lealdade a uma organização privada e secreta, prometida através de juramento é diretamente contrária à Lei Natural, a qual prescreve que nossa adesão a qualquer sociedade privada é necessariamente limitada pela nossa obrigação primária a Deus, à Igreja, à sociedade civil e à família.
Apesar da propagada profissão de neutralidade e até mesmo de amizade da Maçonaria por todas as religiões, é um fato histórico confirmado por incontáveis exemplos, de que a Maçonaria sempre foi e continua sendo consistentemente hostil à Igreja Católica e também contra muitas denominações cristãs não-Católicas. Em vários casos, sacerdotes sofreram ameaças por ouvirem confissões e reconciliarem maçons em seus leitos de morte. A Maçonaria consistentemente advoga e ativamente promove a exclusão do Catolicismo de qualquer posição de influência, por mais legítima que seja, em qualquer campo da vida social. Tão amarga e incansável é essa hostilidade da Maçonaria pela Igreja Católica, que um proeminente maçon filipino foi efusivamente aplaudido por seus colegas maçons quando ele publicamente declarou que o maior inimigo do povo filipino não é o Comunismo ateu mas sim a Igreja Católica Romana.
Em resumo: Católicos estão proibidos de se associar à Fraternidade Maçônica. Católicos que conscientemente e deliberadamente se tornam maçons estão automaticamente excomungados; eles não podem receber os Sacramentos da Igreja; eles não podem ser convidados para serem padrinhos em cerimônias de Batismo e Confirmação e nem tampouco como testemunhas em Matrimônios Católicos onde tal participação se constituiria um grave escândalo e finalmente, maçons não podem ser enterrados em cemitérios Católicos.
- Dado no dia 14 de janeiro de 1954
[Assinado por toda a hierarquia da Igreja Católica nas Filipinas:]
+ JULIO ROSALES, D.D. Arcebispo de Cebu
+ JAMES T. G. HAYES, (sj) Arcebispo de Gagayan
+ JOSE MA. CUENCO, Arcebispo de Jaro
+ CESAR MA. GUERRERO, Bispo de San Fernando
+ MANUEL M. MASCARINAS, Bispo de Tagbilaran
+ MARIANO MADRIAGA, Bispo de Lingayen
+ JUAN SISON, Bispo Auxiliar de Nueva Segovia
+ ALEJANDRO OLALIA, Bispo de Tuguegarao
+ MANUEL YAP, Bispo de Bacolod
+ PEREGRIN DE LA FUENTE, (op) Prelazia de Batanes-Babuyanes
+ LINO GONZAGA, Bispo de Palo
+ FLAVIANO ARIOLA, Bispo de Legaspi
+ PATRICK SHANLEY, (odc) Prelatura de Infanta
+ MONSENHOR PATRICK CRONIN, Administrador Apostólico de Ozamiz
+ REV. CHARLES VAN DEN OUWELANT, Administrador Apostólico de Surigao
+ SANTIAGO SANCHO, Arcebispo de Nueva Segovia
+ PEDRO P. SANTOS, Arcebispo de Nueva Caceres
+ RUFINO J. SANTOS, Arcebispo de Manilla
+ LUIS DEL ROSARIO, Bispo de Zamboanga
+ MIGUEL ACEBEDO, Bispo de Calbayog
+ ALFREDO OBVIAR, Administrador Apostólico de Lucena
+ WILLIAM BRASSEUR, (cicm) Vigário Apostólico de Montanosa
+ VICENTE REYES, Bispo Auxiliar de Manilla
+ GERARD MONGEAU, Administrador Apostólico de Sulu
+ WILLIAM DUSCHAK, Vigário Apostólico de Calapan
+ ANTONIO FRONDOSA, Bispo de Capiz
+ TEOPISTO ALBERTO, Bispo de Sorsogan
+ MONSENHOR CLOVIS THIBAULT, Administrador Apostólico de Davao
+ GREGORIO ESPIGA, (orsa) Prefeito Apostólico de Palawan