Seja por sempre e em todas partes conhecido, adorado, bendito, amado, servido e glorificado o diviníssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

Nota do blog Salve Regina: “Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram.” Mons. Marcel Lefebvre

Pax Domini sit semper tecum

Item 4º do Juramento Anti-modernista São PIO X: "Eu sinceramente mantenho que a Doutrina da Fé nos foi trazida desde os Apóstolos pelos Padres ortodoxos com exatamente o mesmo significado e sempre com o mesmo propósito. Assim sendo, eu rejeito inteiramente a falsa representação herética de que os dogmas evoluem e se modificam de um significado para outro diferente do que a Igreja antes manteve. Condeno também todo erro segundo o qual, no lugar do divino Depósito que foi confiado à esposa de Cristo para que ela o guardasse, há apenas uma invenção filosófica ou produto de consciência humana que foi gradualmente desenvolvida pelo esforço humano e continuará a se desenvolver indefinidamente" - JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

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Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI”. - Declaração do Pe. Camel.

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Ao negar a celebração da Missa Tradicional ou ao obstruir e a discriminar, comportam-se como um administrador infiel e caprichoso que, contrariamente às instruções do pai da casa - tem a despensa trancada ou como uma madrasta má que dá às crianças uma dose deficiente. É possível que esses clérigos tenham medo do grande poder da verdade que irradia da celebração da Missa Tradicional. Pode comparar-se a Missa Tradicional a um leão: soltem-no e ele defender-se-á sozinho”. - D. Athanasius Schneider

"Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa (desde que não se falte à verdade), sendo obra de caridade gritar: Eis o lobo!, quando está entre o rebanho, ou em qualquer lugar onde seja encontrado".- São Francisco de Sales

“E eu lhes digo que o protestantismo não é cristianismo puro, nem cristianismo de espécie alguma; é pseudocristianismo, um cristianismo falso. Nem sequer tem os protestantes direito de se chamarem cristãos”. - Padre Amando Adriano Lochu

"MALDITOS os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável SALVADOR seja posto lado a lado com Buda e Maomé em não sei que panteão de falsos deuses". - Padre Emmanuel

“O conteúdo das publicações são de inteira responsabilidade de seus autores indicados nas matérias ou nas citações das referidas fontes de origem, não significando, pelos administradores do blog, a inteira adesão das ideias expressas.”

30/08/2012

EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA – PARTES XVIII; XIX; XX E XXI

EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA
Autor: pe. Martinho de Cochem (1630-1712)
Fonte: Lista "Tradição Católica"
Digitalização: Carlos Melo

XVIII. A SANTA MISSA É A MAIS DOCE ALEGRIA DA MÃE DE DEUS E DOS SANTOS
Nosso Senhor disse, uma vez, ao Bem-aventurado Alano: "Da mesma maneira que a divina Sabedoria escolheu uma virgem, entre todas, para ser a Mãe do Salvador, assim instituiu o sacerdócio para distribuir ao mundo, em todo o tempo, os tesouros da redenção pelo santo Sacrifício da Missa e pelos santos Sacramentos. Eis a maior alegria da minha Mãe, as delícias dos Bem-aventurados, o socorro mais seguro dos vivos e a melhor consolação das almas do purgatório" (Alanus rediv. part. E, c. 27).
A Mãe de Deus e todos os Santos gozam duma felicidade dupla: da bem-aventurança essencial e da bem-aventurança acidental. A primeira consiste na vida e na posse de Deus, conforme o grau de glória, em que foram confirmados, no momento de sua entrada no céu. Esta bem-aventurança essencial não pode aumentar nem diminuir. A bem-aventurança acidental consiste nas horas particulares que Deus, os outros Santos ou os homens rendem aos felizes habitantes do céu. Podemos acreditar, por exemplo, que, quando lhes celebramos a festa aqui na terra, eles recebam, no céu, honras particulares e todas as nossas orações e boas obras feitas em sua honra lhes sejam apresentadas por nossos Anjos, como um ramalhete de perfume delicioso.
O Evangelho indica esta crença claramente, por estas palavras de Nosso Senhor: "Assim vos digo que haverá júbilo entre os Anjos de Deus por um pecador que faz penitência" (Lc. 15, 10). Esta alegria renova-se pelo bom Pastor, pelos Anjos e pelos Santos a cada volta de uma ovelha desgarrada, porém, cessa logo que o pecador deixa de novo o aprisco por uma recaída no pecado.
Este curto esclarecimento fará compreender em que sentido a santa Missa é a maior alegria de Maria Santíssima.: é a maior alegria acidental e ultrapassa todas as outras felicidades desta ordem.
Se, em honra da Rainha do Céu, recitasse o terço, o ofício, as ladainhas, ou entoasse cânticos, enquanto um outro assistisse, piedosamente, à santa Missa, este cumpriria um ato de religião muito superior e causaria um prazer, infinitamente maior, à Santíssima Virgem.
O que torna ainda a santa Missa muito cara à Mãe de Deus, é o zelo que tem pela glória de Deus, que a divina Majestade faz consistir, sobretudo, na salvação das almas. Pelo santo Sacrifício do Altar, prestamos à augusta Trindade a única homenagem digna dela e lhe oferecemos, ao mesmo tempo, o preço da redenção do gênero humano. Ainda uma vez, que prazer agradável, suave, perfeito para Maria Santíssima ver-nos cercar o altar, onde seu amado Filho é adorado, onde choramos os pecados, onde contemplamos a dolorosa Paixão e onde o precioso Sangue é derramado sobre nossas almas!
Daí ainda expor a vantagem da santa Missa para os outros Santos.
Devemos homenagem aos Santos. São amigos de Deus que os honra; seguem a Cristo vestido de branco, "porque disso são dignos" (Apoc. 3, 4) e é deles que Nosso Senhor diz: "Quem vos glorifica, a mim glorifica" (II Reis, 2, 35). Durante a vida fugiram das honras, desprezaram-se a si próprios, sofreram, com paciência, as injúrias, os insultos, as perseguições dos maus. Por essa razão, Deus manifesta-lhes a inocência e a virtude e quer que sejam reverenciados por toda a cristandade.
Sob a inspiração do Espírito Santo, a Igreja exprime a admiração pelos filhos vitoriosos com os ofícios próprios do breviário, com cânticos, prédicas, procissões, peregrinações, mas, principalmente, pelo Sacrifício da Missa. - "Assim será honrado a quem o Rei dos Céus quiser honrar".
Na verdade, a honra mais excelente é prestada aos Santos pelo santo Sacrifício do Altar, se mandamos celebrá-lo, ou se o assistimos com a intenção de aumentar-lhes a honra acidental. - Para honrar a um príncipe, dá-se, às vezes, uma representação teatral, e, ainda que, na peça, não se faça menção dele, o príncipe não deixa de experimentar prazer. Da mesma maneira, apesar de, na santa Missa, representar-se apenas a vida e a paixão do divino Salvador, os Santos sentem grande alegria e delícias singulares, quando este espetáculo se realiza em sua honra, e todo o céu se regozija.
Quando o sacerdote pronuncia o nome dos Santos, o coração se lhes enternece, porque, observa São João Cirsóstomo, tendo o rei alcançado a vitória, o povo, querendo exaltar-lhe os feitos, nomeará também os companheiros d'armas do herói que, valentemente, destroçou o inimigo. Da mesma forma, é grande honra para os Santos serem nomeados, em presença de seu divino Mestre, do qual se celebram, como em triunfo, a paixão e morte, ouvindo louvar as vitórias alcançadas sobre o inimigo infernal. O escritor Molina diz sobre este assunto: "Não podemos ser mais agradáveis aos Santos do que oferecendo o santo Sacrifício em seu nome à Santíssima Trindade, em reconhecimento das graças que receberam, em lembrança dos méritos adquiridos" (Tract. 4, c. 10).
Observa que não se oferece o santo Sacrifício a São Miguel nem aos outros Anjos, mas a Deus Pai. Não encontrarás, em nenhum lugar, que o Santo Sacrifício possa ser oferecido à Maria Santíssima, aos Anjos ou aos Bem-aventurados. É sempre oferecido em honra da Santíssima Trindade; apenas se menciona o nome dos felizes habitantes do céu, porque, diz Santo Agostinho, "não é aos Mártires que erigimos altares, mas unicamente a sua memória". Qual o sacerdote que disse jamais no altar em que se acham as relíquias dos Santos: "A vós, São Paulo, a vós, São Pedro, oferecemos o Sacrifício?". Nunca. Jamais.
O Concílio de Trento usa quase dos mesmos termos: "Se bem que a Igreja tenha o costume de celebrar a santa Missa em hora dos Santos, não pretende oferecê-la aos Santos, porém a Deus, que os coroou". Também o sacerdote não diz: "Ofereço-vos este sacrifício, oh! São Pedro, São Paulo", mas agradecendo a Deus a vitória concedida a tal Santo pede àqueles de quem celebramos a festa na terra que intercedam por nós no céu.
Aproveita, pois, caro leitor, do excelente poder de aumentar a felicidade acidental dos habitantes do céu, oferecendo o santo Sacrifício em honra da Santíssima Trindade e, na elevação da Sagrada Hóstia, dize a Deus: "Ofereço-Vos Vosso querido Filho para maior glória e alegria do Bem-aventurado N. ...".
Para este fim, antes de ir à igreja, tem cuidado de consultar o calendário sem jamais esquecer teu padroeiro, e, na hora da morte, bendirás o dia em que abraçaste esta prática.

XIX. A SANTA MISSA É O MAIOR BEM DOS FIÉIS
Os Santos Padres e os autores de obras religiosas falam, tantas vezes e com tanta abundância, sobre a utilidade da santa Missa, que é impossível resumi-los; não citaremos, pois, senão alguns textos.
São Lourenço Justiniano diz: "Nenhuma língua humana poderá exprimir os frutos de graças e bênçãos que atrai o oferecimento do santo Sacrifício da Missa. O pecador aí acha a reconciliação com Deus, o justo uma justificação mais ampla; as virtudes aumentam, os pecados são perdoados, os vícios extirpados, os méritos multiplicados, os embustes do demônio descobertos" (Lib. de obedientia).
O Padre Antônio Molina, religioso cartucho, deixou-nos em seus escritos expressões muito próprias para inflamar o coração de um grande amor pela santa Missa. "Nada, diz ele, é tão vantajoso ao homem nem tão útil às almas do purgatório quanto o santo Sacrifício da Missa. Sua excelência é tal, que todas as outras obras e a prática das melhores virtudes não têm o menor valor, comparadamente" (Tratado sobre a dignidade do sacerdote).
O sábio Fornero, Bispo de Hebron, exprime-se do modo seguinte: "Aquele que, com a alma isenta do pecado mortal, assiste à santa Missa com devoção, adquire maior número de méritos do que se cumprisse, pelo amor de Deus, as obras mais peníveis, as peregrinações mais longínquas. Isto é evidente, visto que as obras pias tiram todo o valor e dignidade de seu objeto; ora, que haverá de mais nobre, mais precioso e mais divino do que o santo Sacrifício da Missa?" (Sermão 23).
Marchand assinala a dignidade de nosso Sacrifício nestes termos: "A Igreja católica não possui homenagem mais perfeita para oferecer a Deus, nada tem de mais agradável para apresentar a Maria Santíssima, aos Anjos e aos Santos; nada mais salutar para os justos e para os pecadores do que o santo Sacrifício da Missa".
No prefácio do missal, a Igreja exorta o sacerdote "a ter uma alta idéia da excelência da santa Missa, e a ficar convencido de que, por uma única oblação, rendemos a Deus onipotente uma homenagem mais agradável do que praticando toda a sorte de virtudes e suportando todos os sofrimentos". - Sabes por quê, caro leitor? - É porque, na santa Missa, Jesus Cristo pratica todas as virtudes e as oferece a seu Pai com a soma dos méritos da paixão, e estes atos de louvor, de amor, de adoração, de reconhecimento que do Coração de Jesus se elevam ao céu, durante sua imolação sobre o altar, ultrapassam, infinitamente, o culto dos Anjos e dos Santos.
Enfim, a prova mais evidente é o testemunho da Igreja que diz: "Reconhecemos que os cristãos não podem fazer cousa mais santa e mais divina do que este estupendo mistério, no qual a Vítima vivificadora, que nos reconcilia com Deus Pai, é oferecida, diariamente, pelas mãos do sacerdote sobre o altar" (Concílio de Trento, sess. 22).
A santa Igreja quer dizer com isto que o ato mais divino que os sacerdotes possam efetuar, é a celebração da santa Missa, e para os fiéis o ato mais santo é ouví-la, ajudá-la, mandá-la celebrar e unir-se, intimamente, às intenções do sacerdote.
Caro leitor, abre os olhos e vê, abre os ouvidos e ouve, abre, sobretudo, o coração e goza da consoladora doutrina de tua Mãe, a santa Igreja. Podes fazer grande número de boas e excelentes obras, nenhuma, porém, será tão salutar, útil e meritória para tua alma quanto a piedosa assistência à santa Missa. Como o sol ultrapassa em brilho e em força, todos os planetas, e é mais útil à terra que todos os outros astros, da mesma maneira, a audição da santa Missa sobrepuja, em dignidade e em méritos, todas as outras ações do dia. E depois de tudo isto considerado, como terás ainda a coragem de assistir ao santo Sacrifício com tantas distrações ou perdê-lo sob ligeiro pretexto?
Se, não obstante, tua preferência fosse pela meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor, exortar-te-íamos a fazê-la durante a santa Missa, pois, estes mistérios aí são renovados. Desejas entreter-te com Jesus Cristo? Ei-lo presente sobre o altar, Homem e Deus. Não julgues que as cerimônias da santa Missa possam perturbar-te a oração; não é distração, mas antes verdadeira atenção, seguir os movimentos do celebrante e lembrar-se da significação das cerimônias.

XX. A SANTA MISSA AUMENTA EM NÓS A DIVINA GRAÇA E A GLÓRIA CELESTE
É uso, nas cidades e nos arrabaldes, haver mercados e feiras, onde se vendem toda a espécie de objetos úteis.
A própria Igreja, e o céu também, têm, diariamente, um mercado. Que oferecem? A graça divina e a glória celeste. Mas são cousas preciosas; onde achar bastantes meios para comprá-las? Não tenhas nenhum receio pois podem-se adquirir gratuitamente. O profeta Isaías no-lo afirma: "Vós que não tendes dinheiro, vinde, aproximai-vos, comprai sem troca" (Is. 55, 1). Com efeito, o Senhor as dá sempre gratuitamente, porém, raras vezes, com tanta abundância como na santa Missa, o que provaremos neste capítulo.
Em primeiro lugar, porém, devemos compreender bem o que é a graça.
A graça é um dom, um socorro sobrenatural que Deus nos concede em virtude dos méritos de Jesus Cristo. Distinguem-se duas espécies de graça: a "santificante" e a "atual".
A graça "santificante" é um estado de alma que nos torna justos aos olhos de Deus e nos dá o direito de herdar os bens eternos. Esta graça, elevando-nos acima da nossa própria natureza, nos torna participantes da natureza divina. Segundo o Concílio de Trento, não é somente "a remissão de nossos pecados com favor sensível da bondade de Deus", porém "um estado divino, uma luz brilhante, que nos embeleza a alma", a qual permanece neste feliz estado até que percamos a graça pelo pecado mortal.
A graça "atual" é um socorro passageiro, pelo qual Deus ilumina-nos o entendimento e comove-nos a vontade, para evitar o mal e fazer o bem. Se nossa alma está morta, a graça atual ajuda a recuperar a graça santificante; se, pelo contrário, está na amizade de Deus, a graça atual, ajudando-nos a fazer boas obras, aumenta, de mais a mais, esta amizade divina.
São Tomás de Aquino ensina que "a graça concedida a uma alma vale mais que o mundo inteiro e tudo quanto encerra". O próprio céu com o seu esplendor não lhe pode ser comparado.
Grandiosos são os efeitos da graça de Deus: reveste, em primeiro lugar, a alma de uma beleza sem igual. Comparando com este esplendor o sol, as estrelas, as flores, parecem embaciadas, descoradas, sem encantos. Se te fosse dado vê uma alma em estado de graça, tudo o que então tivesse algum brilho para ti, aparecer-te-ia, depois, sem encanto, segundo a palavra do Bem-aventurado Blósio: "Se a beleza de uma alma em estado de graça pudesse ser contemplada, ficaríamos arrebatados".
Em segundo lugar, a graça é o laço da caridade entre Deus e o homem. Por ela o Criador e a criatura tornam-se, um para a outra, ternos e confiantes amigos, segundo a palavra de Jesus Cristo: "Não vos chamarei mais servos, e, sim, amigos" (Jo. 15, 15).
Ora, que há de maior, de mais excelente do que ser chamado amigo de Jesus Cristo e sê-lo realmente? Esta dignidade ultrapassa a natureza humana, porque tudo serve ao Senhor e nada existe que não esteja sob seu domínio. É por isso que Deus eleva os servos a uma dignidade sobrenatural, chamando-os seus amigos e tratando-os como tais. E quando, por nossa infelicidade, pelo pecado, quebramos o laço desta terna amizade, Deus não se afasta inteiramente, fica esperando à porta de nossa alma, bate docemente e pede para entrar: "Eis que estou à porta e bato: se alguém me ouvir a voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo" (Apoc. 3, 20).
Enfim, terceiro, a alma santificada é de tal modo enobrecida, que se torna a própria filha de Deus. Que honra para o filho de um mendigo ser adotado por um príncipe! Que honra infinitamente maior sê-lo pelo soberano Senhor!
A este pensamento São João exclama como em êxtase: "Considerai, o amor que nos mostrou o Pai foi tal que chegamos a ser chamados filhos de Deus e o somos" (I Jo. 3, 1). E São Paulo acrescenta: "Se somos filhos, também somos herdeiros, verdadeiramente, herdeiros de Deus, e coerdeiros de Cristo" (Rom. 8, 17).
Ser herdeiro de Deus! que sorte, que glória! Nada poderia fazer-nos melhor compreender a excelência da graça desta adoção divina, que é, ao mesmo tempo, a prova manifesta do amor infinito de Deus por suas pobres criaturas.
Ora, esta graça santificante é, sem cessar, aumentada pela nossa correspondência à graça atual, pela qual Deus orna a alma de virtudes, de piedade, cumula-a de consolações, inspira-lhe santos desejos, concede-lhe a alegria espiritual, protege-a, fortifica-a, governa-a, une-se-lhe, enfim estreitamente e lhe dá tudo o que contribui para a vida e a piedade.
Estas explicações ensinar-te-ão a conhecer o valor infinito da graça.
Agora provaremos, até a evidência, primeiro, que a santa Missa aumenta poderosamente a graça, depois, que nos aumenta a glória futura, e finalmente, insistiremos sobre a Comunhão espiritual como sobre uma parte da santa Missa muito própria para enriquecer-nos a alma de novas graças.
Um piedoso autor dizia: "Não somente o sacerdote, mas também os que mandam dizer a Missa ou a assistem, podem, conforme sua piedade, merecer um acréscimo de graça ou de glória, e este benefício lhe é abonado em virtude de sua cooperação ao santo Sacrifício.
O sacerdote é o primeiro beneficiado; os que mandam dizer a Missa, por si ou por outrem, tiram igualmente os preciosos frutos e um aumento de graças, se estão na amizade de Deus. Finalmente, os assistentes têm parte, não somente pela devoção para com o santo Sacrifício, como também em recompensa das virtudes múltiplas que exercem; assistindo-a, renovam, no coração, a dor de haver pecado, cada vez que batem no peito; exercem a fé, reconhecendo a presença real de Jesus na santa Hóstia e sua imolação pelos pecados dos homens. Esta crença é o fundamento de nossa salvação. Além da fé, produzem ainda atos de adoração interior e, se bem que estes sentimentos sejam devidos a Nosso Senhor, contudo nosso bom Mestre não os julga menos agradáveis e neles se compraz particularmente.
Se, na elevação da Hóstia e do Cálice, ofereces este dom divino ao Pai eterno, fazes um ato de grande merecimento e, se oras pelos vivos e pelos mortos, acrescentas um ato de caridade; finalmente, se participas do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, ao menos pela Comunhão espiritual, mereces graças particulares.
Além disso, por causa do desprezo dos hereges pelo divino Sacrifício do Altar que consideram idolatria, Deus olha, amorosamente, para os que reparam estes insultos por sua piedosa assistência. Os Santos Padres falam, freqüentemente, nas recompensas especiais, concedidas a este ato de reparação. São Cirilo diz: "Os dons espirituais serão, abundantemente, distribuídos aos que assistirem à santa Missa". São Cipriano nota por sua vez: "O pão sobrenatural e o cálice consagrado contribuem para a vida e a salvação do homem". Também o Papa Inocêncio III afirma: "Pela eficácia do santo Sacrifício, todas as virtudes nos são aumentadas e os frutos da graça nos são profusamente distribuídos". São Máximo, exorta aos cristãos "a não desprezarem a santa Missa, porque as graças do Espírito Santo nela são comunicadas aos assistentes".
Citamos ainda o testemunho de Osório: "Deus Padre vos dá, na santa Missa, seu Filho único, em quem reside, unida à humanidade, a plenitude da divindade e onde se acham ocultos todos os tesouros da sabedoria. Dando-nos seu Filho, dá-nos tudo".
Sim, dá-nos Jesus com seus méritos, suas satisfações, seu corpo e sua alma. Que poderia dar mais? E que meio mais cômodo poderia inventar, para permitir-nos participar destes tesouros infinitos? Certamente, se tua alma está na indigência, deves, unicamente, ao teu imperdoável torpor, à tua preguiça espiritual.
Oh delicioso e incompreensível dom da glória celeste para a qual fomos criados e pela qual nosso coração suspira ardentemente! Como poderemos tratar de aumentá-la, visto que o Apóstolo exclama: "Os olhos não viram, nem o ouvido, nem jamais veio à mente do homem, o que Deus preparou para aqueles que o amam!" (Cor. 2, 9). A santa Igreja ensina, é verdade, que as boas obras aumentam a graça e a glória futura, porém não indica o grau desta glória.
Contentemo-nos, pois, com as palavras de Nosso Senhor a Santa Gertrudes: "O cristão aumenta os méritos para a vida eterna cada vez que assiste, devotamente, à santa Missa". É desta recompensa eterna que o Evangelho diz: "Derramar-vos-ão, no seio, uma boa medida, bem cheia e recalcada e transbordante". (Lc. 6, 38).
Efetivamente, na Missa merecemos um novo grau de glória. O santo Sacrifício é como uma escada celeste: cada vez que o fiel assiste, sobe um degrau e torna-se mais belo, mais resplandecente, mais glorioso, mais estimável aos olhos de Deus e dos Santos. Cada vez que assistes à Missa, o céu o registra e te assegura um grau de glória mais elevado. Esta glória pode ser roubada pelo pecado mortal, mas, pela extrema bondade de Deus, ela te será restituída após uma humilde confissão. Que glória, que riqueza, que felicidade te esperam lá em cima, se todos os dias assistires ao santo Sacrifício!
"Aquilo que de tribulação nos vem no presente, momentâneo e leve, produz em nós, de modo incomparável e maravilhoso, um peso eterno de glória". Grava, cristão, estas palavras no coração, e convence-te de que, se o Apóstolo promete tão bela recompensa aos sofrimentos momentâneos, Deus reserva graças muito mais insignes aos fiéis que assistem à santa Missa, porque a esta prática ligam-se uma multidão de pequenas mortificações, e bem as conheces. A igreja acha-se afastada de tua casa; é necessário levantar-se mais cedo; o caminho é mau e perigoso no inverno, o vento frio sopra-te no rosto; no verão, o sol dardeja sobre ti os ardentes raios; depois, o ofício é, algumas vezes longo, o fervor desaparece, um trabalho urgente te espera, um lucro te escapa. Mas, coragem! Na santa Missa, há tantos títulos de glória, tantos tesouros para o céu!
Depois de haver declarado ser o desejo da santa Igreja que todos os fiéis fizessem a santa Comunhão na Missa que assistem, o santo Concílio de Trento recomenda, instantemente, aos que se reconhecem indignos da recepção da Eucaristia, fazer, pelo menos, a Comunhão espiritual que consiste no ardente desejo de receber Jesus Cristo. Esta prática não seria tão recomendada, se não fosse proveitosíssima às nossas almas e um dos principais meios de aumentar-nos a graça divina e a glória celeste.
Quando Jesus Cristo estava na terra, fez muitas curas pela imposição das mãos; a muitos, porém, restituiu a saúde de longe, sem estar presente, como, por exemplo, à filha da Cananéia e ao servo do centurião. A infinita generosidade de Nosso Senhor não se limita às almas que se aproximam dignamente de seu Sacramento de amor, estende-se também as que não podem recebê-lo sacramentalmente. Não diz ele: "Eu sou o pão da vida; o que vem a mim não terá mais fome, e o que crê em mim, não terá mais sede"? Ir a Jesus é crer nele e amá-lo. Quem for a ele deste modo será saciado. Jesus Cristo não ligou sua graça à santa Comunhão, de forma que não possa concedê-la sem a recepção do Sacramento. Uma Comunhão espiritual, feita com ardentes desejos, produz-nos mais graças que uma Comunhão sacramental feita sem fervor. A intensidade de nossos desejos é a medida da graça que nos vem pela Comunhão espiritual.
Mas, como fazer para bem comungar espiritualmente? O sábio Fornero, bispo de Hebron, no-lo ensina: "Todos os que ouvem a santa Missa com boas disposições, são nutridos, de maneira mística, com o corpo de Jesus Cristo. A virtude da santa Missa é tão grande que basta unir-se espiritualmente ao sacerdote, para participar com ele do fruto do Sacrifício" (Sermão 83). - Esta doutrina é muito consoladora, para os que desejam fazer a Comunhão espiritual e não sabem fazê-la. Basta dizer: Uno minha intenção com a do sacerdote, e desejo, comungando com ele, participar do santo Sacrifício.
"Assim como os nossos membros que não comem, acrescenta o bispo de Hebron, nutrem-se tão bem como a boca, da mesma maneira, os que assistem à santa Missa nutrem-se, espiritualmente, por intermédio do sacerdote, sem comungar realmente. Também é justo que o que está em espírito com o celebrante à mesa do Senhor, seja nutrido em espírito com ele. Se os convidados de um rei não saem com fome da sala do festim, como nosso divino Salvador deixaria ir embora, sem ficarem saciados, os que vieram adorá-lo na santa Missa!"
A santa Missa; a grande ceia do Senhor; aí, cada um recebe sua parte a não ser que feche, obstinadamente, a boca de sua alma diante da mão de Jesus Cristo, que lhe oferece o Corpo em alimento.
A Comunhão espiritual é, portanto, santa e salutar. A santa Igreja diz expressamente: "Aqueles que, pelo desejo, comem deste pão celeste, sentem-lhe o fruto e a utilidade, em virtude da fé viva que a caridade torna fecunda" (Conc. de Trento, sessão 13).

XXI. A SANTA MISSA É A ESPERANÇA SEGURA DOS MORIBUNDOS
Somente quando se experimentam os horrores da morte, se pode saber quanto é amarga; não obstante, aprendemos a conhecê-la um pouco, cada vez que assistimos a agonia de um de nossos irmãos. Então sentimos quanto Aristóteles, grande sábio da antiga Grécia, tinha razão em dizer: "Entre todas as coisas horrorosas, a mais horrorosa é a morte".
Na verdade é, não somente porque é a separação de nossa alma do nosso corpo, mas, principalmente porque é a porta da eternidade e nos lança diante do justo tribunal de Deus. A viva representação destas duas cousas terríveis inspira ao moribundo um tal terror, que o coração lhe treme e um suor frio lhe orvalha a fronte.
Que fazer em semelhante agonia? Como consolar esta alma? Como encorajá-la em que segurança a devemos pôr, a fim de que o demônio não a arraste ao desespero? Ah!, que se lance no seio da infinita misericórdia de Deus, e sua esperança não será baldada.
São Gregório nos diz: "Aquele que fez tudo quanto pode, deve confiar na divina Misericórdia, porque ela não o abandonará; o que, ao contrário, mostrou-se negligente, não terá razão de confiar nela, pois enganar-se-ia". - Mas, onde está a alma que foi sempre, perfeitamente, fiel? Haverá uma sobre mil? Todos, tais como somos, não poderíamos viver melhor, se quiséssemos?
Com que pode contar o moribundo na última hora? Afirmamos que não há para ele mais legítimo motivo de esperar do que a santa Missa, se, durante a vida, amou-a e ouviu-a devota e assiduamente. O profeta David confirma esta crença: "Oferecei sacrifícios de justiça e esperai no Senhor" (Sal. 4, 6).
Este sacrifício não é outro senão a santa Missa, pela qual nos desobrigamos com a divina Justiça, vantagem que não tinham os sacrifícios da antiga Lei. Eis porque não se podia, propriamente falando, chamá-los sacrifícios de justiça. David não se dirige, com essa exortação, aos sacerdotes judeus, porém a todos os cristãos e aos sacerdotes católicos, para que ponham todo o zelo na celebração da santa Missa, a fim de aplacar a cólera de Deus e apagar a pena ligada ao pecado.
Tudo isto é tão justo que o salmo conclui dizendo: "O coração em paz, por causa do sacrifício, dormirei meu último sono e repousarei para a eternidade porque me tendes, Senhor, fortalecido nesta esperança".
Fala em nome do cristão moribundo, indicando-nos com o que devemos contar, com mais certeza, na hora da morte. A santa Igreja assim o compreende por estas palavras do Ofício dos mortos: "Requiescant in pace - Senhor, concedei-lhes o repouso" - Deste modo, aquele que, durante a vida, ofereceu, com o sacerdote, o "sacrifício de justiça", pode esperar firmemente na misericórdia divina e dizer com David, no momento da morte: Senhor, cheio de confiança no santo Sacrifício, dormirei em paz e me deitarei no túmulo até que raia o grande dia da eternidade. Não temo a morte eterna, porque em vós lancei a âncora da minha esperança. Não, Senhor, não posso crer que me haveis de repelir, visto que Vos tenho oferecido, freqüentemente, o "Sacrifício da Justiça", cuja virtude purificadora e santificante há de ter apagado meus pecados e satisfeito as exigências de vossa Justiça. Eis minha doce esperança: sossegado por ela, já não receio comparecer ao vosso rigoroso tribunal.
É de fé que os méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo constituem as bases mais legítimas das nossas esperanças. Ora, na santa Missa, estes méritos são distribuídos a todos os assistentes em estado de graça. Apoiar-se, cheio de confiança, sobre a santa Missa, é, pois, apoiar-se sobre os méritos do próprio Salvador.
Poderia alguém objetar: Todo o moribundo, qualquer que seja, pode contar com a Paixão e Morte do divino Salvador, visto que sofreu por todos, a fim de satisfazer por todos os pecados e preservar-nos da condenação eterna.
Respondemos: De que servirão à nossa alma os frutos da Paixão e Morte de Jesus Cristo, se não aplicados? E, como revestí-la, deles, mais seguramente, senão pela santa Missa, visto que a santa Igreja ensina "que os frutos do Sacrifício cruento da Cruz são distribuídos, da maneira mais abundante, pelo Sacrifício não cruento da santa Missa, e esta foi instituída, para que a virtude salutar do Sacrifício da Cruz fosse aplicada em remissão de nossos pecados quotidianos" (Conc. Trento, Sess. 22).
O cristão que espera desta maneira, não se firma, nem em si, nem nos próprios méritos, porém em Jesus Cristo, nas orações, nos méritos do divino Salvador, dos quais participa no santo Sacrifício do Altar; apóia-se sobre o dom perfeitíssimo que, pelas mãos do sacerdote, ofereceu ao Pai celeste; apóia-se sobre o precioso Sangue que jorra do altar sobre sua alma; confia na oração de Jesus, em que pode e deve confiar.
Esta confiança é tão infalível que Sanchez diz: "A santa Missa nos autoriza a uma esperança da vida eterna tão segura que, para crer, nos é precisa a graça da fé". - Isto compreenderam bem os Santos e, por isso, preparavam-se para a morte pela devota celebração, ou audição da santa Missa.
Fortificada pelo pensamento da santa Missa, a alma deixa este mundo e vai apresentar-se no tribunal de Deus.
Achar-se em presença do justo Juiz! Homem altivo, qual será a tua situação? Que postura terás então?
Nossos pecados se mostrarão sob formas horríveis; nossas boas ações ali também estarão, para nos animar e, se tivermos ouvido muitas Missas, virão sob figuras encantadoras que, pela agradável presença, nos dissiparão os terrores. "Vamos acompanhar-te ao tribunal do justo Juiz, - dirão - nós, as missas que, fielmente, assististe; lá te desculparemos; testemunharemos tua piedade para o santo Sacrifício; diremos quantos pecados apagaste, quantas dívidas saldaste. Tem coragem! Acalmaremos a cólera do justo Juiz e te obteremos o perdão"
Que consolação para tua alma opressa, achar amigos tão fiéis, e tão poderosos advogados!

 

FONTE: http://agnusdei.50webs.com


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